Mais da metade dos estabelecimentos emissores de Conhecimento de Transporte Eletrônico (CT-e) ainda não informa a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) em todos os documentos fiscais. Segundo levantamento da Receita Federal, dos 40.403 estabelecimentos analisados, 17.139 (42,42%) destacaram o tributo em apenas parte dos documentos, enquanto 5.140 (12,72%) não fizeram o registro em nenhum deles. Outros 18.124 (44,86%) incluíram a informação em todos os CT-es emitidos.
Os dados consideram estabelecimentos não optantes pelo Simples Nacional e documentos emitidos nos 30 dias anteriores à atualização de 8 de outubro de 2026. A inclusão das informações relativas à CBS e ao Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), criados pela Reforma Tributária, passou a ser exigida em 3 de agosto para as operações abrangidas. Para empresas do Simples Nacional, o cronograma prevê a obrigatoriedade a partir de janeiro de 2027.
Apesar da exigência, a Receita Federal e o Comitê Gestor do IBS esclareceram que a ausência de determinadas informações sobre os novos tributos ainda não provoca a rejeição automática do CT-e. A medida permite que as empresas continuem emitindo documentos durante a fase de adaptação, mas não elimina a necessidade de adequação dos sistemas fiscais.
Para Ulisses Brondi, CEO da ASIS Tax Tech, empresa de tecnologia especializada em gestão e auditoria tributária, as transportadoras devem aproveitar esse período para revisar cadastros, verificar a integração entre sistemas e corrigir eventuais inconsistências no preenchimento dos documentos.
O executivo destaca que a adaptação exige atenção especial das empresas com grande volume de fretes ou operações em diferentes localidades, nas quais a padronização dos procedimentos fiscais tende a ser mais complexa.
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