Ferrovia

Shortline da Arauco vai retirar 190 caminhões por dia das rodovias e ampliar corredor de exportação

De Inocência (MS)— A Arauco lançou a pedra fundamental da primeira shortline ferroviária pós-marco regulatório, projeto que viabilizará o escoamento da produção do Projeto Sucuriú, em Inocência (MS), por ferrovia até o Porto de Santos.

O ramal, com 45 km de extensão, é considerado peça central da estratégia logística da companhia de origem chilena e deve reduzir o tráfego rodoviário em cerca de 190 viagens diárias de caminhões, além de ampliar a competitividade do Mato Grosso do Sul no corredor exportador.

A iniciativa representa um avanço logístico significativo para o empreendimento e para a competitividade da cadeia produtiva de celulose no Brasil, ao mesmo tempo em que se insere no novo arcabouço regulatório ferroviário. O evento também deu destaque para a atenção conquistada pelo estado do Mato Grosso do Sul e pela região, que vêm atraindo investimentos relevantes do governo federal e da iniciativa privada.

“A ferrovia nasceu junto com a fábrica. Ela não foi pensada como complemento, mas como parte do processo industrial. Aqui, os trens chegarão e partirão diretamente da planta, com carregamento em uma estrutura desenhada para máxima eficiência e segurança operacional”, afirmou Alberto Pagano, diretor de Logística e Suprimentos da Arauco Celulose Brasil, ressaltando a integração entre a ferrovia e o processo fabril.

O traçado contempla 45 quilômetros de linha férrea, além de 9 quilômetros dentro da fábrica, seguindo paralelamente às rodovias MS-377 e MS-240 até a conexão com a Rumo Malha Norte, em direção ao Porto de Santos (SP), por onde a carga será exportada.

O novo ramal foi projetado para operar com trens de até 100 vagões e escoar a produção diária de 11 mil toneladas de celulose — 3,5 milhões de toneladas/ano –, prevista para entrar em operação ao final de 2027, quando se espera a conclusão da construção da planta.

OTM Editora Pedra fundamental: primeiros seis metros do ramal ferroviário da Arauco, em Inocência (MS)

Um dos diferenciais do desenho operacional é que a ferrovia entrará diretamente no galpão de celulose, permitindo o carregamento mesmo em condições de chuva. Também será construída uma pera ferroviária, onde a locomotiva posicionará os vagões para abastecimento antes de retomar a composição e seguir para a conexão com a malha ferroviária existente, de onde a carga seguirá em direção ao corredor de exportação.

“Serão 721 vagões da Randon e 26 locomotivas da Wabtec em plena capacidade. Isso não são apenas números; é escala, previsibilidade, sustentabilidade e competitividade para o Brasil”, acrescentou Pagano, ao destacar que o projeto reduzirá cerca de 190 viagens de caminhões por dia nas rodovias, fortalecendo a segurança viária e diminuindo o desgaste da infraestrutura pública.

O lançamento da obra ocorre em um momento em que o Brasil mantém produção elevada de celulose e forte presença no comércio internacional. O país produz cerca de 25 milhões de toneladas por ano, mas consome aproximadamente 7 milhões, destinando o excedente — em torno de 18 milhões de toneladas — ao mercado externo. Nesse cenário, a expectativa da Arauco é que a shortline e a conexão direta com o Porto de Santos represente uma alternativa logística mais sustentável e competitiva do que a dependência exclusiva do transporte rodoviário.

“O que celebramos hoje não é apenas o começo da construção de uma ferrovia, mas uma decisão estratégica e uma visão de longo prazo. O Projeto Sucuriú já nasce conectado ao mundo”, afirmou Carlos Altimiras, presidente da Arauco Brasil.

Para ele, o empreendimento “se consolidou como o maior projeto de celulose do mundo implantado em etapa única”, desafiando tanto a indústria como a logística nacional. “A ferrovia é um dos pilares estruturantes do projeto. Ela amplia a capacidade logística do país, fortalece a integração com as malhas nacionais e cria condições reais para novos investimentos privados em infraestrutura”, disse Altimiras.

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Mato Grosso do Sul e integração nacional

Para o ministro dos Transportes, Renan Filho, a obra simboliza um avanço logístico ainda mais amplo. “Essa região já escoa parte da produção pelo Porto de Santos. O que muda agora é o ganho de eficiência: a ferrovia vai ampliar o volume gradualmente, mas reduzindo caminhões nas estradas e aumentando a segurança”, afirmou.

Segundo o ministro, a ferrovia representa “uma nova rota de desenvolvimento”. Ele anunciou que, ainda neste ano, o governo federal fará o leilão de revitalização da Malha Oeste, iniciativa que deverá reintegrar o Mato Grosso do Sul à malha ferroviária nacional. “A União vai aportar R$ 3 bilhões para recuperar essa linha. Essa ferrovia será uma rota estratégica para a celulose”, declarou Renan Filho, destacando o papel da infraestrutura para reduzir custos logísticos e ampliar a competitividade das exportações brasileiras.

“O Brasil produz 25 milhões de toneladas de celulose por ano e consome apenas sete milhões. Dezoito milhões são exportadas. Quanto mais distante do porto, maior a necessidade de infraestrutura. O Mato Grosso do Sul passa a ganhar competitividade logística para exportar”, acrescentou o ministro ao explicar a lógica de investimentos ferroviários e rodoviários integrados.

Para Eduardo Riedel, governador do Mato Grosso do Sul, a perspectiva é de transformação estrutural para o Estado: “A Malha Oeste deve ir a leilão ainda este ano com uma modelagem moderna. O trecho prioritário é Três Lagoas–Campo Grande, e há interesse privado também em conexões complementares com a Malha Paulista. Daqui a dez anos, o Mato Grosso do Sul será outro.”

Riedel também comentou os desafios imediatos gerados pelo crescimento acelerado. “Inocência vive as dores do crescimento. Uma cidade de nove mil habitantes recebendo dez mil trabalhadores gera pressão imediata, principalmente em habitação, além de saúde, educação e serviços”, disse, destacando esforços integrados entre governo estadual, União e iniciativa privada para mitigar gargalos urbanos e sociais.

“A logística define competitividade. Além da ferrovia, estamos investindo em acessos rodoviários e obras como duplicações, terceiras faixas e viadutos para suportar o fluxo crescente de cargas”, afirmou o governador, ao citar investimentos em pavimentação e infraestrutura que complementam o avanço ferroviário.

Projeto Sucuriú: engenharia, escala e integração

O gigantismo do Projeto Sucuriú, da Arauco, fica evidente nos números. O empreendimento ocupa 3.500 hectares de uma área da pequena cidade de Inocência (MS). As obras preliminares exigiram a movimentação de 5,5 milhões de metros cúbicos de terra na terraplanagem inicial e a construção de toda infraestrutura básica da planta antes do início das atividades industriais.

O avanço físico da obra está em 44%, com cerca de 9,2 mil trabalhadores atualmente no canteiro e previsão de pico de 14 mil empregos ainda em 2026. A produção está prevista para iniciar no final de 2027, com capacidade plena em 2028.

O complexo inclui um sistema hídrico com um reservatório de 110 mil m³ para captação de água de chuva e uma estação de tratamento com capacidade para 54 mil m³ armazenados e 12 mil m³ por hora tratados. A distribuição interna de água, gás e produtos químicos se dá por meio de cerca de 300 módulos de tubulação interligados.

A planta industrial terá duas linhas de fibras com dois digestores de 55 mil toneladas secas, 20 prensas para redução da umidade da polpa, três linhas de secagem e capacidade de produção de 11 mil toneladas por dia. A energia será gerada internamente, com capacidade de até 556 MW, e parte será exportada ao sistema elétrico, volume suficiente para abastecer uma cidade de cerca de 800 mil habitantes.

*A repórter viajou a Inocência (MS) a convite da Arauco Brasil.

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Futuro da Malha Sul entra na pauta e ANTT prepara nova concessão ferroviária

O futuro da Malha Sul ferroviária entrou no centro do debate público em Porto Alegre em um momento decisivo para o transporte de cargas e para a recuperação da infraestrutura afetada pelos eventos climáticos de 2024. A Agência Nacional de Transportes Terrestres – Antt apresentou ações em andamento, prestou contas à sociedade e detalhou os caminhos em construção para a próxima etapa da concessão ferroviária na região.

A Superintendência de Transporte Ferroviário (SUFER) da Antt participou do evento “Modal Ferroviário – Concessão Malha Sul”, promovido pela Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (FIERGS), reunindo representantes dos poderes Executivo e Legislativo dos três estados do Sul, do setor produtivo, do Ministério Público e da Secretaria Nacional de Transporte Ferroviário.

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Durante o encontro, Alessandro Baumgartner, superintendente de Transporte Ferroviário da Antt, apresentou as principais medidas adotadas pela Agência, com destaque para o trabalho contínuo de fiscalização e atuação da coordenação regional. O foco é assegurar a continuidade do serviço, o cumprimento dos contratos e a segurança das operações, especialmente em um cenário ainda marcado pelos impactos das chuvas extremas.

A Antt também reforçou sua participação técnica na formulação do novo modelo de concessão da Malha Sul, com o objetivo de estruturar contratos mais modernos, resilientes e alinhados às necessidades dos usuários, das comunidades e do setor produtivo, fortalecendo a previsibilidade e a segurança jurídica.

A presença da Agência no debate reflete a diretriz de gestão do Guilherme Theo Sampaio, diretor-geral da Antt, baseada em diálogo, transparência e foco nas pessoas. Segundo a Agência, as decisões regulatórias precisam considerar seus impactos diretos sobre o desenvolvimento regional, a competitividade logística e a geração de empregos.

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Randoncorp fecha contrato de R$ 770 milhões para fornecer vagões à Arauco

Randoncorp assinou um contrato estimado em R$ 770 milhões para o fornecimento de vagões ferroviários ao grupo chileno Arauco, destinados à operação da primeira fábrica de celulose da companhia no Brasil. O acordo deve impulsionar de forma relevante a receita da vertical Montadora da Randoncorp em 2026 e 2027.

Os vagões serão utilizados no escoamento da produção do Projeto Sucuriú, em Inocência (MS), um investimento de US$ 4,6 bilhões. A operação ocorrerá na malha da Rumo, que atua como interveniente no contrato. As entregas estão previstas para o período entre maio de 2026 e novembro de 2027.

A Arauco Brasil é uma multinacional presente nos negócios de madeira, painéis, celulose e energia limpa e renovável, atuando como uma das principais companhias florestais da América Latina. Com essa transação, a Randon fortalece a participação no segmento de vagões e reforça o posicionamento como principal fabricante de soluções para o transporte do Brasil. 

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A Arauco também obteve autorização para implantar um ramal ferroviário ligando a unidade industrial à Malha Norte da Rumo, com capacidade estimada para escoar até 3,5 milhões de toneladas de celulose por ano. A planta deve entrar em operação até o fim de 2027.

“Esse contrato contribui de forma relevante no desempenho da nossa vertical Montadora nos próximos dois anos, além de reforçar a trajetória de sucesso da Randon no mercado ferroviário e rodoviário de carga. Nossas equipes possuem amplo conhecimento técnico e experiência na produção de vagões ferroviários. Além disso, a Randon é referência no desenvolvimento e entrega de produtos para os maiores players logísticos”, destaca o Executive Vice President (EVP) América do Sul das verticais Autopeças e Montadora da Randoncorp, Ricardo Escoboza.

Ao longo de 76 anos, a Randon já fabricou mais de 13 mil vagões para os principais operadores ferroviários do Brasil e do exterior.

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Rumo garante R$ 2 bilhões do BNDES para construir 162 km de ferrovia

O BNDES aprovou financiamento de R$ 2 bilhões para a Rumo concluir a primeira etapa da Ferrovia Estadual de Mato Grosso (FMT). O trecho inicial terá 162 quilômetros e vai ligar Rondonópolis ao terminal ferroviário da BR-070, em Dom Aquino (MT). A conclusão das obras está prevista para o segundo semestre de 2026.

O apoio será viabilizado por meio da subscrição integral de debêntures, em emissão coordenada pelo próprio banco. A ferrovia integra um projeto mais amplo que prevê a implantação de cerca de 743 quilômetros de trilhos, divididos em cinco fases, conectando Rondonópolis a Lucas do Rio Verde, com um ramal para Cuiabá. Ao longo da execução, a estimativa é de geração de até 114 mil empregos.

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Voltada principalmente ao escoamento da produção agrícola, a FMT tem como foco ampliar a capacidade logística do Mato Grosso e captar uma parcela relevante do transporte de grãos, especialmente soja e milho. O projeto também prevê maior integração entre os modais rodoviário e ferroviário.

O terminal ferroviário próximo à BR-070 terá capacidade para movimentar até 10 milhões de toneladas de grãos por ano e deve entrar em operação junto com o primeiro trecho da ferrovia, em 2026.

Segundo o BNDES, a iniciativa contribui para a redução de custos logísticos, aumento da competitividade da produção brasileira e menor pressão sobre as rodovias. Para a Rumo, o investimento reforça a estratégia de expansão da malha ferroviária e de conexão eficiente do agronegócio aos mercados internos e externos.

A operação integra a estratégia de funding da companhia, que em 2025 realizou três emissões de debêntures incentivadas, totalizando R$ 4,8 bilhões, destinadas a projetos ferroviários no Mato Grosso e na Malha Paulista.

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Transnordestina deverá chegar ao Porto do Pecém em 2027, diz executivo de concessionária

A ferrovia Transnordestina, gerida pela concessionária TLSN (Transnordestina Logística S.A.), deve chegar ao Porto do Pecém (CE) no segundo semestre de 2027, abrindo um novo capítulo para o transporte de cargas no Nordeste. A primeira fase da operação comissionada terá início ainda neste mês de outubro, com testes de transporte de soja, milho, farelo de soja e calcário entre Bela Vista do Piauí (PI) e Iguatu (CE).

Alex Augusto Sanches Trevisan, diretor comercial e terminais da Transnordestina, disse à reportagem do portal Transporte Moderno, no Congresso SAE Brasil 2025, que o objetivo dessa fase é testar a infraestrutura, o material rodante e os fluxos de carga, preparando a ferrovia para a operação plena. “O comissionamento vai ser feito nos terminais de Bela Vista e Iguatu, atendendo principalmente os fluxos de ração e granjas na região, que possui um rebanho significativo de gado leiteiro”, explicou Trevisan.

A ferrovia terá seis terminais ao longo dos 1.750 km, com dois já em obras e os demais a serem definidos. Entre eles estão Eliseu Martins, no Piauí, terminal certo para operação e atendendo a demanda regional de grãos; Trindade, em Pernambuco, voltado ao polo gesseiro, com transporte de gesso agrícola e gipsita; Xerémubim, no Ceará, projeto privado já em licenciamento; e o Terminal Portuário NELOG, em em Pecém (PSEM), destinado a minérios, grãos, fertilizantes e carga geral.

Trevisan ressalta que “a ferrovia será capaz de agregar outras cargas, como combustíveis, fruticultura e derivados de milho, aumentando o volume de carga geral transportada e tornando o modal ferroviário mais competitivo na matriz logística do país.”

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Investimentos de R$ 15 bilhões

O projeto da Transnordestina conta com R$ 15 bilhões em investimentos, dos quais R$ 4,4 bilhões são do Governo Federal. Parte do financiamento vem do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE), que prevê desembolsos de até R$ 1 bilhão por ano até 2027, garantindo a conclusão da primeira fase e o alcance do Porto do Pecém.

Segundo Eduardo Tavares, secretário de Fundos e Instrumentos Financeiros do MIDR, a chegada ao Pecém permitirá “uma nova escala logística, com mais oportunidades de expansão, como o Porto de Suape, em Pernambuco, e a interligação com a Ferrovia Norte-Sul.

A ferrovia promete transformar a logística regional, reduzindo custos e tempo de transporte para produtores de grãos, gesso, fruticultura e derivados de petróleo. Além disso, a Transnordestina deve gerar um crescimento estimado de R$ 7 bilhões por ano no semiárido nordestino, em sinergia com obras de irrigação e segurança hídrica, como a Transposição do Rio São Francisco.

A promessa é que, com a chegada ao Porto do Pecém, a Transnordestina se posicione como um eixo estratégico para o escoamento de cargas do Nordeste para exportação. O resultado será o fortalecimento o agronegócio local, atraindo investimentos e consolidando o transporte ferroviário como alternativa eficiente e competitiva frente ao modal rodoviário.

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Ministro defende uso de recursos do Fundo da Marinha Mercante em ferrovias portuárias

O ministro de Portos e Aeroportos (MPor), Silvio Costa Filho, defendeu nesta quarta-feira (1º) a aplicação de recursos do Fundo da Marinha Mercante (FMM) em projetos ferroviários que atuem nas poligonais dos portos brasileiros. A declaração foi feita na abertura da 9ª edição do evento Brasil nos Trilhos, dedicado ao transporte de cargas pelo modal ferroviário.

Segundo o ministro, a medida deve ampliar o escoamento da produção nacional pelos portos, estimulando investimentos em ferrovias que operam nas áreas geográficas portuárias.

“Hoje, 70% do Fundo da Marinha Mercante são destinados à navegação. Já assinamos quase R$ 25 bilhões para navegação e R$ 10 bilhões para o setor portuário. Mas o fundo tem recursos suficientes para apoiar também projetos de ferrovias que estão na poligonal de portos. Isso é uma forma de estimular as ferrovias que estão operando em portos brasileiros”, afirmou.

Costa Filho explicou que prepara uma proposta de modelo para incluir esses projetos, que será apresentada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A medida depende ainda da autorização do Conselho Diretor do FMM, órgão colegiado presidido pelo secretário de Navegação do MPor.

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Aumento do escoamento da produção

O ministro projetou que, com as ferrovias fortalecendo as operações portuárias, será possível aumentar em 30% o escoamento da produção brasileira. Ele também destacou um investimento recente de R$ 1,7 bilhão no Amazonas, proveniente do FMM, destinado à construção de 188 barcaças. Desde 2023, o fundo priorizou R$ 70 bilhões em projetos, volume três vezes superior ao aprovado entre 2019 e 2022.

Além das ferrovias, Costa Filho defendeu a prioridade na utilização de recursos para o setor hidroviário, integrando hidrovias, ferrovias e rodovias em um sistema logístico mais eficiente. “Vamos fazer a primeira concessão de hidrovias, que é a hidrovia do Paraguai, estratégica para o desenvolvimento da América do Sul. Quando temos a hidrovia, conseguimos reduzir o custo logístico em 40%, além de gerar ganhos ambientais: a cada dez barcaças, estamos retirando mil caminhões das rodovias”, afirmou.

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VLI e Tereos realizam operação ferroviária de açúcar com compensação de carbono

A VLI, empresa de soluções logísticas que atua em ferrovias, portos e terminais, e a Tereos, produtora de açúcar, etanol e energia, realizaram uma operação ferroviária de transporte de açúcar com compensação de carbono no Brasil.

Segundo as empresas, trata-se da primeira do país. A movimentação ocorreu em setembro, entre o Terminal Integrador Guará, em São Paulo, e o Terminal Integrador Portuário Luiz Antonio Mesquita (Tiplam), na Baixada Santista. As empresas agora vão avaliar os resultados da operação pioneira para definir próximos passos.

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A VLI iniciou suas atividades no mercado de créditos de carbono em 2023 por meio do SemC (Sem Carbono), projeto desenvolvido em programas de intraempreendedorismo da companhia. A iniciativa permite que as operações ferroviárias sejam compensadas com base nas emissões registradas em documentos das concessionárias.

O transporte de açúcar entre VLI e Tereos já possui histórico de investimentos significativos. Em novembro de 2020, as empresas inauguraram armazéns no Tiplam e no Terminal Integrador de Guará, com aporte conjunto de R$ 205 milhões e capacidade para 240 mil toneladas. O Corredor Sudeste da VLI liga o Centro-Oeste ao Porto de Santos, facilitando o escoamento da produção.

Em 2025, a parceria bateu um recorde operacional com o embarque de 70 mil toneladas de açúcar VHP em um único navio com destino à China.

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Estamos chegando ao limite operacional e à inviabilidade econômica do modelo vertical nas ferrovias, diz consultor da ABIFER

O Frotas Conectadas abriu espaço na programação para o debate em torno da intermodalidade. No centro da discussão, a ferrovia ganhou protagonismo na fala do consultor técnico da ABIFER – Associação Brasileira da Indústria Ferroviária, Claudio Sawczen.

“Como todos sabem, as modalidades de transporte são complementares. Não existe uma única solução ideal. É a soma das especificidades de cada modal que permite reduzir o famoso Custo Brasil e, com isso, fazer uma cadeia logística cada vez mais eficiente e competitiva neste mundo globalizado em que vivemos hoje”, afirmou.

A importância da ferrovia na matriz de transporte pode ser expressa em números: trata-se de um segmento com mais de 80 anos de história, que reúne mais de 70 empresas e gera 66 mil empregos, com um faturamento anual de R$ 7 bilhões. Nos últimos 20 anos, foram R$ 26 bilhões em exportações. Só nos últimos 10 anos, o setor recebeu R$ 6 bilhões em investimentos. Atualmente, o país conta com mais de 700 mil metros quadrados de área construída, considerando instalações industriais com capacidade produtiva disponível e centros de distribuição.

“A defesa é pela expansão da malha ferroviária tanto de cargas como de passageiros. Obviamente, houve um encolhimento da operação com a privatização nos anos 1990, porque tínhamos trechos que, economicamente, não faziam sentido para a operação privada. Agora, temos uma aceleração realmente importante de projetos. Ou seja, não há problema em responder a demandas. A indústria está preparada e é plenamente capaz de atender à intensa demanda por expansão da ferrovia no país”, comentou Sawczen.

Segundo ele, a ABIFER aposta na expansão do modal ferroviário tanto para cargas quanto para passageiros porque o Brasil conta com diversos fabricantes de material rodante e tecnologias associadas à operação ferroviária. O país, inclusive, exporta equipamentos, como modernas locomotivas, para países referência em transporte ferroviário.

O consultor detalhou ainda que, devido aos ciclos econômicos do país e às prioridades de investimentos definidas pelas sucessivas gestões públicas, houve uma queda significativa na produção de equipamentos ferroviários desde 2011.

“Hoje, temos uma ociosidade de 85% na produção de vagões e de 70% em locomotivas. No entanto, identificamos um crescimento constante e a valorização do modal como estratégico para a logística nacional. As novas concessões também vêm trazendo investimentos importantes. Este é o momento ideal para integrar a ferrovia às operações logísticas, porque é agora que o modal começa a ganhar tração”, destacou.

Intermodalidade

Ao abordar a intermodalidade, Sawczen fez questão de desmistificar a ideia de que as ferrovias foram abandonadas em favor das rodovias. “Isso não é verdade. O que ocorreu foi que, na época das estatais, a ferrovia não se atualizou. Eram empresas com graves deficiências operacionais, que geravam prejuízos recorrentes e, por isso, não atraíam investimentos. Sem recursos, infelizmente, a ferrovia ficou para trás. Perdeu eficiência logística, o país se modernizou e o caminhão absorveu essa demanda. Hoje, o cenário é outro: o caminhão já está chegando ao seu limite logístico, de capacidade de transporte, e é aí que entra a retomada da ferrovia como instrumento logístico integrado a qualquer outro modal.”

Ele lembrou ainda que, em outros países, a ferrovia é utilizada não apenas para o transporte ponto a ponto, como no Brasil, mas como eixo central da logística nacional. A lógica é deixar os grandes volumes para a ferrovia nos longos percursos e utilizar os caminhões para o last mile. “É o caso do Ferrogrão, que ainda não existe, mas que pretende ligar o Mato Grosso ao Pará. Hoje, todo esse trajeto é feito por caminhão, o que não faz sentido.”

Para Sawczen, há uma oportunidade real de mudança na matriz de transporte do país, que ainda é bastante distorcida: 60% rodoviário, 27% ferroviário, 12% cabotagem/aquaviário e apenas 1% aéreo/outros. “Entendemos que rodoviário e ferroviário deveriam ser, no mínimo, equivalentes, considerando as dimensões continentais do Brasil.”

Desafios e oportunidades

Na visão do consultor, infraestrutura e burocracia seguem como entraves importantes ao avanço do modal ferroviário. “Boa parte da nossa malha precisa ser recuperada ou eventualmente desativada, se a demanda por investimento exceder a lógica do negócio. Esse é um verdadeiro calcanhar de Aquiles”, afirmou.

Outro ponto abordado foi o impacto do modelo vertical de operação hoje vigente no país. “O modelo vertical foi essencial no início da privatização, quando a malha estava debilitada e era necessário que grandes grupos assumissem a operação regionalmente. Eles foram responsáveis por recuperar mais de 30 anos de atraso e tornar a malha viável economicamente. No entanto, estamos chegando ao limite operacional e, em alguns casos, à inviabilidade econômica desse modelo, no qual o dono da via é também o operador ferroviário.”

Segundo Sawczen, é hora de repensar o modelo. “Precisamos olhar para as malhas que não estão funcionando efetivamente sob o modelo vertical e desenvolver um novo arranjo. Nossa proposta, dentro da ABIFER e do Instituto de Engenharia, é testar uma nova abordagem em malhas inoperantes, adotando um modelo ‘horivertical’, uma combinação entre os modelos vertical e horizontal. Nesse formato, a diferença fundamental é que a empresa que administra a via não seria a mesma que opera os trens, evitando conflitos de interesse, como o bloqueio de slots para novos operadores.”

Ele comparou com o modelo rodoviário: “A rodovia é responsabilidade da concessionária, que cuida da infraestrutura e a disponibiliza para os operadores logísticos circularem com seus caminhões. A ideia é que a ferrovia funcione da mesma forma: uma empresa administra e mantém a malha e libera slots para que diferentes operadores possam atuar.”

Por fim, Sawczen reforçou a importância da modernização. “Defendemos a adoção de tecnologias mais eficientes, o uso de inteligência artificial para ampliar a capacidade logística e aumentar a eficiência operacional da ferrovia. A partir do momento em que tivermos via, operadores e tecnologia bem estruturados, a expansão da malha se tornará inevitável — e o ciclo positivo se retroalimentará. Assim, teremos uma ferrovia mais eficiente, capaz de reduzir o Custo Brasil e aumentar a nossa competitividade”, concluiu.

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Nova ferrovia conecta Paulínia a Rondonópolis e fortalece agro do Centro-Oeste

A Ultracargo, empresa de soluções logísticas e armazenagem de granéis líquidos, finalizou a construção de um desvio ferroviário que liga o terminal da Opla, em Paulínia (SP), ao terminal operado pela empresa em Rondonópolis (MT). O projeto conecta dois polos estratégicos na cadeia de combustíveis e biocombustíveis, permitindo o transporte de etanol de milho produzido no Centro-Oeste para o Sudeste, e o envio de derivados de petróleo no sentido inverso.

Com 4,4 quilômetros de extensão, o desvio tem 14 posições de carga e 28 de descarga. A operação será feita por trens com até 80 vagões, carregados nos dois sentidos. A estrutura possui capacidade de armazenagem estática de 180 mil metros cúbicos e foi projetada para movimentar até 6 milhões de metros cúbicos por ano — metade de etanol e metade de derivados.

O investimento na nova estrutura foi de aproximadamente R$ 200 milhões, iniciado em 2023. A operação está conectada à malha ferroviária da Rumo.

Etanol de milho cresce no Centro-Oeste e demanda nova infraestrutura

A produção de etanol de milho no Brasil tem crescido nos últimos anos, especialmente no Mato Grosso. De acordo com o IMEA (Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária), a produção nacional do biocombustível aumentou cerca de 30% na safra 2024/25, passando de 6,3 para 8,2 milhões de metros cúbicos. O Mato Grosso respondeu por 6,70 bilhões de litros de etanol, sendo 5,62 bilhões produzidos a partir do milho.

A ampliação da infraestrutura logística é considerada essencial para acompanhar esse crescimento. “Nosso papel é oferecer soluções integradas com foco em eficiência, segurança e sustentabilidade”, afirma Fernando Dihel, diretor executivo de desenvolvimento de negócios da Ultracargo.

Desvio reduz emissão de CO₂ no transporte de combustíveis

A adoção do modal ferroviário no trecho entre Paulínia e Rondonópolis permite redução nas emissões de gases de efeito estufa. A substituição de carretas por trens pode reduzir em até 35% a emissão de CO₂, o que equivale a 51 mil toneladas a menos por ano, segundo a empresa. Também há ganhos na redução da circulação de caminhões em longas distâncias, o que diminui o desgaste de rodovias e o impacto ambiental.

“Investir em logística ferroviária é uma forma de apoiar o crescimento do agronegócio com menor impacto ambiental e maior eficiência operacional”, afirma Fulvius Tomelin, presidente da Ultracargo.

Expansão de terminais e rotas multimodais até 2025

O desvio em Paulínia integra um plano de expansão logística da empresa. Estão previstas, ainda em 2025, a entrega de um novo trecho ferroviário e a ampliação da capacidade de armazenagem em Rondonópolis, além da expansão do terminal de Santos (SP) e da inauguração do terminal de Palmeirante (TO), no Arco Norte.

“Nossa estratégia é integrar modais e otimizar rotas logísticas em corredores que ligam regiões produtoras e consumidoras”, diz Tomelin.

A Ultracargo opera terminais de granéis líquidos em Paulínia (SP), Rondonópolis (MT), Santos (SP), Rio de Janeiro (RJ), Aratu (BA), Suape (PE), Itaqui (MA) e Vila do Conde (PA). Atua na movimentação de combustíveis, biocombustíveis, químicos, petroquímicos e óleos vegetais. A empresa também detém 50% da Opla, terminal de etanol em Paulínia, e iniciará operação em Palmeirante (TO) em 2025.

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ANTT promove reunião setorial de ferrovias para debater modernização regulatória e atrair investimentos

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) realiza no próximo dia 9 de junho, em Brasília, a primeira reunião setorial de ferrovias. O encontro, promovido em parceria com o P3C – PPPs e Concessões e com a Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF), reunirá autoridades, especialistas, investidores e representantes do setor para discutir os principais desafios e oportunidades das concessões ferroviárias no Brasil.

O objetivo é fortalecer o ambiente regulatório, promover segurança jurídica e impulsionar novos investimentos no transporte ferroviário, com foco em modernização, eficiência e competitividade. Para o diretor-geral da ANTT, Guilherme Theo Sampaio, o evento representa um passo importante na missão de conectar o país sobre trilhos de forma segura e sustentável. Ele estará presente ao lado dos diretores Felipe Queiroz e Lucas Asfor, do procurador-geral da agência, Milton Carvalho Gomes, do superintendente de concessões Marcelo Fonseca e do gerente de regulação ferroviária Fernando Feitosa.

A programação começa às 9h, com debates sobre matriz de risco em contratos, mecanismos de reequilíbrio, gestão contratual, autorregulação e a possibilidade de criação de um novo Regulamento de Concessões Ferroviárias (RCF). As discussões vão até o fim da tarde e servirão como base para o P3C Nacional, o maior evento do país dedicado a parcerias público-privadas e concessões.

Segundo a ANTT, modernizar os contratos e aprimorar os marcos regulatórios é essencial para garantir um setor ferroviário mais eficiente e preparado para atender às crescentes demandas logísticas do país.

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