O programa Move Brasil, criado pelo governo federal para estimular a renovação da frota de caminhões no país, já movimentou R$ 6,3 bilhões em financiamentos cerca de dois meses após seu lançamento. O volume representa mais da metade do orçamento total da iniciativa, que conta com R$ 10 bilhões em crédito para caminhoneiros autônomos, cooperativas e empresas de transporte rodoviário de cargas.
Operado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o programa oferece linhas de financiamento com juros abaixo do mercado para a compra de caminhões novos ou seminovos, desde que atendam a critérios ambientais e de conteúdo nacional.
A iniciativa busca acelerar a renovação da frota nacional — considerada envelhecida — e estimular a indústria de veículos pesados, além de melhorar a eficiência energética e reduzir emissões.
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Demanda cresce desde o lançamento
A adesão ao programa tem avançado rapidamente desde a criação da linha de crédito. Dados divulgados pelo governo indicam que o volume de operações aprovadas cresceu gradualmente nas primeiras semanas de operação, passando de cerca de R$ 1,3 bilhão no primeiro mês para R$ 3,7 bilhões e R$ 5 bilhões em dois meses.
Com o montante atual de R$ 6,3 bilhões, o governo avalia que a demanda superou as expectativas iniciais e acompanha a evolução das contratações para avaliar eventuais ajustes ou ampliação dos recursos.
Além de estimular a indústria, o programa busca reduzir custos operacionais para transportadores, ao viabilizar a troca de veículos mais antigos por caminhões mais eficientes e com menor consumo de combustível.
Fundo permanente com Petrobras
Geraldo Alckmin, afirmou no fim de fevereiro que o governo trabalha em duas frentes para viabilizar a continuidade do Move Brasil após o prazo previsto na medida provisória que criou o programa.
A estratégia envolve a estruturação de um funding permanente por meio de dois fundos: um ligado ao Ministério dos Transportes e outro em negociação com a Petrobras. O objetivo é criar uma fonte estável de recursos para equalizar a taxa de juros nas operações de financiamento de caminhões.
“A nossa proposta é ter um programa permanente. Para isso, precisamos ter um funding para equalizar essa taxa de juros. É isso que estamos trabalhando com dois fundos”, afirmou o ministro durante visita à concessionária De Nigris, da Mercedes-Benz, em São Paulo.
Segundo Alckmin, o principal entrave para a renovação da frota continua sendo o custo financeiro. Embora a taxa básica de juros esteja em trajetória de acomodação, ele ponderou que patamares ainda em dois dígitos seguem elevados para bens de alto valor agregado, como caminhões. “Qualquer taxa acima de 10% é alta para financiar um bem durável”, disse.
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