A aviação civil brasileira movimentou 99,6 milhões de passageiros entre janeiro e setembro de 2026, crescimento de 4,3% em relação ao mesmo período do ano passado. O resultado foi impulsionado principalmente pelo mercado internacional, que avançou 7,3%, mais que o dobro da expansão de 3,4% registrada nos voos domésticos, segundo dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
Somente em setembro, foram transportados 10,9 milhões de passageiros em voos nacionais e internacionais, alta de 0,7% na comparação anual. O volume representa o melhor resultado para o mês desde o início da série histórica da agência, em janeiro de 2000. Apesar do recorde, o ritmo de crescimento foi inferior ao observado no acumulado do ano, refletindo a estabilidade do mercado doméstico.
O desempenho do setor ocorre em um cenário de pressão sobre os custos operacionais das companhias aéreas, especialmente em razão da alta do querosene de aviação (QAV). A combinação entre crescimento da demanda, aumento da oferta de assentos e encarecimento do combustível coloca novos desafios para a rentabilidade das empresas e o planejamento da malha aérea.
Voos internacionais sustentam crescimento
O mercado doméstico respondeu por 76,8 milhões de passageiros nos nove primeiros meses de 2026, enquanto as operações internacionais somaram 22,7 milhões. Embora os voos nacionais ainda concentrem a maior parte da movimentação, o segmento internacional apresentou maior dinamismo.
Em setembro, o contraste foi ainda mais evidente. Os voos domésticos transportaram 8,5 milhões de passageiros, queda de 0,1% em relação ao mesmo mês de 2025. Já o mercado internacional movimentou 2,4 milhões de viajantes, crescimento de 3,9%, sustentando o resultado positivo do setor.
Os indicadores de demanda e oferta também mostram diferenças entre os segmentos. No mercado doméstico, a demanda, medida em passageiros-quilômetros pagos transportados (RPK), cresceu 1,3%, enquanto a oferta de assentos-quilômetros (ASK) aumentou 6,2%. Isso significa que a capacidade disponibilizada pelas companhias cresceu mais rapidamente que a demanda efetiva.
Nas rotas internacionais, a demanda avançou 4,6%, acima da expansão de 3,7% da oferta. A diferença indica um comportamento mais favorável à ocupação da capacidade internacional, embora os indicadores agregados não permitam avaliar individualmente o desempenho das companhias ou das rotas.
Carga aérea cresce 11,1% em setembro
O transporte aéreo de cargas apresentou desempenho superior ao de passageiros em setembro. Segundo a Anac, foram movimentadas 121,5 mil toneladas de mercadorias, aumento de 11,1% em relação ao mesmo período de 2025.
As operações internacionais responderam pela maior parcela do volume, com 82,6 mil toneladas, crescimento de 16%. O resultado representa o melhor desempenho para um mês de setembro desde o início da série histórica, em 2000.
Já o mercado doméstico movimentou 38,9 mil toneladas, alta de 2,1% na comparação anual.
A diferença entre o desempenho dos dois mercados reforça a importância das operações internacionais para a movimentação de mercadorias por via aérea. O segmento atende cadeias produtivas que dependem de prazos mais curtos de transporte, incluindo produtos farmacêuticos, componentes industriais, eletrônicos e mercadorias de maior valor agregado.
O crescimento também amplia a relevância da infraestrutura de terminais de carga, dos serviços de armazenagem e dos processos de desembaraço aduaneiro para a competitividade das operações de comércio exterior.
Alta do combustível mantém pressão sobre companhias
A expansão do transporte aéreo ocorre em um momento de aumento dos custos das empresas. Segundo informações divulgadas pelo Poder360, o preço médio do querosene de aviação comercializado pela Petrobras às distribuidoras acumulou alta de aproximadamente 74% desde março de 2026. Apenas em outubro, o reajuste foi de 11,76%, elevando o valor para R$ 6,242 por litro.
De acordo com a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), a participação do combustível nas despesas operacionais das companhias, anteriormente situada entre 30% e 32%, passou a superar 45%
O aumento dos custos já começa a influenciar decisões sobre a oferta de voos. Em outubro, a Gol anunciou a suspensão de seis rotas internacionais e de pelo menos oito domésticas, com efeitos previstos a partir de fevereiro de 2027. A empresa relacionou a medida aos sucessivos reajustes do combustível.
O movimento evidencia um desafio para o setor: preservar a expansão da conectividade aérea em um ambiente de custos elevados, no qual a rentabilidade das rotas e a utilização eficiente das aeronaves ganham importância nas decisões das companhias.
Setor se aproxima de novo marco
Para o ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, o crescimento da movimentação de passageiros demonstra a expansão da aviação civil brasileira e a importância de ampliar o acesso da população ao transporte aéreo.
“Estamos nos aproximando da marca de 100 milhões de passageiros em apenas nove meses. Esse resultado mostra que cada vez mais pessoas estão utilizando o transporte aéreo, seja a trabalho, a turismo ou para reencontrar suas famílias”, afirmou.
A marca de 100 milhões de passageiros transportados em um ano foi alcançada pela primeira vez no Brasil em 2012. Depois da retração provocada pela pandemia, o setor voltou a superar esse patamar em 2023, quando foram contabilizados 112,7 milhões de passageiros.
Com 99,6 milhões de passageiros registrados até setembro, a aviação brasileira caminha para encerrar 2026 acima desse patamar. O desempenho dos últimos meses do ano, entretanto, dependerá da evolução da demanda e das decisões das companhias sobre capacidade e oferta de voos, em um cenário ainda marcado pela pressão dos custos operacionais.
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