Na contramão do mercado, Volkswagen espera aumentar em 5% suas exportações de caminhões

A corrida às compras de caminhões Euro 5 no mercado mexicano e a retomada de volumes de vendas na Argentina, após a instalação da fábrica, devem puxar a demanda internacional da marca no segundo semestre

Enquanto a indústria nacional de caminhões espera uma queda de 9% nas exportações para 2024, a Volkswagen Caminhões e Ônibus (VWCO) vislumbra aumento de novos contratos de vendas para outros países, especialmente na América Latina. A expectativa da fabricante de origem alemã é que as vendas externas cresçam até 5% sobre as 8 mil unidades do ano passado.

Aline Feltrin

Enquanto a indústria nacional de caminhões espera uma queda de 9% nas exportações para 2024, a Volkswagen Caminhões e Ônibus (VWCO) vislumbra aumento de novos contratos de vendas para outros países, especialmente na América Latina. A expectativa da fabricante de origem alemã é que as vendas externas cresçam até 5% sobre as 8 mil unidades do ano passado.

Em entrevista ao portal Transporte Moderno, o diretor de vendas internacionais da Volkswagen Caminhões e Ônibus, Leonardo Soloaga, revelou dois fatores que devem impulsionar a demanda no segundo semestre. O primeiro é a recuperação dos volumes de vendas na Argentina, após o início das operações da fábrica em formato CKD (completely knocked down ou totalmente desmontado) para expandir sua presença em mercados internacionais. E o segundo é a antecipação das renovações de frota no México, devido à transição da motorização Euro 5 para Euro 6, que se tornará obrigatória em 2025, e encarecerá o preços modelos zero-quilômetro.

Em 2023, o México foi o principal destino de exportações da montadora, o que representou 30% das vendas externas. Por outro lado, a Argentina representou uma parcela menor devido às restrições de importações impostas pelo governo daquele país. “Este ano, com a nova fábrica, a situação mudou, e esperamos aumentar os volumes para lá.”

Pelos cálculos do diretor de vendas internacionais, esse ano o México terá uma representatividade um pouco menor, de 20% a 25% das vendas externas, enquanto a Argentina chegará a uma participação de 15%. No ano passado, o índice não passou de 5%. O restante da participação será dividida entre os demais países para onde a VWCO exporta.

“A Argentina está mais flexível quanto às regras de importação, e os volumes produzidos localmente nos permitem crescer e retornar aos níveis normais”, diz Soloaga. Historicamente, o país sempre foi o segundo ou terceiro maior mercado de exportações para VWCO, mas no ano passado importou menos que Uruguai, Peru e Chile. Atualmente, a fábrica da Argentina serve apenas o mercado local, mas o executivo revela que, no futuro, a fábrica se tornar uma segunda base de exportações para outros países da região.

Outro mercado importante para a VWCO é o Chile, que apresentará queda nos volumes, mas a companhia está trabalhando com os importadores para ganhar participação. “Com isso, esperamos manter nosso patamar de vendas no país”, revela o executivo. No Uruguai, a empresa prevê manter os mesmos resultados de vendas realizados em 2023.

Estratégia de internacionalização

Nos últimos dois anos, a Volkswagen reformulou sua estratégia de internacionalização. A empresa pretende aumentar sua participação nos mais de 30 países para onde exporta e abrir novos mercados, elevando de 15% e 20% para acima de 35% a parcela de produção da fábrica de Resende, no Rio de Janeiro, destinada à exportação. Para isso, a meta é fortalecer a presença não apenas na América Latina, mas também na África, Oriente Médio e sudeste asiático

A fábrica na Argentina, inaugurada para atender a demanda local, é um exemplo da expansão planejada. No local estão sendo montados dois caminhões da linha Delivery (9.170 e 11.180) e de dois da família Constellation (17.280 nas versões rígida e cavalo-mecânico), além do Volksbus (15.190 OD). A projeção inicial é de produção de 800 unidades neste ano, com capacidade para chegar a 2.700 veículos.

Além disso, o lançamento do modelo Meteor em diversos países da América Latina, como Uruguai, Paraguai, Argentina e Costa Rica, complementa a estratégia com um portfólio que atende todos os segmentos de mercado.

No Brasil, a Volkswagen Caminhões e Ônibus tem uma trajetória de 40 anos e, desde o início, as exportações foram parte crucial da sua estratégia de vendas. A empresa iniciou suas exportações em 1981, com destinos como Chile, Paraguai e Argentina. Em quatro décadas, exportou 180 mil veículos.

“Hoje temos a oportunidade de consolidar nossa presença nos países vizinhos e de outros continentes, com produtos que se adaptam a mercados similares o Brasil. Nessas regiões, os consumidores buscam mais custo-benefício do que produtos premium“, finaliza.

Além da oferta de produtos, a VWCO planeja expandir seus serviços de pós-venda internacionalmente, replicando a mesma estratégia do Brasil, onde conta com pontos de atendimento em todo o país. A companhia também passou a oferecer ferramentas de conectividade para os novos mercados.

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