Ford aposta em custo total de operação para fugir da guerra de preços

Montadora investe em conectividade, pós-venda e ecossistema de serviços para fortalecer presença no mercado de comerciais leves e frotas corporativas

Aline Feltrin

Em um mercado cada vez mais pressionado pela disputa de preços, a Ford Pro decidiu seguir um caminho diferente para crescer no segmento de veículos comerciais leves na América do Sul. Em vez de entrar em uma competição direta pelo menor preço, sobretudo contra concorrentes chineses, a montadora aposta no conceito de custo total de operação (TCO) e em um ecossistema de serviços para conquistar clientes profissionais. “A ideia é evitar que o veículo se transforme em um produto comoditizado, no qual a decisão de compra seja baseada apenas no preço de aquisição”, disse o diretor da Ford Pro para América Latina, Guillermo Lastra, à Agência Transporte Moderno.

“Não queremos entrar em uma guerra de preços. Obviamente teremos preços competitivos, mas o que estamos trabalhando é no custo total de operação”, afirmou o executivo.

A pressão sobre preços tem aumentado nos últimos anos com a entrada de novos fabricantes no mercado regional. Dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) indicam que o segmento de comerciais leves na América do Sul tem enfrentado maior concorrência internacional, incluindo a presença crescente de montadoras da China.

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Conectividade e dados para gestão de frotas

Um dos pilares da estratégia da Ford é o uso de conectividade embarcada para fornecer dados operacionais aos clientes. Por meio dessa tecnologia, gestores de frota conseguem monitorar em tempo real o desempenho do veículo, identificar necessidades de manutenção preventiva e acompanhar indicadores de produtividade.

Segundo Lastra, a gestão baseada em dados se tornou essencial para operações logísticas e de serviços. “Hoje nenhum frotista consegue administrar sua frota sem dados. O que estamos fazendo com a Ford Pro é disponibilizar essas informações para que o cliente maximize a produtividade do veículo”, afirmou.

Esse tipo de solução ainda é mais comum no segmento de caminhões e começa a se expandir para o mercado de comerciais leves, que inclui vans e picapes.

Outro pilar da estratégia é o fortalecimento da rede de concessionárias. A Ford conta com cerca de 145 concessionários na região, todos habilitados a vender e prestar serviços para o portfólio completo da marca.

Parte dessa rede possui estrutura especializada para atendimento de veículos de trabalho, com foco em manutenção rápida e disponibilidade de peças.

A montadora aposta nessa capilaridade para reduzir o tempo de parada dos veículos — fator considerado crítico para empresas que dependem do automóvel como instrumento de trabalho.

A ampliação da oferta de modelos também faz parte do plano. A picape Ford Ranger, um dos principais produtos da marca na região, ganhou novas configurações voltadas ao uso profissional.

Com isso, a Ford passou a oferecer mais versões voltadas ao trabalho, ampliando o leque de opções para diferentes perfis de clientes, desde pequenos empreendedores até grandes frotas corporativas. Segundo a companhia, a estratégia é aumentar a presença em subsegmentos que antes não eram atendidos pela marca.

Produção local?

Atualmente, os veículos comerciais leves da Ford vendidos no Brasil são importados — a van Ford Transit vem do Uruguai e a picape Ford Ranger é produzida na Argentina.

A montadora, no entanto, já teve produção de veículos comerciais no país. Até 2019, a empresa fabricava caminhões em sua planta de São Bernardo do Campo, no ABC paulista. Segundo Guillermo Lastra, uma eventual produção local no futuro dependeria principalmente de escala e volume de mercado.

“Se em algum momento houver volume e escala suficientes para justificar uma operação industrial, isso pode acontecer. O importante é garantir que estamos entregando o produto que o cliente precisa e que a operação seja rentável”, afirmou.

Hoje, a prioridade da montadora é ampliar a presença no segmento com a expansão do portfólio de veículos comerciais e fortalecer o ecossistema de serviços da Ford Pro.

O avanço de novas marcas globais, incluindo fabricantes da China, tem ampliado a competição no segmento. Para a Ford, no entanto, a aposta em serviços, conectividade e gestão de frotas deve ser o principal diferencial para manter competitividade em um mercado cada vez mais sensível ao custo operacional.

Responsável pela linha de veículos comerciais da montadora, a Ford Pro vendeu 9 mil veículos no Brasil em 2025, alta de 26% em relação ao ano anterior. O volume representou 18% das vendas totais da marca no país.

Na América do Sul, a divisão comercializou 28 mil unidades, crescimento de 17%. Dentro desse portfólio, a linha Ranger Pro registrou avanço de 71% em 2025, com mais de 6,2 mil unidades vendidas.

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