Diesel sobe mais de 7% no Brasil com tensão no Oriente Médio

Alta do petróleo pressiona combustível do transporte rodoviário e pode impactar fretes, logística agrícola e custos da cadeia produtiva

Valeria Bursztein

A escalada das tensões no Oriente Médio já começa a produzir efeitos no mercado brasileiro de combustíveis. Nos primeiros dias de março, o preço médio do diesel registrou alta superior a 7% nos postos do país, acompanhando a valorização do petróleo no mercado internacional.

Dados do IPTL (Índice de Preços Edenred Ticket Log), levantamento que consolida as transações realizadas em postos de todo o Brasil, mostram que o diesel S-10 subiu 7,72% entre a última semana de fevereiro e a primeira semana de março, passando de R$ 6,22 para R$ 6,70 por litro. No mesmo período, o diesel comum avançou 6,10%, de R$ 6,23 para R$ 6,61.

A gasolina também registrou aumento, embora mais moderado. O preço médio passou de R$ 6,44 para R$ 6,52 por litro, alta de 1,24%.

Segundo Vinicios Fernandes, diretor de Frete da Edenred Mobilidade, o diesel costuma reagir mais rapidamente a movimentos bruscos no mercado internacional de petróleo, sobretudo por sua relação direta com o transporte de cargas no país.


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Renan Filho deixa Transportes após ciclo recorde de concessões rodoviárias

Secretário-executivo George Santoro deve assumir o ministério; gestão estruturou carteira ferroviária bilionária e retomou investimentos em rodovias

Valeria Bursztein

10 de março de 2026 às 11h14
Atualizado em 10 de março de 2026 às 13h17

Foto: Divulgação

O ministro dos Transportes, Renan Filho, deixará o comando da pasta no fim deste mês para reassumir o mandato de senador pelo MDB de Alagoas e iniciar a articulação para disputar o governo do estado em 2026. O atual secretário-executivo do ministério, George Santoro, deve assumir o comando da pasta a partir de abril.

Santoro é considerado o principal auxiliar do ministro na condução das políticas de infraestrutura de transportes e já respondeu interinamente pelo ministério em diferentes ocasiões.

Concessões e retomada de obras

A gestão de Renan Filho no Ministério dos Transportes, iniciada em 2023, foi marcada pela retomada de obras rodoviárias e pela ampliação da agenda de concessões de infraestrutura.

Entre 2023 e 2025 foram realizados 13 leilões de concessões rodoviárias federais, que somaram cerca de R$ 135 bilhões em investimentos em aproximadamente 6,2 mil quilômetros de rodovias. O ministério também estruturou uma carteira de projetos que pode alcançar 36 concessões rodoviárias até 2026, com potencial superior a R$ 400 bilhões em investimentos ao longo dos contratos.

Outra frente da gestão foi a ampliação do programa de pontos de parada e descanso para caminhoneiros, voltado à melhoria das condições de trabalho dos motoristas e à redução de acidentes nas rodovias federais.

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“Quando há uma alta mais forte no preço do petróleo, é comum que os primeiros sinais apareçam no diesel. Como ele é o principal combustível do transporte rodoviário de cargas, qualquer pressão de custo tende a se refletir rapidamente nesse mercado”, afirma o executivo.

Ele observa ainda que a dependência brasileira de importações amplia a sensibilidade do mercado doméstico às oscilações globais. Atualmente, entre 20% e 30% do diesel consumido no país é importado, o que expõe o abastecimento a eventos geopolíticos que afetam rotas estratégicas de transporte de petróleo, como o Estreito de Ormuz.

Nos últimos dias, o preço do barril de petróleo chegou a se aproximar de US$ 120, impulsionado pelo temor de impactos na oferta global de energia e na economia mundial.

Impacto direto no custo do transporte

A elevação do diesel tende a repercutir rapidamente no setor de transporte rodoviário de cargas. O combustível responde por cerca de 35% a 45% do custo operacional das transportadoras, dependendo do perfil da operação e da distância percorrida.

Por essa razão, variações mais bruscas no preço do diesel costumam pressionar os valores do frete e reduzir as margens das empresas de transporte, sobretudo em contratos de curto prazo.

A legislação também prevê a possibilidade de revisão extraordinária da tabela de frete mínimo quando ocorrem oscilações relevantes no preço do combustível. Nesse caso, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) pode atualizar os valores de referência utilizados nas negociações entre embarcadores e transportadores.

Como o transporte rodoviário responde por cerca de 65% da movimentação de cargas no país, aumentos no diesel tendem a se espalhar rapidamente por cadeias produtivas como alimentos, construção e agronegócio.

A alta ocorre ainda em um momento sensível para a logística brasileira, marcado pelo pico de escoamento da safra agrícola, quando a demanda por transporte rodoviário cresce significativamente nas regiões Centro-Oeste e Norte.

Pressões na cadeia de abastecimento

Apesar da alta observada nos postos, a Petrobras ainda não anunciou reajustes oficiais nas refinarias. Mesmo assim, já há sinais de pressão em alguns pontos da cadeia de abastecimento.

“Alguns postos já relatam dificuldades de reposição em determinados tanques ou bombas. Isso pode indicar um cenário de oferta mais apertada caso as restrições logísticas provocadas pelo conflito se prolonguem”, diz Fernandes.

O executivo pondera, no entanto, que ainda é cedo para falar em risco de desabastecimento e que o mercado segue sendo monitorado.

Nordeste lidera altas regionais

Os dados do IPTL mostram que o impacto nos preços não foi uniforme entre as regiões do país. O Nordeste registrou os maiores aumentos, com alta de 13,17% no diesel comum e de 8,79% no diesel S-10 no período analisado. A região também apresentou a maior média nacional para o diesel comum, chegando a R$ 7,22 por litro.

No Centro-Oeste — região estratégica para o escoamento da produção agrícola — o diesel comum subiu 7,45% e o S-10 avançou 7,11%.

Nas demais regiões, os aumentos foram mais moderados, embora ainda relevantes: 5,13% no Sul, 3,55% no Norte e 3,40% no Sudeste para o diesel comum. Já no caso do diesel S-10, o maior preço médio foi registrado no Norte, com R$ 7,00 por litro.

Entre os estados, o maior preço médio do diesel comum foi observado em Roraima, com R$ 7,84 por litro. O menor foi registrado em Pernambuco, com R$ 6,23. O maior aumento ocorreu no Piauí, onde o combustível subiu 17,45%, alcançando R$ 7,74.

No diesel S-10, o maior preço médio foi observado no Acre, também com R$ 7,84 por litro, enquanto o menor foi registrado no Rio Grande do Sul, com R$ 6,26. A Bahia apresentou a maior alta no período, de 11,46%.

No caso da gasolina, o maior preço médio foi identificado em Rondônia, com R$ 7,90 por litro, estado que também apresentou a maior alta, de 13,18%. Já o menor preço médio foi registrado na Paraíba, com R$ 6,26.

O IPTL é calculado a partir dos abastecimentos realizados em cerca de 21 mil postos credenciados da Edenred Ticket Log. A base reúne dados de mais de 1 milhão de veículos administrados pela companhia e registra, em média, 55 transações por segundo.

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