A Voz Delas, da Mercedes-Benz, completa sete anos e quer ampliar emprego de mulheres motoristas

Movimento passa a focar na empregabilidade feminina e em ações para aumentar contratação de motoristas no setor

Aline Feltrin

O movimento A Voz Delas, iniciativa da Mercedes-Benz para ampliar a presença feminina no transporte rodoviário, completa sete anos e entra em uma nova fase voltada à empregabilidade de mulheres motoristas. A prioridade agora é entender por que muitas profissionais habilitadas ainda enfrentam dificuldades para ingressar no mercado e trabalhar com empresas para ampliar as contratações.

Depois de anos investindo em formação e capacitação, o movimento pretende avançar para um novo estágio: transformar habilitação em vagas efetivas no transporte rodoviário de cargas e passageiros. Segundo a coordenadora do programa, Rannielly Moreira, a nova etapa será marcada por pesquisas e ações direcionadas ao mercado de trabalho.

“Queremos entender quem são as mulheres que têm CNH profissional, mas ainda não conseguiram oportunidade. A partir disso, vamos construir planos de ação junto às empresas para ampliar a presença feminina no transporte”, afirma a coordenadora do movimento.

A iniciativa também pretende identificar quais são os principais obstáculos enfrentados pelas candidatas — desde exigências de experiência até barreiras relacionadas a preconceito ou à conciliação entre maternidade e profissão.

Mais de 50 mulheres impactadas

Ao longo de sete anos, o movimento desenvolveu uma série de iniciativas para incentivar a entrada de mulheres no setor.

Uma das principais ações é a promoção “Na Direção dos Seus Sonhos”, que oferece habilitação profissional gratuita para mulheres que desejam se tornar motoristas, mas não têm condições financeiras para arcar com o custo da formação.

Até agora, quatro edições do programa já contemplaram 57 mulheres, habilitadas nas categorias C, D e E.

Além da CNH, as participantes recebem capacitação profissional por meio de parcerias com o SEST SENAT e com a FABET, instituições especializadas na formação de motoristas.

“O objetivo é completar o ciclo. Não basta oferecer a habilitação, é preciso capacitar e aproximar essas mulheres das empresas”, afirma Rannielly.

Comunidade e rede de apoio

O movimento também estruturou uma rede de apoio para profissionais do transporte. Hoje, a comunidade “Eu Sou a Voz Delas” reúne cerca de 1.800 mulheres, entre caminhoneiras, motoristas de ônibus, familiares de profissionais da estrada e apoiadoras da causa.

Entre as iniciativas de impacto também estão as Caravanas da Saúde, que já atenderam mais de 4.500 profissionais do transporte em diferentes regiões do país com serviços básicos de saúde.

Além disso, o movimento criou a websérie Papo Delas, com conteúdos sobre educação financeira, mecânica básica, carreira no transporte e maternidade, temas sugeridos pelas próprias motoristas.

Infraestrutura e preconceito ainda pesam

Apesar dos avanços, o movimento identifica desafios estruturais que ainda dificultam a presença feminina nas estradas.

Entre eles estão o preconceito, o assédio e a falta de infraestrutura adequada em pontos de parada, postos de combustíveis, portos e centros de distribuição.

“Muitas mulheres chegam a locais de parada e não encontram banheiro feminino ou condições adequadas para tomar banho ou descansar com segurança. Isso ainda é uma realidade em muitos lugares”, diz Rannielly.

Outro obstáculo histórico é a dificuldade de conseguir a primeira oportunidade de trabalho, já que muitas empresas exigem experiência prévia.

Falta de motoristas abre oportunidade

Segundo Andréa Rocha Carvalho, que está à frente da JNR Logística, iniciativas como o movimento A Voz Delas ajudam a ampliar a presença feminina no transporte e também contribuem para enfrentar um problema crescente no setor: a escassez de motoristas profissionais.

Para ela, programas que incentivam a formação e a entrada de mulheres na profissão têm um papel importante para ampliar a base de profissionais disponíveis no mercado.

Além disso, Andrea afirma que muitas empresas passaram a perceber que a contratação de mulheres não está ligada apenas à agenda de diversidade, mas também a ganhos operacionais.

Dados da Polícia Rodoviária Federal indicam que motoristas mulheres se envolvem em menos acidentes e registram menos infrações de trânsito.

“Há empresas que relatam que as mulheres são mais prudentes, têm menos multas, economizam combustível e cuidam mais do veículo, o que reduz custos de manutenção”, afirma.

Segundo a executiva, ao estimular a formação e a inserção dessas profissionais no mercado, o movimento ajuda a acelerar uma mudança cultural no transporte rodoviário e amplia as possibilidades de contratação pelas transportadoras.

Da vocação à estrada

A motorista Kátia Beltrão Guimarães, conhecida como Kakau, acompanha essa transformação. Aos 35 anos, ela soma mais de uma década de experiência na profissão. A carreira começou com veículos leves e evoluiu gradualmente até chegar à carreta.

“Comecei dirigindo carro pequeno e fui passando por caminhões menores até chegar na carreta”, conta.Segundo Kakau, a maior dificuldade no início foi conseguir a primeira oportunidade no setor.

“Muitas empresas querem o motorista pronto. Então conseguir a primeira chance acaba sendo mais difícil”. Ela também enfrentou questionamentos relacionados à maternidade. “Quando você é mãe, muitas vezes perguntam com quem vai deixar os filhos.”

Kakau conheceu o movimento A Voz Delas há cerca de cinco anos e afirma que a rede de apoio ajudou no desenvolvimento profissional.

“O movimento me ajudou a ser mais centrada e mais profissional. A gente aprende muito com a experiência de outras mulheres”, afirma. Atualmente ela trabalha em uma transportadora de Guarulhos (SP) e é a única motorista mulher.

Mesmo tendo optado temporariamente por operar caminhões menores para conciliar trabalho e família, Kakau diz que pretende continuar na profissão. “Eu dei um passo atrás para ficar mais próxima da minha filha, mas continuo na profissão. Tenho orgulho do que faço.”

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