Motiva reduz dívida em 9,1% após venda de aeroportos

Operação de R$ 12,2 bilhões com grupo mexicano ASUR impulsiona lucro no terceiro trimestre; tráfego de veículos pesados recua 0,6%

Redação

A Motiva, antiga CCR, encerrou o terceiro trimestre de 2026 com dívida líquida de R$ 30,1 bilhões, redução de 9,1% em relação ao trimestre anterior, após concluir a venda de sua plataforma de 20 aeroportos para o grupo mexicano ASUR.

A transação, finalizada em setembro por R$ 12,21 bilhões, envolveu 17 terminais brasileiros, entre eles Confins, Curitiba, Goiânia, Navegantes e Foz do Iguaçu, além de participações em três aeroportos internacionais, localizados no Equador, na Costa Rica e em Curaçao.

Do valor total da operação, R$ 5,19 bilhões corresponderam ao pagamento pela participação acionária da Motiva, enquanto R$ 7,02 bilhões estavam associados às dívidas dos ativos transferidos. Parte dos recursos recebidos foi utilizada para antecipar o pagamento de debêntures e distribuir juros sobre capital próprio. A relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado recuou para 3,2 vezes ao final de setembro.

Segundo análise publicada pelo portal O Especialista, do Banco Safra, o lucro líquido ajustado da Motiva atingiu R$ 750 milhões no terceiro trimestre, crescimento de 9,9% na comparação anual. Já o lucro contábil chegou a R$ 3,42 bilhões, influenciado pelo ganho de capital de R$ 1,8 bilhão com a venda dos aeroportos e por R$ 871 milhões em efeitos acumulados de conversão cambial.

A receita líquida ajustada cresceu 13,7%, para R$ 3,8 bilhões, impulsionada principalmente pelas concessões rodoviárias e pelo início da cobrança de pedágios em novos trechos. O tráfego total nas rodovias avançou 33,3%, refletindo a incorporação de concessões, mas o crescimento nas bases comparáveis foi de apenas 1,6%. O fluxo de veículos pesados recuou 0,6%, resultado atribuído à menor movimentação de milho no período.

O Ebitda ajustado alcançou R$ 2,52 bilhões, alta de 13,4% em relação ao terceiro trimestre de 2025. A companhia investiu R$ 2,27 bilhões em rodovias e trilhos no período, com destaque para obras de ampliação de capacidade, recuperação de pavimentos e intervenções na Serra das Araras, na Via Dutra. Motiva

A venda dos complexos aeroportuários também representa a saída da Motiva do setor para concentrar seus negócios em rodovias e mobilidade sobre trilhos. Nos 12 meses encerrados em setembro de 2025, os 20 aeroportos incluídos na transação movimentaram 524 mil toneladas de cargas e geraram receita líquida de R$ 2,96 bilhões, segundo dados da Motiva.

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