A Black Friday 2026, marcada para 27 de novembro, deverá movimentar R$ 14,47 bilhões no comércio eletrônico brasileiro, com 18,3 milhões de pedidos. Apesar da expectativa de crescimento do faturamento, o valor médio das compras deverá recuar de R$ 808 para R$ 790,71, segundo levantamento da Stefanini Marketing, realizado por Gauge, Ecglobal e W3haus. Será a primeira queda do indicador em seis anos de acompanhamento.
O cenário combina consumidores mais atentos aos preços, maior utilização de ferramentas digitais para comparar ofertas e pressão sobre as operações logísticas. Além dos descontos, fatores como custo do frete, prazo de entrega e disponibilidade dos produtos deverão influenciar as decisões de compra.
Segundo o levantamento, 47% dos consumidores apontam o frete elevado como principal obstáculo à compra. A pesquisa também indica que 86% pretendem utilizar ferramentas de inteligência artificial durante a Black Friday, principalmente para comparar preços e verificar a autenticidade das promoções.
A maior utilização dessas tecnologias também alcança o acompanhamento das entregas. Pesquisa da Sinch, realizada com 2.501 consumidores em oito países, mostra que 78% dos brasileiros acreditam que a inteligência artificial facilitará as compras de fim de ano, ante uma média global de 43%.
No levantamento internacional, 81% dos entrevistados afirmaram confiar em assistentes de inteligência artificial para rastrear pedidos, enquanto 74% demonstraram confiança na tecnologia para esclarecer dúvidas antes da compra. O percentual cai para 62% em operações relacionadas a pagamentos e faturamento.
DHL: 37 milhões de unidades movimentadas
Para atender ao aumento da demanda entre a Black Friday e o Natal, a DHL Supply Chain prevê movimentar mais de 37 milhões de unidades no comércio eletrônico brasileiro, volume 19% superior ao registrado em um mês convencional.
A companhia também planeja contratar aproximadamente 2.600 trabalhadores temporários, aumento de 38% em relação às contratações de um mês convencional. A operação contará com tecnologias como robôs de apoio à separação de pedidos e sistemas automatizados de leitura de etiquetas.
“O desempenho nos períodos de pico depende da coordenação entre equipes, tecnologia e transporte. Nosso planejamento busca antecipar gargalos e direcionar os recursos para as etapas que exigem maior capacidade”, afirma Solon Barrios, vice-presidente de Operações de E-commerce e Retail da DHL Supply Chain.
Além do crescimento do volume, a empresa prevê mudanças no perfil das operações. Nas estruturas omnichannel atendidas pela DHL, a participação das vendas destinadas diretamente ao consumidor final deverá passar de 15% do volume mensal para 28% durante o período de maior demanda.
Essa mudança amplia a necessidade de separação individual de mercadorias, preparação de embalagens e expedição de pedidos para diferentes destinos, exigindo maior coordenação entre armazenagem e transporte.
O que influencia as entregas
A precisão das informações sobre os produtos também deverá ganhar importância durante a Black Friday. Pesquisa da Associação Brasileira de Automação-GS1 Brasil, realizada com 4 mil consumidores, aponta que a identificação clara e padronizada das mercadorias está entre os principais critérios considerados na escolha de uma loja online, atrás apenas das avaliações de outros compradores.
O levantamento mostra ainda que 33% dos entrevistados já utilizam aplicativos capazes de ler QR Codes ou códigos de barras para obter informações sobre produtos. Outros 44% manifestaram interesse em utilizar esses recursos em compras futuras, ante 39% em 2023.
Para as operações logísticas, a padronização dos cadastros contribui para reduzir divergências entre sistemas, inconsistências de estoque e falhas na separação e expedição dos pedidos.
“Quando fabricantes, marketplaces, varejistas e operadores logísticos trabalham com a mesma identificação para um produto, fica mais fácil manter os cadastros alinhados, localizar as mercadorias e acompanhar os pedidos”, afirma João Carlos de Oliveira, presidente da GS1 Brasil.
A entidade destaca a utilização do GTIN (Global Trade Item Number), número de identificação representado nos códigos de barras, como instrumento para integrar informações ao longo da cadeia de abastecimento.
Com consumidores mais atentos aos preços e às condições de entrega, a capacidade de processar pedidos, manter estoques atualizados e cumprir os prazos prometidos tende a ganhar importância na disputa pelas vendas da Black Friday 2026.
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