Apesar da escalada recente no preço do diesel e da insatisfação crescente entre caminhoneiros autônomos, não há indicativo de paralisação nacional da categoria neste momento. A avaliação foi feita pela Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA) em depoimento exclusivo à Agência Transporte Moderno.
Segundo a entidade, que representa caminhoneiros autônomos por meio de sindicatos e federações em todo o país, nenhuma organização vinculada ao sistema sindical da confederação convocou assembleias ou deliberou sobre paralisações.
“A CNTA representa integralmente os caminhoneiros autônomos em todo o país. Até o momento, não temos notícias de que nenhuma dessas entidades convocou assembleias, deliberou sobre paralisações ou comunicou qualquer movimento organizado nesse sentido”, informou a entidade.
A confederação ressalta que, embora haja forte preocupação com o custo do combustível, não existe mobilização organizada que indique paralisação da categoria em nível nacional.
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Mobilização localizada em Salvador
Enquanto entidades nacionais descartam greve ampla, circulou a informação que uma ala de caminhoneiros autônomos ameaça realizar uma paralisação de 24 horas na região do porto de Salvador, movimento apoiado pela ANTB (Associação Nacional do Transporte Autônomos do Brasil), e que está relacionado a mudanças nas regras de triagem de cargas no porto.
A nova regra exige que o motorista leve o contêiner até o setor de triagem antes da descarga, ampliando o percurso em cerca de 10 a 15 quilômetros e aumentando o tempo de espera para liberação da carga
Além da situação no porto baiano, lideranças da associação também mencionam outras demandas da categoria, como a definição do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a constitucionalidade da lei do piso mínimo do frete, mudanças na política de preços dos combustíveis da Petrobras e o fim da cobrança de pedágio para caminhões com eixo suspenso quando estão sem carga.
Diesel caro pressiona transportadores
O aumento do preço do diesel é hoje o principal fator de tensão no setor de transporte rodoviário de cargas. Segundo representantes da categoria, a disparada do petróleo no mercado internacional após a escalada do conflito no Oriente Médio tem pressionado o custo do combustível no Brasil.
De acordo com lideranças do setor, caminhoneiros relatam aumento de aproximadamente 25% a 26% no preço do diesel nos últimos dez dias, com elevação média de cerca de R$ 1,64 por litro. Em algumas regiões do país, o litro do combustível já ultrapassa R$ 8, agravando o impacto sobre os custos operacionais do transporte rodoviário.
Piso do frete reajustado
Diante da alta do combustível, a CNTA defende que o aumento seja repassado ao valor do frete, conforme previsto na legislação.
Segundo a entidade, a Lei nº 13.703/2018, que instituiu a política nacional de pisos mínimos de frete, determina a atualização da planilha de custos sempre que houver variação superior a 5% no preço do diesel.
Como o aumento recente superou esse patamar, a expectativa da confederação é que a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) atualize a tabela de frete nos próximos dias. A entidade ressalta que o caminhoneiro não pode absorver sozinho a elevação do custo do combustível e que o reajuste precisa ser repassado às operações de transporte.
Reunião com o governo federal
Nesta sexta-feira (13), representantes da CNTA e de outras entidades do setor participaram de uma reunião com a Secretaria-Geral da Presidência da República, Casa Civil, Secretaria de Relações Institucionais, Secretaria Nacional do Consumidor e Ministério dos Transportes.
Durante o encontro, as entidades cobraram o reajuste do piso mínimo de frete, maior fiscalização sobre os preços do diesel nos postos e a criação de um canal direto de comunicação com o governo para denúncias de aumentos indevidos.
Também foi solicitada a abertura de diálogo com governos estaduais para discutir a redução de impostos estaduais sobre o combustível.
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