A operação que reúne governo federal e forças de segurança do Rio de Janeiro para combater o roubo de cargas entra agora em uma fase de atuação integrada nos principais corredores logísticos do estado. Iniciada nesta terça-feira (6), a Operação Corredores Logísticos terá como pontos prioritários a Avenida Brasil e a BR-040 e deverá combinar policiamento ostensivo, fiscalização, inteligência e investigação criminal.
A iniciativa foi estruturada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) em conjunto com o governo fluminense e envolve Polícia Rodoviária Federal (PRF), Polícia Militar do Rio de Janeiro (PMERJ) e Força Nacional. Na primeira etapa, estão mobilizados 327 agentes e 121 viaturas, sendo 168 policiais rodoviários federais, 114 policiais militares e 45 integrantes da Força Nacional.
A estratégia não se limita à presença de mais policiais nas rodovias. O governo pretende utilizar informações de diferentes órgãos para identificar os pontos de maior risco, orientar o deslocamento das equipes e investigar as estruturas responsáveis pelos roubos, receptação e distribuição das cargas.
A Avenida Brasil e a BR-040 foram escolhidas como os primeiros corredores prioritários por concentrarem uma parcela relevante da movimentação de cargas e apresentarem pressão criminal.
Entre janeiro e agosto, os roubos de carga na Avenida Brasil cresceram 23,3% em relação ao mesmo período de 2025. Os roubos de veículos também aumentaram 8,9% na via. Na BR-040, os roubos de veículos avançaram 28,2% no período.
A operação também poderá alcançar outros pontos estratégicos da malha logística fluminense, incluindo a Linha Vermelha, a Linha Amarela e os acessos ao Porto do Rio de Janeiro e ao Aeroporto Internacional Tom Jobim.
A definição dos corredores considera não apenas o número de ocorrências, mas a importância dessas vias para o deslocamento de mercadorias e a conexão entre centros de distribuição, terminais, portos e demais pontos da cadeia logística.
Como será a atuação
A PRF terá papel central nas rodovias federais, com fiscalização de veículos e apoio às ações de inteligência. A Polícia Militar atuará no policiamento ostensivo e na segurança dos corredores estaduais, enquanto a Força Nacional reforçará o efetivo empregado nas áreas definidas pelo planejamento integrado.
A proposta é evitar que cada força trabalhe de maneira isolada. Informações de inteligência serão compartilhadas para identificar padrões de atuação dos criminosos e direcionar as equipes para os locais e horários de maior risco.
Uma Célula Integrada de Inteligência foi criada para reunir dados de órgãos federais e estaduais. A estrutura envolve instituições como Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Civil e Polícia Militar, além de outras áreas relacionadas à segurança pública.
Com isso, a operação pretende acompanhar a movimentação dos grupos criminosos, identificar rotas utilizadas nos ataques e localizar estruturas relacionadas à receptação e ao armazenamento das mercadorias.
Combate vai além do roubo
Um dos pontos centrais da operação é atacar toda a cadeia associada ao crime. Além da recuperação de cargas e veículos, as forças de segurança deverão atuar na identificação de receptadores e das estruturas utilizadas para armazenar e distribuir produtos roubados.
A estratégia também prevê investigação dos fluxos financeiros relacionados às organizações criminosas. A intenção é ampliar o impacto das ações sobre grupos que atuam de maneira estruturada no roubo e na comercialização das mercadorias.
Os resultados serão acompanhados por indicadores como número de abordagens, fiscalizações, prisões, cumprimento de mandados e recuperação de cargas e veículos. A evolução dos índices de roubo nos corredores atendidos também servirá para orientar as próximas etapas.
Por que o Rio foi escolhido?
A operação chega ao Rio de Janeiro em um cenário de queda no número de ocorrências, mas de aumento da participação do Rio nos prejuízos provocados pelo roubo de cargas no país. Segundo levantamento da nstech publicado pela Transporte Moderno, o Rio respondeu por 36,6% dos prejuízos nacionais com roubo de cargas no primeiro semestre de 2026, ante 16,1% no mesmo período do ano passado. No primeiro trimestre, a participação chegou a 44%.
Em agosto, foram registrados 134 roubos de carga no Estado, queda de 26% na comparação anual. O valor das mercadorias roubadas, porém, aumentou 61%, de R$ 10,55 milhões para R$ 16,99 milhões. Desde 2023, o programa Carga Blindada contabiliza 11.809 ocorrências no Rio, envolvendo cerca de R$ 930 milhões em mercadorias roubadas.
Os números também mostram uma forte concentração territorial. Desde 2023, a cidade do Rio de Janeiro soma 5.738 abordagens a veículos de carga e Duque de Caxias, 2.742. Juntos, os dois municípios representam aproximadamente 72% dos casos acompanhados pelo programa.
Para as transportadoras, o principal efeito esperado é a redução do risco nos corredores mais utilizados para circulação de mercadorias. A atuação integrada poderá aumentar a fiscalização e a presença policial em trechos considerados críticos, além de permitir uma resposta mais rápida a ocorrências identificadas pelos sistemas de inteligência.
O desafio, porém, será transformar o reforço policial em redução sustentada das ocorrências e dos prejuízos. Os dados mais recentes mostram que o problema não está apenas na quantidade de roubos, mas também no valor das cargas atacadas e na concentração dos crimes em áreas urbanas e corredores estratégicos.
A operação deverá ser acompanhada a partir desses indicadores. A redução dos roubos nos corredores prioritários, a recuperação de cargas e veículos e o desmonte das estruturas de receptação serão alguns dos sinais de efetividade da estratégia.
Fique por dentro de todas as novidades do setor de transporte de carga e logística:
Siga o canal da Transporte Moderno no WhatsApp
Acompanhe nossas redes sociais: LinkedIn, Instagram e Facebook
Inscreva-se no canal do Videocast Transporte Moderno



