O transportador brasileiro é habituado às intempéries da economia do país. Em palavras mais simples, eu diria que somos acostumados a apanhar… e seguir acreditando. Talvez essa seja uma característica não só do transportador, mas do brasileiro. O fato é que somos experts em receber todo tipo de notícia bizarra, que deixaria qualquer europeu em crise, e lidar com a naturalidade de quem já não se espanta com o absurdo e, no fim do dia, só quer tentar prosperar em paz.
A última edição do Índice CNT de Confiança do Transportador, um sério e importante indicador do nosso mercado, mostra um setor pressionado, mas teimosamente em pé. Com índices abaixo de 50% em todos os estados pesquisados – 45,3% em São Paulo, 46,7% no Rio Grande do Sul, 47,2% no Rio de Janeiro e 38,7% em Santa Catarina –, a mensagem é clara: o transportador enxerga um ambiente econômico difícil, mas não joga a toalha.
Crédito caro, custos operacionais em alta, infraestrutura deficiente e insegurança jurídica seguem pesando na percepção dos empresários. Ainda assim, a própria CNT destaca que as expectativas para os próximos meses são “menos pessimistas”, apoiadas em gestão mais profissional, ganhos de eficiência e adoção de tecnologia. Isto é, fazer o dever de casa, já que na rua o caos impera.
Esse movimento aparece também nas redes sociais. Em uma pesquisa que realizei nos stories do meu Instagram, 76% dos milhares de votantes declararam que o lucro diminuiu em 2025. Mesmo assim, 58% disseram que pretendem investir e crescer em 2026, 28% querem manter o tamanho atual da empresa e apenas 21% afirmaram estar em modo de sobrevivência para o próximo ano.
Ou seja: o humor está pressionado, mas o espírito continua empreendedor. O transportador brasileiro aprendeu a operar em crise, a renegociar custo, imposto e tudo que for possível para manter o cliente e esperar um futuro melhor no longo prazo.
O desafio agora é transformar essa resiliência em resultado: usar dados, tecnologia e gestão para extrair produtividade de cada quilômetro rodado, tentando manter a satisfação do motorista (espécie em extinção), enquanto tentamos, a muito custo, nos organizar e nos unir para cobrar as autoridades por melhor infraestrutura e segurança jurídica.
Confiança abaixo de 50% não significa desistência. Significa que, mais uma vez, o transporte segue tocando o Brasil, mesmo quando o cenário insiste em jogar contra
Sobre o autor: Tony Bernardini é empresário, mentor e comunicador especializado no setor de transporte rodoviário de cargas. CEO da Edini Transportes, fez sua transportadora crescer dez vezes nos últimos 4 anos e é fundador da Trajeto, a primeira escola de negócios para transportadoras feita de transportador para transportador.
Criador do movimento O Novo Transporte, Tony tem o objetivo de transformar o transporte por meio da educação. Também é Superintendente de Comunicação e Marketing do SETCERGS, um dos maiores sindicatos patronais do transporte do país, e professor na Antonio Meneghetti Faculdade.
Host do podcast Café com Tony, é criador de conteúdo reconhecido nacionalmente por suas entrevistas com grandes empresários do transporte, por contar a história de transportadoras relevantes no Brasil e e por sua capacidade de traduzir o o que acontece no mercado para a realidade das transportadoras.
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