A gigante chinesa Sany deu um passo decisivo na expansão de seus negócios no Brasil com o lançamento de sua linha de caminhões urbanos e rodoviários, elétricos e a diesel, marcando a entrada oficial da marca em um dos mercados mais competitivos do mundo. Os primeiros modelos chegam importados pelo porto de Vitória (ES), aproveitando a infraestrutura Ro-Ro, enquanto a empresa avança no projeto de instalação de sua fábrica em Jacareí (SP).

“Estamos dando um passo enorme ao lançar no Brasil caminhões elétricos e diesel, veículos preparados para entregar performance, economia e eficiência”, afirma Dieter Lommer, diretor de Marketing e Vendas Internacionais da Sany Brazil. “Não estamos trazendo apenas tecnologia de ponta, mas uma mudança de patamar: é a entrada definitiva de uma nova força no transporte pesado.”
A Sany está presente no Brasil há 15 anos, com forte participação nos mercados de construção, guindastes, mineração e equipamentos portuários — incluindo soluções autônomas. Agora, inicia uma nova etapa.
“Estamos muito otimistas. Não somos apenas mais uma montadora: somos a número 1 do mundo em caminhões elétricos”, destaca Alex Xiao, presidente da Sany Brazil.
“Em 2026 teremos novos projetos, mais produtos e uma expansão consolidada da marca no mercado brasileiro.”
Capacidade industrial e o plano para produzir no Brasil
A Sany detém a maior estrutura fabril do mundo dedicada à produção de caminhões elétricos, com um pesado saindo da linha de montagem a cada seis minutos. A meta agora é replicar parte dessa capacidade no Brasil.

Segundo Xiao, a fábrica deve ser confirmada em Jacareí (SP). “Teremos uma fábrica na região Sudeste. Dependemos apenas do licenciamento ambiental e esperamos anunciar em breve o início das obras”, afirma.
O plano industrial prevê, além dos caminhões pesados, a montagem de equipamentos da linha amarela — área em que a Sany tem forte presença global — e, em uma etapa posterior, a produção de caminhões sanitários elétricos para grandes cidades. “A eletrificação traz benefícios ambientais e também ao cidadão, reduzindo drasticamente o nível de ruído nas operações urbanas”, destaca.
A empresa anunciou que, além dos cavalos mecânicos elétricos pesados, chegarão ao Brasil versões menores voltadas aos centros urbanos. “Teremos modelos de 3,5 toneladas e 11 toneladas”, adianta Lommer.
O preço dos pesados fica entre R$ 1,6 milhão e R$ 1,9 milhão, enquanto os light trucks devem ser vendidos na faixa de R$ 470 mil a R$ 480 mil. Para longas distâncias, a Sany prepara o lançamento do modelo 636, com autonomia acima de 450 km em 2025, e projeta para 2027 um caminhão elétrico nacional com 800 km de alcance.

A rede de vendas também terá um modelo próprio de operação. “Queremos que todos os concessionários funcionem como eletropostos. Além disso, teremos showrooms com carregadores espalhados por São Paulo”, afirma Lommer. A abordagem é parte da estratégia de entrada estruturada: começar por operações dedicadas, ampliar a autonomia e, em seguida, disputar diretamente o mercado diesel.
Diesel segue na estratégia, mas a aposta é 100% elétrica
Embora a Sany apresente também modelos a diesel — equipados com motores da alemã DEUTZ, fruto de joint venture — o foco do investimento não deixa dúvidas.
“Cem por cento da nossa verba de P&D vai para o desenvolvimento do elétrico”, afirma Lommer. “Somos líderes em caminhões pesados elétricos na China há quatro anos e abaixo de 300 km simplesmente não há como um diesel competir. O operacional é muito mais caro.”
Para o executivo, a virada econômica acontece em pouco tempo:
“O elétrico tem CAPEX maior, mas OPEX muito mais baixo. Em 18 meses, no máximo 24, ele empata com o diesel. Em quatro anos, já se pagou uma vez. E ao fim de oito anos ainda mantém 85% da bateria.”
A Sany também trabalha com a segunda vida das baterias — utilizadas como sistemas BESS (armazenadores estacionários) — prática já consolidada na China.
Estratégia de eletrificação
Com atuação em construção, mineração, guindastes, energia e logística, a Sany investe globalmente quase US$ 1 bilhão por ano em P&D, com foco claro em descarbonização e eletrificação.
Na China, a marca já superou as 20 mil unidades vendidas de caminhões elétricos em 2020, consolidando liderança absoluta no segmento. Dados da empresa mostram que um caminhão pesado elétrico da Sany permite economia de 52,5 mil litros de diesel ao ano e reduz 138 toneladas de CO₂.
Um dos modelos mais avançados rompeu a barreira de 800 km de autonomia, feito reconhecido pelo Guinness. Outro destaque é a mini estação SY312, sistema que permite a troca de baterias em menos de cinco minutos, solução que reduz paradas e aumenta produtividade.
“Estamos trabalhando de ponta a ponta, desde infraestrutura com painéis fotovoltaicos, sistemas BESS e estações de carregamento rápido”, afirma Lommer.
Primeiros clientes brasileiros
Antes do lançamento oficial, a Sany submeteu seus caminhões a um programa intensivo de testes em condições reais. Subindo a serra do Porto de Santos até Paulínia, os modelos foram avaliados em cenários exigentes de operação.
A G-Log confirmou a compra de cinco unidades — quatro do modelo 437 Super e um 588. “A empresa foi uma das pioneiras a apostar na performance e na viabilidade operacional dos pesados elétricos”, diz Lommer.
Ofensiva financeira para destravar vendas
Para reforçar sua entrada no país, a empresa acaba de lançar o Banco Sany, aprovado pelo Banco Central em maio. “É um marco enorme para a Sany no Brasil”, afirma Daniel Coimbra, CEO da nova instituição. “A ideia nasceu em 2023 para viabilizar a expansão da companhia. Estamos finalizando o sistema core e em 2026 rodaremos as primeiras operações.”

O banco focará exclusivamente no financiamento de máquinas, equipamentos e veículos Sany, ofertando CDC e taxas pré e pós-fixadas. “O momento de juros é duro, mas igual para todos. A expectativa é positiva: o mercado está mais aberto para o equipamento elétrico, que tem retorno certo no longo prazo”, explica Coimbra.
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