Baixa concorrência em leilão de terminais portuários acende alerta sobre atratividade dos ativos

Certame realizado na B3 garante novos operadores para áreas em Santana, Porto Alegre e Natal, mas participação única por lote reduz arrecadação e expõe seletividade dos investidores

Valeria Bursztein

O leilão de três terminais portuários realizado esta semana, na B3, confirmou a continuidade do programa federal de arrendamentos, mas trouxe um sinal relevante ao mercado: a baixa concorrência nos ativos ofertados. Cada lote recebeu apenas um interessado, resultando em valores simbólicos de outorga.

Os terminais localizados nos portos de Santana (AP), Porto Alegre (RS) e Natal (RN) foram arrematados por R$ 2,00, R$ 10 mil e R$ 50 mil, respectivamente — patamar distante de certames anteriores do setor portuário, tradicionalmente marcados por disputas mais acirradas.

O resultado ocorre em um momento de expansão das concessões de infraestrutura no país, mas evidencia maior seletividade dos operadores privados diante de ativos regionais ou de menor escala operacional.

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Modelo segue consolidado

Apesar da concorrência limitada, especialistas avaliam que o certame preserva o principal objetivo da política portuária: garantir investimentos privados e evitar a ociosidade de áreas nos portos organizados.

Para Rodrigo de Campos, advogado e sócio do escritório Vernalha Pereira, o leilão reafirma a solidez do modelo de arrendamento implantado no Brasil a partir da modernização portuária dos anos 1990.

“O leilão reafirma a força do modelo de arrendamento, consolidado no setor portuário desde os anos 1990, razão pela qual tem atraído parceiros privados atuantes nas áreas core de cada terminal levado a leilão”, afirma.

Segundo o especialista, mesmo sem arrecadação expressiva, a presença de interessados em todos os lotes garante previsibilidade regulatória e continuidade ao programa de desestatização conduzido pelo Ministério de Portos e Aeroportos e pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ).

Investidor mais seletivo

Na avaliação de agentes do setor, o resultado reforça uma mudança no comportamento dos investidores, hoje mais focados em ativos com escala logística consolidada, demanda garantida e menor exposição a riscos operacionais.

Nesse cenário, a competitividade dos próximos leilões deverá depender menos do valor de outorga e mais da qualidade das modelagens contratuais e do potencial efetivo de movimentação de cargas — fator considerado decisivo para ampliar a disputa e atrair novos operadores ao sistema portuário brasileiro.

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