Transportadores cobram crédito e previsibilidade para 2027

Representantes do setor apontam custos, infraestrutura e adaptação à reforma tributária entre as prioridades para o próximo governo

Redação


O acesso ao crédito, a continuidade dos investimentos em rodovias e a estabilidade das regras estão entre as prioridades apontadas por representantes do transporte rodoviário de cargas para o governo que assumirá em 2027. A avaliação traduz a pressão sobre os custos operacionais e dificuldades para contratar motoristas experimentada pelas empresas de transporte.

Segundo levantamento da NTC&Logística apresentado no CONET&Intersindical, em agosto, a defasagem média entre os fretes praticados e os custos das operações chegou a 10,5% no primeiro semestre de 2026. No período, os combustíveis acumularam alta de 17,63%, enquanto os custos com mão de obra avançaram 5%.

Para Danilo Guedes, da ABC Cargas, a previsibilidade econômica é necessária para sustentar decisões de renovação de frota, contratação e expansão. “Quando adquirimos veículos, contratamos pessoas, investimos em tecnologia ou ampliamos uma operação, estamos olhando anos à frente”, afirma.

O executivo também defende a continuidade dos projetos rodoviários. Segundo ele, melhorias nas vias contribuem para reduzir o desgaste dos veículos e os custos logísticos, além de ampliar a segurança dos motoristas.

Pressão sobre o caixa

A pesquisa da NTC&Logística também apontou que 88% das empresas consultadas enfrentam dificuldades para contratar motoristas ou agregados. Outros 70,5% relataram atrasos no recebimento dos fretes, o que pressiona o caixa das transportadoras.

Além das dificuldades operacionais, a adaptação à reforma tributária exigirá atenção das empresas, com efeitos sobre sistemas, formação de preços e gestão de créditos.

Antonio Luiz Leite, vice-presidente da NTC&Logística e diretor político da Fetcesp, defende clareza na transição e estabilidade regulatória para permitir o planejamento dos investimentos. “Temos uma mudança tributária de grandes proporções acontecendo enquanto as empresas precisam administrar custos, investir e continuar atendendo seus clientes. Essa transição precisa acontecer com clareza, diálogo e segurança para que o setor tenha condições de se adaptar”, afirma.

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