A Transjordano, uma das maiores transportadoras rodoviárias do Brasil, especializada em logística e transporte de produtos a granel e cargas de alto risco, projeta renovar sua frota em 2026 com a compra de cerca de 100 caminhões.
Contudo, a diretora de estratégia e gestão da companhia, Joyce Bessa, explicou que a prioridade é optar por crédito “mais saudável” para a Transjordano, sem recorrer por ora ao programa Move Brasil, iniciativa do governo federal voltada à renovação de frota, que disponibiliza R$ 10 bilhões em subsídios, dos quais R$ 5 bilhões já foram utilizados.
A empresa atua no transporte de combustíveis, produtos perigosos, químicos leves e pesados, granéis sólidos, minerais e fertilizantes, oferecendo ainda distribuição integrada e soluções logísticas customizadas, com monitoramento em tempo real de suas operações pelo Centro de Controle Operacional (CCO).
A diretora reforçou que o programa é rápido na análise de crédito, mas que a estratégia da Transjordano é diferente. “Buscamos alternativas para encontrar condições melhores para o momento atual da empresa.”
O programa Move Brasil, segundo Bessa, privilegia transportadoras que têm “crédito ruim” — ou seja, rating limitado ou inexistente no mercado. “Ele baliza todo mundo porque o spread é o máximo 3. Dentro desses pequenos transportadores, muitos não fazem conta e aproveitam o spread, o que pode gerar efeitos colaterais.”
A diretora explicou que existem diferentes modalidades de crédito no mercado, como TLP e Finame, com opções atreladas à Selic. “Se você perguntar para os transportadores, muitos nem sabem o que é TLP, Finame, Finame Selic. Faça a conta e aproveite. Se for no calor do momento, pode gerar efeito colateral”. Ela ainda comentou que está estudando uma alternativa que não se encaixa em nenhuma dessas linhas tradicionais, prometendo novidades em breve.
Sobre a renovação de frota, a Transjordano mantém seu padrão anual: “Todo ano a gente faz uma renovação de mais ou menos 100 caminhões. Este ano também.” A escolha da marca e do modelo ainda depende do estudo em andamento da empresa.
Impacto dos juros
A diretora também comentou o impacto da alta taxa de juros no setor. “A taxa de juros prejudica todo mundo, aumenta nosso endividamento, mas a demanda continua igual. Não foi necessário fazer demissão. A gente faz ajustes financeiros e cálculos bem pesados. Com gestão, é possível manter a operação.” Atualmente, a Selic está em 15%, mesmo com previsões do boletim Focus de queda para 10% até o final do ano, cenário que pode ser impactado por fatores externos como conflitos internacionais.
Além do crédito, Bessa destacou a atenção da empresa ao mercado de combustíveis. A recente volatilidade do diesel, com aumentos que chegaram a R$ 0,90 por litro em algumas regiões, reflete especulação e tensões no Oriente Médio. “É uma volatilidade muito grande em um dia. Estava 85, foi para 115 e voltou. Vamos acompanhar tudo isso”, relatou.
Com base em sua gestão estratégica, a Transjordano mantém perspectivas de crescimento moderado, priorizando renovação consistente da frota, gestão financeira sólida e escolhas de crédito alinhadas à realidade da empresa.
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