A implementação da Reforma Tributária deverá provocar mudanças no planejamento das cadeias de suprimentos, na localização de centros de distribuição e na definição das rotas de transporte de cargas no Brasil. Com a transição para um modelo de tributação baseado no destino do consumo, empresas industriais, embarcadores e operadores logísticos terão de reavaliar custos e estratégias operacionais.
Entre os pontos de atenção está a Zona Franca de Manaus (ZFM), que terá seus incentivos fiscais preservados até 2073, conforme previsto na Emenda Constitucional nº 132/2023 e regulamentado pela Lei Complementar nº 214/2025. A manutenção do regime diferenciado poderá influenciar decisões sobre a localização de unidades industriais e a estruturação de fluxos logísticos entre as regiões Norte, Sul e Sudeste.
Para Luis Rogerio Godinho Farinelli, sócio da DD&L Associados, a mudança exige uma análise que ultrapassa a adequação das obrigações fiscais. “A Reforma Tributária exige que as empresas olhem além da adequação fiscal e avaliem os impactos das novas regras sobre as operações, custos e estratégias de negócio e as melhores localidades para as suas operações. Neste cenário, a Zona Franca de Manaus passa a ter um valor relevante nessa equação”, afirma.
A reforma prevê a substituição gradual de tributos como PIS, Cofins, ICMS e ISS pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), além da criação do Imposto Seletivo. A mudança na sistemática de arrecadação tende a reduzir a influência dos incentivos fiscais estaduais sobre as decisões de localização das operações, aumentando a importância de fatores como infraestrutura, custos de transporte e eficiência logística.
Outro desafio será a adaptação dos processos de documentação e controle das operações de transporte. A integração entre informações fiscais, pagamentos de frete e comprovação dos serviços prestados deverá ganhar importância na gestão tributária e no aproveitamento de créditos pelas empresas.
Segundo Leopoldo Suarez, vice-presidente de Cliente, Estratégia e Mercado PSL da nstech, empresa de tecnologia especializada em soluções para cadeias de suprimentos, a adequação deverá envolver diferentes áreas das organizações. “Não basta adaptar a área fiscal: as empresas precisam preparar o compliance, a emissão documental e a visibilidade de toda a jornada de transporte”, afirma o executivo.
Os impactos da reforma sobre a indústria, o transporte de cargas e a gestão de riscos serão discutidos no webinar gratuito Além dos Tributos: Como a Reforma Tributária está redesenhando a competitividade, a indústria e a logística no Brasil, marcado para 12 de novembro, às 10h.
Promovido pela nstech em parceria com DD&L Associados, Atala & Denys e Codexa, o encontro abordará temas como governança de pagamentos, exigências do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT), documentação fiscal e oportunidades relacionadas à Zona Franca de Manaus.
As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas pelo site do evento. A transmissão também ocorrerá pelo canal da nstech no YouTube.
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