O preço do diesel subiu mais que o frete rodoviário no terceiro trimestre de 2026, pressionando as margens dos transportadores autônomos. Enquanto o combustível acumulou alta de 15,1% em relação ao mesmo período de 2025, o preço médio do transporte avançou 13,1%. Na comparação com o segundo trimestre deste ano, o movimento foi ainda mais desfavorável para o setor: o frete recuou 5,2%, enquanto o diesel apresentou queda de apenas 0,6%.
Os dados são do Índice Frete.com de Preços (IFP), divulgado no relatório Frete Insights. O levantamento aponta que o preço médio do frete chegou a R$ 0,396 por tonelada por quilômetro rodado entre julho e setembro, ante R$ 0,350 no mesmo trimestre do ano passado. Já o diesel atingiu preço médio de R$ 7,01 por litro, comparado a R$ 6,09 um ano antes. Segundo a empresa, a diferença entre a evolução das tarifas e a do combustível, na comparação trimestral, evidencia a compressão das margens operacionais dos transportadores autônomos. <Cite refs={[“turn209019search0″,”turn209019search8”]}/>
O comportamento dos preços reflete um mercado influenciado tanto pelos custos operacionais quanto pela disponibilidade de cargas e caminhões. Embora o frete tenha acumulado aumento na comparação anual, a queda observada entre o segundo e o terceiro trimestre indica que a recomposição das tarifas não acompanha necessariamente a evolução das despesas em todos os períodos.
Em setembro, diesel também sobe mais que o frete
Os dados da Edenred Mobilidade reforçam a diferença entre a variação dos preços do combustível e a do transporte. Em setembro, o Índice de Frete Rodoviário da Edenred (IFR), calculado a partir de informações da plataforma Repom, registrou alta de 0,57% no preço médio do frete por quilômetro rodado. A tarifa passou de R$ 8,72 em agosto para R$ 8,77 em setembro.
No mesmo mês, o diesel S-10 subiu 2,70%, atingindo preço médio de R$ 7,24 por litro, enquanto o diesel comum avançou 1,33%, para R$ 6,84 por litro, segundo o Índice de Preços Edenred Ticket Log (IPTL).
Os indicadores das duas empresas utilizam unidades de medida e metodologias diferentes. O IFR acompanha o preço médio por quilômetro rodado, enquanto o IFP considera o valor por tonelada transportada por quilômetro no mercado spot, em operações de carga completa. Por isso, os resultados permitem observar tendências semelhantes, mas não devem ser combinados como se representassem uma única série estatística.
Segundo a Edenred, a alta dos combustíveis em setembro esteve associada à valorização do petróleo no mercado internacional, em meio às tensões geopolíticas no Oriente Médio. A empresa também apontou a demanda do agronegócio como fator de pressão sobre o transporte, diante da necessidade de disponibilidade de frotas para o escoamento da produção.
Oferta de cargas influencia a formação dos preços
Além do diesel, a variação da demanda ajuda a explicar o comportamento das tarifas. A quantidade de fretes publicados na plataforma Frete.com caiu 18% no terceiro trimestre em relação ao mesmo período de 2025. Na comparação com o segundo trimestre de 2026, porém, houve crescimento de 19%.
A retração anual foi concentrada principalmente no agronegócio e na região Sul. O setor respondeu por 47,3% dos fretes publicados, mas registrou queda de 27,1% em relação ao terceiro trimestre do ano passado. Na comparação trimestral, o volume avançou 31,1%, impulsionado pelo transporte de milho e fertilizantes.
Os fretes de milho cresceram 165,3% entre o segundo e o terceiro trimestres, enquanto os de fertilizantes aumentaram 108,2%. Já as operações de transporte de soja recuaram 40% na mesma comparação, após o encerramento da principal janela de escoamento da safra.
A disponibilidade de caminhões em relação à demanda interfere diretamente na negociação dos valores. Com menor volume de cargas em determinados corredores, os transportadores podem enfrentar maior dificuldade para obter tarifas que compensem os custos da operação. Em rotas com maior procura por veículos, por outro lado, as condições de negociação podem ser diferentes.
Todas as regiões registraram queda no volume de fretes publicados na comparação anual. O Sul teve a maior retração, de 36%, seguido pelo Norte, com 33%. Centro-Oeste e Nordeste recuaram 19% cada. No Sudeste, a queda foi de 4,4%.
São Paulo, Minas Gerais e Goiás concentraram 51% dos fretes publicados no período. Minas Gerais apresentou a maior relação entre solicitações de carga e motoristas disponíveis, com média de 5,58 solicitações por motorista, seguido por São Paulo, com 5,06, e Goiás, com 4,84.
Piso mínimo também influencia o mercado
A atualização dos pisos mínimos de frete é outro fator que afeta a formação dos preços. Em setembro, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) publicou a Portaria SUROC nº 22, que atualizou o valor de referência do diesel S-10 utilizado no cálculo dos coeficientes da tabela.
A medida foi adotada após a variação acumulada do combustível superar o limite previsto na legislação em algumas regiões. A Lei nº 13.703/2018 estabelece um mecanismo de reajuste extraordinário dos pisos mínimos quando a oscilação do preço do diesel ultrapassa o patamar legal.
A fiscalização do cumprimento da tabela e da emissão do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT) também influencia as condições de contratação. Segundo a Edenred, o reforço da fiscalização e a atualização dos parâmetros de cálculo contribuíram para os ajustes observados no mercado em setembro.
Para outubro, a empresa prevê a possibilidade de pressão adicional sobre os fretes, em razão dos efeitos da atualização do piso mínimo e da demanda associada ao escoamento da safra.
O cenário combina, portanto, custos de combustível elevados, oscilações na oferta de cargas e mudanças regulatórias. Para os transportadores, o desafio é manter a rentabilidade em um mercado no qual a variação do preço do frete nem sempre acompanha, na mesma proporção, a evolução dos custos operacionais.
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