Izabel Reis, diretora da Azul Cargo: “Garantir que investimentos em infraestrutura não se traduzam em aumento de tarifas é o desafio da carga aérea”

Para a executiva, a evolução dos aeroportos é necessária, mas pressiona tarifas e a competitividade do modal no Brasil

Valeria Bursztein

Com operação baseada majoritariamente no uso de porões de aeronaves de passageiros e uma malha que permite atender mais de 5 mil municípios por meio de combinações logísticas, a Azul Cargo estrutura sua estratégia a partir da capilaridade da frota e da integração entre modais. 

Em entrevista à Transporte Moderno, Izabel Reis, diretora da Azul Cargo, detalha onde estão os ganhos de eficiência da operação, o papel dos cargueiros dedicados, a relevância de cargas de maior valor agregado e os desafios de infraestrutura e sustentabilidade para o avanço do transporte aéreo no Brasil.

Transporte Moderno – A carga aérea deixou de ser apenas uma solução emergencial para se tornar parte estrutural das cadeias logísticas. Onde estão hoje os principais ganhos de eficiência operacional na carga aérea: na frota, na malha, na digitalização dos processos ou na integração com operadores logísticos e embarcadores?

Izabel Reis – Na Azul, que possui a maior capilaridade do Brasil, a eficiência está principalmente na frota, que permite alcançar aeroportos onde a concorrência não consegue operar. 

A nossa malha aérea possibilita atender diversas cidades e, por meio de combinações logísticas, chegamos a mais de 5 mil municípios no país, sendo mais de 2 mil com prazos de entrega de até dois dias. Isso só é possível com investimentos contínuos em infraestrutura, tecnologia e inovação.

Transporte Moderno – Como a empresa equilibra o uso de belly cargo em aeronaves de passageiros com a operação de aviões cargueiros dedicados, especialmente em um cenário de pressão por custos e otimização de capacidade?

Izabel Reis – Temos uma oferta muito elevada de belly cargo e, em média, cerca de 80% da nossa carga é transportada nessa modalidade. Os cargueiros entram como complemento importante da operação, permitindo maior capacidade, atendimento a destinos fora da malha de passageiros e o transporte de produtos específicos para aeronaves cargueiras. Esse equilíbrio é feito sempre considerando demanda e custos operacionais.

Transporte Moderno – Serviços especializados, como carga farmacêutica, alto valor agregado e operações time-critical, tendem a ganhar mais espaço. Esses nichos já são decisivos para a rentabilidade da operação aérea?

Izabel Reis – O transporte aéreo de cargas sempre esteve mais associado a produtos de maior valor agregado e com exigências operacionais mais rigorosas. Com a ampliação do transporte de termolábeis, sensíveis à variação de temperatura, foi necessário investir ainda mais em especificações técnicas e controles, o que eleva custos e, consequentemente, as tarifas. Esses fatores são determinantes nas análises de rentabilidade da operação.

Transporte Moderno – A infraestrutura aeroportuária brasileira hoje ajuda ou limita o avanço da logística aérea? Onde estão os principais gargalos?

Izabel Reis – A infraestrutura aeroportuária passou a dar mais atenção às condições do transporte aéreo doméstico de cargas. Os principais aeroportos estão evoluindo e investindo, o que é positivo. 

O ponto de atenção é garantir que esses novos investimentos não se traduzam em aumento excessivo de tarifas para os clientes, de forma que os serviços continuem acessíveis.

Transporte Moderno – Em um ambiente de maior eficiência do transporte marítimo e rodoviário, como o modal aéreo pretende manter sua competitividade sem perder margem?

Izabel Reis – O modal aéreo representa hoje menos de 5% do total dos modais utilizados para transporte e logística no país. Ainda assim, há muitas oportunidades, seja por eficiência, prazos, custos ou modelo operacional. 

Assim como os modais rodoviário e marítimo vêm passando por processos de modernização, o transporte aéreo também evolui continuamente em sistemas, estruturas e inovação.

Transporte Moderno – Sustentabilidade deixou de ser discurso e virou custo. Como a companhia está lidando com SAF, metas ambientais e pressão regulatória?

Izabel Reis – A sustentabilidade é tratada de forma ampla pela Azul. A capilaridade da companhia contribui para o desenvolvimento das cidades e a geração de empregos, além de promover equidade no acesso a produtos e prazos.

Também trabalhamos em projetos sustentáveis, como o Movimento ARA – Todas as Amazônias sob o Mesmo Céu Azul –, que conecta produtores da Amazônia Legal a mercados de todo o país, reduzindo barreiras logísticas e ampliando oportunidades para empreendedores da região, que antes enfrentavam custos elevados de transporte para escalar seus negócios.

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