Tecadi aposta em eficiência para combater falta de motoristas e custos altos

Mesmo diante de desafios, o operador logístico espera crescer 30% neste ano com otimização da frota e compras estratégicas

Aline Feltrin

A escalada de custos operacionais e a escassez de motoristas pressionam o setor de logística, mesmo assim o operador logístico Tecadi projeta crescer 30% em 2026. Para enfrentar esses desafios, a empresa aposta em otimização da frota, compras estratégicas de pneus e insumos e gerenciamento rigoroso da operação, mantendo eficiência. O objetivo é reduzir custos e garantir entrega de serviços mesmo diante da pressão do mercado e da sensibilidade de clientes a preço, segundo revelou o diretor financeiro da companhia, Lucian Silva.

A projeção, segundo o executivo, é de um crescimento puxado por novos clientes e pela expansão das operações já presentes na empresa. A expectativa acompanha a implantação de um novo armazém de 60 mil metros quadrados em Navegantes (SC) que fará parte do maior complexo logístico do país, com capacidade para mais de 700 metros de comprimento e 91 veículos carregando ou descarregando simultaneamente.

Segundo Silva, a empresa não pretende expandir a frota neste ano, focando na renovação de veículos desgastados para manter a eficiência operacional e reduzir custos de manutenção e consumo de combustível. “A intenção não é aumentar a quantidade de veículos, mas manter os caminhões com menos de cinco anos de vida útil. Veículos mais velhos demandam mais manutenção e ficam mais tempo parados, comprometendo a eficiência”, explicou.

No transporte, o TECADI enfrenta um mercado altamente competitivo, em que clientes são sensíveis a preço e contratos não têm valores tabelados. A rentabilidade da operação, segundo Silva, vem da otimização de custos, não do aumento de preço. “Os custos reajustam toda semana, o diesel sobe toda semana e nem sempre conseguimos repassar. Por isso, trabalhamos em otimização da frota, compras de pneus e insumos, e em fazer a frota rodar mais.”

Sobre linhas de crédito, como o programa Move Brasil, Silva afirmou que a empresa não vai aproveitá-lo neste momento, pois a frota foi renovada recentemente e não há sinais de queda de juros para 2026, especialmente após a escalada de conflitos no Oriente Médio, que pressiona os preços de combustíveis e a inflação.

Um dos maiores desafios do TECADI é a falta de motoristas. Atualmente, a empresa opera cerca de 54 cavalos-mecânicos, mas mantém três a quatro vagas abertas permanentemente, mesmo com colaboradores extras para cobrir férias e afastamentos. “Dificilmente conseguimos manter o quadro 100% completo. Isso é um problema estrutural”, afirmou Silva.

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Consumo final

O crescimento projetado está mais concentrado em produtos de consumo final, como linha branca, eletrônicos e vestuário, que representam cerca de 60% do faturamento. “É um ano de Copa do Mundo, e já vemos reflexos do aumento da renda devido à isenção do imposto de renda e mudança da tabela. Isso faz com que famílias tenham mais dinheiro para gastar. Todos os nossos clientes de consumo final estão vendendo muito bem”, explicou Silva.

O TECADI acompanha de perto mudanças na legislação, incluindo reforma tributária e possíveis mudanças na escala 6×1. Segundo Silva, por estar no meio da cadeia logística, os impactos tributários tendem a ser repassados automaticamente a fornecedores e clientes, sem afetar significativamente a rentabilidade da empresa. Quanto à escala 6×1, o impacto direto é limitado, pois não se aplica à maior parte das unidades do TECADI, embora clientes industriais possam sentir efeitos mais fortes.

Armazéns e frota

A maior parte do investimento previsto para 2026 será em armazéns e automação. O novo armazém em Navegantes terá sistemas de RFID, drones para inventário e automação de movimentação interna, permitindo baixa automática de estoque e otimização de processos, mesmo diante do alto turnover de colaboradores operacionais no Sul do país. “Automatizamos para reduzir perdas e aumentar eficiência, garantindo que cada operação gere valor e não custo extra”, detalhou Silva.

Apesar da pressão do mercado por veículos elétricos ou movidos a biocombustíveis, o TECADI não vê viabilidade econômica para substituir caminhões a diesel. “A conta não fecha com elétricos ou gás, então usamos caminhões mais econômicos e atualizamos a frota constantemente. Compensamos a pegada de carbono nos armazéns”, disse.

Todos os armazéns do TECADI consomem energia renovável, seja via geração distribuída com painéis fotovoltaicos, mercado livre de energia ou equipamentos elétricos, garantindo que o escopo 3 da logística seja verde, mesmo com transporte dependente de diesel.

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