Quase dois terços das transportadoras ouvidas pela Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado de São Paulo (FETCESP) perceberam mudanças na operação de suas frotas durante o período de aumento do teor de biodiesel no diesel.
No levantamento, feito com 126 empresas entre junho e agosto de 2026, 62,7% relataram alterações. O entupimento de filtros foi a ocorrência mais citada (59,52%), seguido pelo aumento da frequência de manutenção (40,48%) e por falhas no sistema de injeção (39,68%).
Além disso, 64,29% das participantes disseram ter registrado mais intervenções e gastos com manutenção. O dado chama atenção porque, segundo a pesquisa, 92,1% das empresas mantêm programas de manutenção preventiva.
O diesel vendido no Brasil passou a conter 15% de biodiesel, mistura conhecida como B15, em agosto de 2025. O governo conduz testes para avaliar a viabilidade de teores superiores, de até 25%. Novos aumentos dependem de avaliação técnica; o B25 não está automaticamente previsto para 2030.
Os resultados registram a percepção das transportadoras e não demonstram que o biodiesel causou os problemas relatados. Qualidade e armazenamento do combustível, características dos veículos e condições de uso também podem influenciar as ocorrências. Para o presidente da FETCESP, Carlos Panzan, os relatos justificam uma análise mais aprofundada antes dos próximos passos da mistura obrigatória.
A pesquisa foi conduzida por técnicos do Programa Despoluir, com supervisão de Flávio Teixeira Júnior, e teve os dados compilados pelo Instituto Paulista do Transporte de Cargas (IPTC).
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