O polo naval da Zona Franca de Manaus (ZFM) registrou um crescimento expressivo de 741% no faturamento em janeiro de 2025, comparado a dezembro de 2024, de acordo com o Painel Econômico do Amazonas (PEA), levantamento do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (CIEAM). Em relação a janeiro de 2024, a expansão foi de 405%, consolidando o setor como um dos mais dinâmicos da indústria amazonense no início do ano.
Esse avanço está diretamente ligado à crescente demanda do agronegócio do Centro-Oeste, impulsionada por uma safra recorde de grãos. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) estima que a produção de soja em 2025 alcance 164,4 milhões de toneladas, um aumento de 13,4% em relação ao ano anterior. Parte significativa dessa carga é transportada por balsas produzidas em Manaus, que percorrem os rios amazônicos até se conectarem com embarcações maiores para exportação.
“O polo naval da Zona Franca de Manaus demonstra a capacidade da indústria local em atender às demandas do mercado com agilidade, promovendo inovação logística e geração de empregos”, afirma Luiz Augusto Rocha, presidente do CIEAM.
Infraestrutura e impacto social
Atualmente, 14 estaleiros operam na região, com destaque para Bertolini e ERAM. Essas empresas fabricam embarcações essenciais para a navegação interior, abastecendo portos estratégicos como Super Terminais e Chibatão, além de atender armadores internacionais como Aliança e CMA-CGM.
A expansão da indústria naval também tem impacto direto no mercado de trabalho. O setor gera mais de 2,7 mil empregos diretos, com empresas investindo na capacitação de trabalhadores em cursos de soldagem naval no SENAI. “A atividade naval promove inclusão produtiva e geração de renda qualificada, além de enfrentar desafios como a seca na região”, destaca André Ricardo Costa, coordenador da área de Indicadores do CIEAM.
Produção adaptada
Os estaleiros de Manaus concentram sua produção em três tipos principais de balsas: para contêineres, grãos sólidos (como soja e milho) e grãos líquidos (como combustíveis). O crescimento do setor se deve à adaptação dessas embarcações às condições da região, especialmente durante os períodos de estiagem.
A seca de 2023 e 2024 reforçou a necessidade de embarcações de menor calado, capazes de operar com níveis reduzidos dos rios. Esse cenário impulsionou as encomendas e consolidou o polo naval manauara como um dos protagonistas da retomada industrial da região em 2025.