A carteira de pedidos da Embraer na área de Defesa e Segurança cresceu 56% em um ano e alcançou US$ 6,1 bilhões no terceiro trimestre de 2026. O avanço foi o mais expressivo entre as quatro unidades de negócios da fabricante brasileira e reflete, entre outros contratos, a encomenda de dois cargueiros militares KC-390 Millennium pela Força Aeroespacial Colombiana.
O resultado faz parte da carteira consolidada da companhia, que chegou a US$ 35,7 bilhões no período, alta de 14% na comparação anual. O segmento de defesa respondeu por cerca de 17% desse total, ante uma participação menor um ano antes, quando a carteira da unidade cresceu em ritmo inferior ao registrado agora.
A expansão ocorre após a Embraer anunciar, no segundo trimestre, um acordo com os Emirados Árabes Unidos envolvendo dez pedidos firmes do KC-390 e dez opções de compra. O contrato abriu caminho para a entrada da aeronave no mercado do Oriente Médio e representou, segundo a companhia, a maior encomenda internacional do modelo feita por um único país.
No terceiro trimestre, a Colômbia acrescentou dois KC-390 à carteira. Com o contrato, a Embraer informou ter alcançado 43 pedidos firmes do cargueiro militar. A fabricante também contabilizava 25 encomendas do avião de ataque leve e treinamento avançado A-29 Super Tucano.
Cargueiro multimissão
O KC-390 é um cargueiro multimissão desenvolvido para transportar tropas, veículos e equipamentos, além de realizar missões como lançamento de cargas e pessoal, evacuação médica e reabastecimento em voo. A Embraer busca ampliar a presença do modelo em forças aéreas de diferentes regiões, em um mercado no qual as decisões de compra envolvem ciclos longos de avaliação, negociação e contratação.
A carteira de defesa, porém, não se converte imediatamente em receita. O indicador reúne contratos ainda por executar, cujo reconhecimento financeiro depende do cronograma de produção e entrega das aeronaves e dos serviços previstos nos acordos.
Além dos pedidos já firmes, a Embraer informou que seleções do KC-390 por Eslováquia e Lituânia não estavam incluídas na carteira do terceiro trimestre porque os contratos ainda não haviam entrado em vigor. A formalização desses acordos poderá ampliar o volume de encomendas futuras, mas depende da conclusão dos trâmites contratuais.
A área de Defesa e Segurança também contribui para a expansão dos negócios de suporte. No trimestre, a Embraer anunciou um contrato de apoio logístico e serviços para a frota colombiana de KC-390. Esse tipo de acordo gera demanda após a venda das aeronaves e integra a unidade de Serviços e Suporte, cuja carteira atingiu US$ 5,6 bilhões, também recorde, com alta anual de 14%.
A evolução da carteira de defesa amplia a visibilidade da demanda futura da Embraer nesse segmento. O ritmo de conversão dos contratos em entregas e receitas, assim como a formalização de seleções ainda pendentes, será determinante para avaliar a continuidade do crescimento.
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