Depois de um ano excepcional para o mercado de caminhões usados, as vendas do segmento iniciaram 2026 em ritmo mais fraco. Segundo dados da Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto), foram 29.025 caminhões usados vendidos em janeiro, volume 28,5% inferior ao registrado no mesmo mês de 2025, quando o setor alcançou 40.568 unidades.
Na comparação com dezembro, a retração foi de 15,1%, refletindo um início de ano tradicionalmente mais lento para o comércio automotivo, impactado por fatores sazonais, férias, recesso industrial e menor ritmo de tomada de decisão por parte de transportadores e empresários do setor logístico.
Apesar da queda, a Fenauto avalia que o desempenho segue dentro do esperado, especialmente após o forte crescimento observado ao longo do ano passado. “O resultado já era esperado. Tivemos um desempenho excepcional em 2025. É natural que o mercado passe por essa estabilização no período que antecede o Carnaval. Mesmo com um calendário desafiador em 2026, que inclui Copa do Mundo e eleições — eventos que tradicionalmente alteram o ritmo do comércio —, estamos confiantes na continuidade dos bons negócios”, afirma Everton Fernandes, presidente da Fenauto.
Leia mais:
Nova regra do frete: entenda o cálculo do piso mínimo
Urubatan Helou, diretor-presidente da Braspress:“O transporte fracionado exige uma sofisticação de gestão que poucos conseguem sustentar”
Mercosul–UE: o que o acordo muda na estratégia das montadoras de caminhões no Brasil
Predominância de pesados
O ranking dos caminhões usados mais vendidos em janeiro reforça a predominância de modelos pesados, voltados ao transporte rodoviário de longa distância e às operações logísticas de maior porte. O Volvo FH liderou as vendas, com 2.291 unidades comercializadas, o que corresponde a 7,9% de participação no mercado. Na segunda posição aparece o Ford Cargo, com 1.886 unidades vendidas e 6,5% de participação. Em terceiro lugar ficou o Ford F-4000, com 1.070 unidades, representando 3,7% do total, seguido pelo Mercedes-Benz Axor, que somou 990 unidades e 3,4% de participação. O Mercedes-Benz Atego completa o grupo dos cinco mais vendidos, com 924 caminhões comercializados, equivalente a 3,2% do mercado.
Na sequência aparecem o Mercedes-Benz 1113, com 836 unidades e 2,9% de participação, o Mercedes-Benz 1620, com 667 unidades e 2,3%, o Mercedes-Benz Actros, com 608 unidades e 2,1%, o Volvo VM, com 594 unidades e 2,0%, e o Mercedes-Benz 710, que fecha o ranking dos dez mais vendidos, com 593 unidades, representando 2,0% do total negociado no mês.
O desempenho mais contido no início de 2026 ocorre na esteira de um ano recorde para o mercado de veículos comerciais usados, impulsionado pela busca por alternativas mais acessíveis ao caminhão zero-quilômetro, cujos preços seguem elevados, pela necessidade de renovação de frotas, especialmente entre pequenos e médios transportadores, e pelo aquecimento do transporte rodoviário de cargas, favorecido pela expansão do agronegócio, do e-commerce e da atividade industrial.
Esse contexto fez com que 2025 encerrasse com volumes historicamente elevados, criando uma base estatística mais forte para comparação. Para Fernandes, a retração observada em janeiro não sinaliza reversão de tendência, mas sim um ajuste natural do mercado. “O setor vem de uma sequência muito positiva. Esse movimento de acomodação é saudável e não compromete as perspectivas para o restante do ano”, afirma.
Ano de resultados consistentes
Apesar das incertezas macroeconômicas, do cenário fiscal e do calendário político e esportivo, a Fenauto mantém uma visão construtiva para 2026. A expectativa é que, superado o primeiro trimestre, o mercado volte a ganhar tração, impulsionado pela retomada gradual dos investimentos logísticos, pelo crescimento do agronegócio e pela demanda estrutural do transporte rodoviário no país.
“O desempenho alcançado pelo mercado de usados nos últimos anos projeta um ano de resultados consistentes para os lojistas em todo o país, inclusive no segmento de caminhões”, diz Fernandes. Segundo ele, o setor de caminhões usados deve continuar desempenhando papel estratégico na renovação da frota nacional, cuja idade média permanece elevada, funcionando como elo intermediário na cadeia de substituição de veículos e contribuindo, inclusive, para estimular as vendas de caminhões novo
Fique por dentro de todas as novidades do setor de transporte de carga e logística:
Siga o canal da Transporte Moderno no WhatsApp
Acompanhe nossas redes sociais: LinkedIn, Instagram e Facebook
Inscreva-se no canal do Videocast Transporte Moderno



