Piso do frete põe rotas e retornos vazios em revisão; entenda

Com o bloqueio do CIOT abaixo do mínimo aplicável, embarcadores avaliam o custo total e a combinação de modais

Redação

Desde 24 de maio, o sistema da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) impede a emissão do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT) nas operações de carga lotação em que o valor informado fica abaixo do piso mínimo aplicável. A agência também atualizou os coeficientes em julho, na revisão periódica que incorporou a inflação, e em setembro, após a variação do preço do diesel S10.

Para a indústria, o reforço da fiscalização coloca em evidência custos que a cotação do frete, sozinha, não mostra. Uma rota pode ter a menor tarifa e ainda assim exigir mais estoque para compensar atrasos ou gerar despesas com avarias e contratações emergenciais.

Na avaliação de Márcio Salmi, diretor comercial da Norcoast, empresa de navegação costeira, a revisão deve considerar desde o aproveitamento dos veículos até os efeitos da operação sobre a produção e o caixa. “Quando uma parcela do custo passa a obedecer a parâmetros mais transparentes, a eficiência precisa ser buscada cada vez mais no desenho da operação”, afirma Salmi.

Carga de retorno reduz trechos vazios

Uma das oportunidades está nos quilômetros percorridos sem carga. Mesmo vazio, o veículo consome combustível e ocupa tempo de motorista e de equipamento. Segundo Salmi, um operador com visibilidade sobre os fluxos de vários clientes pode identificar uma carga próxima ao destino da primeira entrega e aproveitá-la no retorno.

Outra possibilidade é a triangulação, que conecta origens e destinos de diferentes cargas na mesma sequência de viagens. No transporte de contêineres, o equipamento descarregado pode ser destinado a um novo embarque na região, reduzindo a necessidade de devolvê-lo vazio à base.

Cabotagem muda o planejamento da entrega

Em trajetos longos, uma alternativa apontada pelo executivo é usar o caminhão para a coleta e a entrega e reservar à cabotagem o trecho entre portos. A viabilidade depende das janelas de embarque e do prazo que a indústria precisa cumprir. Uma mudança de modal pode exigir ajustes na programação da produção ou no volume de estoque, com efeito sobre o capital de giro.

Por isso, Salmi defende que a revisão das rotas envolva compras, logística, produção e finanças. A negociação da tarifa é uma parte da decisão. A frequência das entregas, a disponibilidade de capacidade e o estoque necessário para sustentar a operação também entram na conta.

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