O Iveco Group registrou prejuízo de € 45 milhões no terceiro trimestre de 2026, ante lucro de € 16 milhões no mesmo período de 2025. A receita consolidada cresceu 1,4%, para € 3,16 bilhões, mas a alta dos custos de produção, a pressão sobre os preços na divisão de caminhões e uma combinação menos favorável de produtos vendidos reduziram o resultado operacional. O balanço foi divulgado esta semana, logo após a Tata Motors concluir a liquidação inicial da oferta de compra de ações e assumir o controle do grupo.
O lucro operacional ajustado (EBIT) caiu de € 111 milhões para € 30 milhões, com a margem recuando de 3,6% para 0,9%. Nas atividades industriais, o indicador ficou em zero, ante € 76 milhões um ano antes. As despesas financeiras líquidas subiram de € 58 milhões para € 72 milhões, sob efeito do maior custo dos empréstimos e do impacto contábil da hiperinflação na Turquia. O balanço considera as operações continuadas do grupo, após a venda da divisão de defesa à Leonardo em março.
O CEO do Iveco Group, Olof Persson, atribuiu parte da queda de rentabilidade ao aumento dos recursos destinados a iniciativas de qualidade. Segundo o executivo, esses esforços atingiram o pico no terceiro trimestre e devem diminuir gradualmente.
Comerciais leves sustentam alta na América do Sul
As entregas da divisão de caminhões cresceram 4% na América do Sul na comparação anual, em um mercado regional estável, segundo o grupo. O avanço veio dos comerciais leves, cujas entregas subiram 31%, enquanto as de caminhões médios e pesados caíram 13%. Na Europa, o volume entregue pela divisão avançou 12%, com alta de 22% nos médios e pesados. Os novos pedidos europeus nesses dois segmentos aumentaram 23%.
O maior volume de entregas elevou em 4,5% a receita da divisão de caminhões, para € 2,10 bilhões. O EBIT ajustado, porém, caiu de € 59 milhões para € 10 milhões, e a margem recuou de 2,9% para 0,5%. O grupo apontou pressão competitiva nos comerciais leves europeus, em um cenário de demanda fraca.
Motores menores sustentam receita
Na divisão de ônibus, as entregas caíram 7% na Europa e 5% na América do Sul. A receita recuou 5,6%, para € 679 milhões, e o EBIT ajustado passou de € 29 milhões para € 5 milhões. Segundo o grupo, a comparação anual foi influenciada pelo pico de demanda por ônibus intermunicipais no terceiro trimestre de 2025.
Na divisão de motores, as entregas cresceram 5%, impulsionadas pelos propulsores de menor porte na Europa. A receita subiu 8,7%, para € 810 milhões, mas o EBIT ajustado caiu de € 38 milhões para € 24 milhões. A redução nas entregas de motores de maior porte, sobretudo nas Américas, pesou na rentabilidade.
Grupo prevê recuperação no quarto trimestre
O fluxo de caixa livre das atividades industriais ficou negativo em € 656 milhões, ante € 513 milhões negativos um ano antes. O grupo atribuiu a maior saída de caixa ao aumento dos investimentos e à necessidade de mais capital de giro. A liquidez disponível encerrou setembro em € 3,71 bilhões, incluindo € 1,9 bilhão em linhas de crédito contratadas e ainda não utilizadas. Para o quarto trimestre, a companhia prevê recuperação da rentabilidade e espera gerar caixa livre nas atividades industriais.
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