Reeleito neste domingo (25), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terá no próximo mandato o desafio de conciliar a expansão dos biocombustíveis com a definição dos próximos passos da mistura de biodiesel no diesel. Seu programa para 2027 a 2030 propõe aprimorar o RenovaBio e fortalecer a Petrobras Biocombustíveis (Pbio), mas não apresenta metas adicionais ou um calendário próprio para elevar o percentual utilizado no combustível.
O programa propõe estimular o desenvolvimento de biocombustíveis de segunda e terceira geração e ampliar a integração do setor com a indústria nacional. Também prevê fortalecer a participação da Petrobras nesse mercado, por meio da Pbio, mas não detalha valores de investimento, metas de produção ou prazos para essa expansão.
As propostas incluem a continuidade do desenvolvimento tecnológico e da expansão do combustível sustentável de aviação (SAF), do biometano e dos combustíveis marítimos. O programa também prevê políticas bioenergéticas integradas às cadeias produtivas de grãos e proteínas, considerando os efeitos sobre o uso do solo, da água e dos fertilizantes.
Biodiesel depende de avaliações técnicas
Para o transporte rodoviário de cargas, um dos pontos a acompanhar será a execução da política de mistura obrigatória de biodiesel no diesel. A Lei do Combustível do Futuro prevê aumentos de um ponto percentual ao ano até alcançar 20% em 2030, o chamado B20. A implementação dessa trajetória depende das avaliações técnicas e das decisões regulatórias.
Em maio de 2026, o Ministério de Minas e Energia aprovou, por meio da Portaria Normativa nº 133, um plano de testes para avaliar a viabilidade técnica do uso de diesel com teores de biodiesel superiores a 15% e de até 25%.
O programa de Lula não informa se o próximo governo pretende propor mudanças nessa trajetória. Tampouco detalha medidas específicas para ampliar a oferta de biodiesel e acompanhar os efeitos dos novos percentuais sobre as operações de transporte.
Impactos no transporte
A definição dos próximos aumentos interessa a produtores de biocombustíveis, fornecedores de matérias-primas, transportadoras e fabricantes de motores. Para quem opera veículos pesados, o avanço da mistura envolve questões como qualidade do combustível, compatibilidade com os motores e efeitos sobre manutenção e custos operacionais.
Com a eleição encerrada, o ponto central passa a ser como as diretrizes do programa serão traduzidas em medidas para o setor. No biodiesel, isso inclui a condução dos testes e das decisões sobre a mistura obrigatória; nos demais combustíveis renováveis, a definição dos investimentos, das metas e dos instrumentos de incentivo para o período de 2027 a 2030.
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