As rodovias federais brasileiras registraram 17.134 acidentes associados à falta de reação, demora ou resposta inadequada dos motoristas diante de situações de risco entre janeiro e setembro de 2026. O número representa um aumento de 5,8% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram contabilizadas 16.193 ocorrências, segundo dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF) divulgados pela Pumatronix, empresa especializada em tecnologias de monitoramento viário.
O avanço das ocorrências reforça o debate sobre a adoção de tecnologias para identificar comportamentos de risco e ampliar a capacidade de fiscalização nas estradas. O tema ganha relevância com a proximidade do Dia Mundial em Memória das Vítimas do Trânsito, celebrado em 15 de novembro.
Entre as principais infrações estão o uso do celular ao volante, o excesso de velocidade e a falta de dispositivos de segurança. Segundo dados da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) citados pela empresa, mais de 600 mil motoristas foram multados por manusear o celular enquanto dirigiam nos dois primeiros meses de 2026. Já durante a Operação Rodovida 2025/2026, a PRF registrou 54,5 mil flagrantes de pessoas sem cinto de segurança ou dispositivo de retenção infantil.
Para ampliar a fiscalização, sistemas de inteligência artificial e visão computacional vêm sendo utilizados na identificação de infrações, como uso de celular ao volante, ausência de cinto de segurança, avanço de sinal vermelho e conversões proibidas. Equipamentos de medição eletrônica também permitem monitorar a velocidade dos veículos em diferentes faixas de circulação.
Segundo Alexandre Krzyzanovski, diretor de Engenharia da Pumatronix, fabricante brasileira de equipamentos e sistemas de fiscalização eletrônica e monitoramento viário, a utilização dessas tecnologias permite ampliar o monitoramento das rodovias e identificar comportamentos que aumentam o risco de acidentes.
“Com o apoio da inteligência artificial, é possível analisar um volume maior de informações e tornar a fiscalização mais eficiente. Mas o principal avanço está em utilizar esses dados para compreender os riscos e apoiar ações que ajudem a evitar novos acidentes”, afirma.
Além da identificação de infrações, câmeras com reconhecimento automático de placas e sistemas de análise de imagens permitem acompanhar o volume de tráfego, a classificação dos veículos, a velocidade média e os tempos de deslocamento. Essas informações podem auxiliar órgãos públicos e concessionárias na identificação de trechos críticos e no planejamento de intervenções.
A Pumatronix desenvolve equipamentos para medição de velocidade em múltiplas faixas, identificação de infrações e monitoramento do fluxo de veículos. Segundo a empresa, a integração dessas soluções permite identificar horários e locais com maior incidência de irregularidades, contribuindo para direcionar ações de fiscalização e campanhas educativas.
“Esses dados podem ajudar órgãos públicos e concessionárias a direcionar campanhas educativas, reforçar a fiscalização e planejar intervenções em pontos críticos. A ideia é que a tecnologia não seja utilizada apenas para registrar o que aconteceu, mas também para contribuir com a prevenção”, acrescenta Krzyzanovski.
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