Déficit leva Correios a discutir abertura de capital e buscar R$ 12 bilhões no mercado

Estatal acumula prejuízos desde 2022, contrata crédito com bancos públicos e privados e estuda nova captação em 2026

Redação

Os Correios colocaram em análise a possibilidade de abertura de capital como parte de um plano de reestruturação divulgado no fim de 2025. A proposta prevê a mudança do regime societário da estatal, hoje 100% pública, para um modelo de economia mista, com eventual entrada de acionistas privados. O objetivo é enfrentar os déficits acumulados desde 2022 e adequar a empresa ao ambiente competitivo do setor de logística.

Segundo o presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, a empresa aguarda as conclusões da consultoria contratada para avaliar alternativas de reestruturação. “Ainda não há nenhuma definição sobre o tipo de parceria que pode ser adotada. É preciso aguardar o resultado do estudo”, afirmou. De acordo com Rondon, a eventual mudança societária busca dar mais flexibilidade operacional e tecnológica à companhia, em um mercado cada vez mais pressionado por eficiência, inovação e concorrência privada.

O plano de reestruturação também prevê a racionalização da rede própria, com o fechamento de cerca de mil agências, além de um pacote de redução de despesas estimado em R$ 5 bilhões até 2028. As medidas incluem venda de imóveis e a implementação de dois Programas de Demissão Voluntária (PDVs), com a meta de reduzir o quadro de funcionários em aproximadamente 15 mil pessoas até 2027.

Leia mais:

Principais lideranças negam greve de caminhoneiros no próximo dia 4 de dezembro
Premiação Maiores do Transporte & Melhores do Transporte destaca líderes que movem a economia nacional
Transnordestina: a promessa é transformar a logística do Nordeste

Empréstimo para reforçar o caixa

Paralelamente às discussões sobre a reestruturação societária, os Correios contrataram um empréstimo de R$ 12 bilhões junto a cinco grandes bancos — entre eles Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Bradesco — com prazo de carência de três anos. Do total, R$ 10 bilhões serão desembolsados ainda em 2025, e os R$ 2 bilhões restantes estão previstos para janeiro de 2026.

De acordo com a presidência da estatal, os recursos serão utilizados para regularizar compromissos com fornecedores, assegurar o pagamento de benefícios aos empregados e manter a adimplência tributária. Mesmo com a operação de crédito, a empresa avalia a necessidade de captar cerca de R$ 8 bilhões adicionais ao longo de 2026 para recompor o equilíbrio financeiro.

“A necessidade de captação será avaliada ao longo de 2026. Vamos analisar se a melhor alternativa é um aporte do Tesouro Nacional ou uma nova operação de crédito. Essa composição ainda não está definida”, disse Rondon.

Déficit estrutural pressiona resultados

A reestruturação já era esperada diante da deterioração dos indicadores financeiros da estatal nos últimos anos. Segundo Rondon, os Correios enfrentam um déficit estrutural da ordem de R$ 4 bilhões por ano, associado principalmente aos custos da política de universalização dos serviços postais.

Em 2025, a companhia acumulou um resultado negativo de R$ 6 bilhões nos nove primeiros meses do ano e encerrou o período com patrimônio líquido negativo de R$ 10,4 bilhões, reforçando a urgência de medidas estruturais para garantir a sustentabilidade econômica da operação.

Fique por dentro de todas as novidades do setor de transporte de carga e logística:
Siga o canal da Transporte Moderno no WhatsApp
Acompanhe nossas redes sociais: LinkedInInstagram e Facebook
Inscreva-se no canal do Videocast Transporte Moderno

Veja também