Com nova série Avant, Librelato projeta vender 3 mil implementos na Fenatran

Fabricante investe R$ 65 milhões em modernização industrial e desenvolvimento de produtos com foco em produtividade, redução de peso e aumento da capacidade de carga

Aline Feltrin

A Librelato projeta vender 3 mil carretas durante a Fenatran 2026, maior feira do transporte rodoviário de cargas da América Latina, agendada para ocorrer em São Paulo de 9 a 13 de novembro. Se o número se consolidar, será um crescimento de 22,4% em relação às 2.450 unidades comercializadas na edição de 2024. A expectativa ocorre em um cenário de crédito restrito e custos elevados para o transporte rodoviário de cargas. Para sustentar a expansão dos negócios, a fabricante aposta na Série Avant, nova geração de implementos desenvolvida para aumentar a produtividade das operações, e em um programa de R$ 65 milhões destinado à modernização industrial e à engenharia de produtos.

O agronegócio deverá responder pela maior parte do crescimento esperado na feira, segundo João Librelato, diretor comercial e de marketing da companhia. As principais oportunidades estão nas linhas Graneleiro e Basculante, que receberam mudanças estruturais e soluções para ampliar a capacidade de carga, reduzir a tara e melhorar o desempenho operacional.

A projeção de vendas representa um avanço em relação à última edição da Fenatran, mas a companhia reconhece que o ambiente de negócios exige maior atenção à rentabilidade dos clientes. Segundo João Librelato, a Série Avant pode proporcionar ganhos de produtividade de até 7% para os frotistas. O resultado está associado à possibilidade de transportar mais carga líquida, aumentar a durabilidade dos equipamentos e reduzir desgastes e ocorrências que comprometem a disponibilidade das carretas.

Com juros elevados e condições mais seletivas de financiamento, o custo de aquisição passou a ter peso ainda maior nas decisões de compra. Nesse contexto, a fabricante procura deslocar a discussão comercial do preço inicial do implemento para o custo total de operação, considerando capacidade de carga, manutenção, vida útil e tempo de utilização.

Os R$ 65 milhões destinados ao programa envolvem alterações de engenharia em diferentes linhas, células robotizadas de soldagem, equipamentos de fabricação e ferramentas digitais de planejamento industrial. O objetivo é padronizar processos, reduzir variações produtivas e incorporar melhorias que tenham impacto direto no desempenho dos equipamentos.

Agronegócio concentra os lançamentos

A concentração das melhorias nos Graneleiros e Basculantes acompanha a importância do agronegócio para os resultados da Librelato. Nos Graneleiros, o vão livre interno passou de 2.437 mm para 2.446 mm, permitindo carregar contêineres sem a retirada da tampa. A fabricante também revisou o sistema de vedação e ampliou as possibilidades de configuração.

Nos Basculantes, as alterações na geometria da caixa de carga e do dolly buscam melhorar a estabilidade e a manobrabilidade. A redução de emendas no revestimento interno também procura tornar o descarregamento mais uniforme.

As mudanças de engenharia alcançam outras aplicações. Nos Tanques, alterações nas proteções superiores permitiram eliminar a plataforma em todas as configurações, com redução aproximada de 180 quilos na tara. A recuperadora de vapor passou por modificações que proporcionaram uma redução adicional de cerca de 80 quilos. Segundo a fabricante, a utilização de aço de maior resistência e menor peso melhora a relação entre tara e capacidade volumétrica, com possibilidade de transportar até mil litros adicionais de etanol.

Nos Furgões, a versão HD foi desenvolvida para aplicações mais severas, como o transporte de pneus e colchões. Já a configuração Double Deck permite organizar mercadorias em dois níveis, ampliando o aproveitamento do espaço interno em operações com produtos de diferentes alturas.

Automação alcança seis unidades industriais

Parte dos investimentos está concentrada na modernização das fábricas. A Librelato incorporou células robotizadas para a soldagem de vigas dos Graneleiros e a fabricação de portas e frontais dos Basculantes. A linha de Tanques também recebeu uma célula robotizada, com simulação digital para avaliar previamente a disposição dos equipamentos e os fluxos de produção.

Na fabricação dos Furgões de Alumínio e Lonado, a empresa incorporou equipamentos CNC Router, que executam furações e outras operações com maior precisão dimensional e repetibilidade. As mudanças acompanham as alterações estruturais dos produtos e buscam assegurar maior consistência na fabricação dos componentes.

A modernização envolve seis unidades industriais distribuídas entre Santa Catarina e São Paulo. Orleans concentra a produção de componentes específicos; Içara reúne operações de Basculantes, Tanques, Furgões e produtos especiais; e Criciúma fabrica Graneleiros e implementos Carga Seca. Em Guarulhos, o Librelato Center SP realiza a montagem de diferentes linhas no formato CKD.

A integração entre engenharia, manufatura e logística industrial é importante para organizar as etapas de produção e reproduzir as alterações de projeto com maior regularidade. A automação, portanto, também busca reduzir variações e melhorar a produtividade das unidades.

Perspectiva cautelosa para 2027

Apesar da expectativa de crescimento na Fenatran, a Librelato trabalha com uma avaliação mais conservadora para 2027. João Librelato considera que o próximo ano será difícil, independentemente do resultado das eleições presidenciais. A companhia pretende concentrar esforços na redução de custos, na proximidade com os clientes e na demonstração dos ganhos operacionais dos produtos.

A projeção de 3 mil carretas na feira sinaliza a expectativa de ampliar os negócios, mas a fabricante reconhece que a demanda dependerá das condições de investimento dos transportadores. Nesse ambiente, a estratégia é transformar os ganhos de engenharia da Série Avant em argumentos comerciais capazes de justificar a renovação de frota mesmo diante de um cenário de crédito mais caro.

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