O roubo de cargas no estado do Rio de Janeiro registrou queda de 47% em setembro de 2026, na comparação com o mesmo mês do ano passado. Foram 96 ocorrências, ante 182 em setembro de 2025, segundo dados do Instituto de Segurança Pública (ISP). Apesar da redução expressiva, o acumulado dos nove primeiros meses do ano mostra um cenário de relativa estabilidade: foram 2.131 registros, recuo de apenas 1,4% em relação ao mesmo período de 2025.
A redução é resultado do reforço das ações policiais e da integração entre órgãos de segurança, mas ainda não há uma avaliação oficial que permita atribuir a queda de setembro a medidas específicas. Para as transportadoras, o resultado representa uma melhora nos indicadores de segurança, embora o número de ocorrências não reflita, necessariamente, a evolução dos prejuízos financeiros provocados pela criminalidade.
Um levantamento do programa Carga Blindada, desenvolvido pelo Sindicato das Empresas de Transporte Rodoviário de Cargas e Logística do Rio de Janeiro (Sindicarga), mostra que, em agosto, os roubos diminuíram 26%, enquanto o valor das mercadorias subtraídas aumentou 61%, passando de R$ 10,55 milhões para R$ 16,99 milhões. Os números indicam que a redução da frequência dos ataques não tem sido acompanhada, na mesma proporção, pela diminuição das perdas.
Cargas de maior valor
Para Filipe Coelho, presidente do Sindicarga, os dados apontam uma mudança no perfil dos crimes. “A criminalidade aprendeu a escolher alvos maiores. Antes, havia mais roubos contra veículos menores e cargas de menor valor. Agora, para praticamente o mesmo risco, os criminosos atacam caminhões que transportam mais mercadorias”, afirmou o executivo, ao comentar os resultados de agosto.
A mudança amplia a preocupação das transportadoras com o impacto financeiro dos roubos. Além da perda das mercadorias, os crimes provocam interrupções nas entregas, custos adicionais de gerenciamento de riscos e seguros, necessidade de reprogramação das operações e maior exposição dos motoristas à violência.
Segundo levantamento da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), o estado registrou 3.114 roubos de cargas em 2025, com prejuízo direto estimado em R$ 314 milhões. O estudo identificou concentração das ocorrências na Região Metropolitana, especialmente nas áreas próximas às principais rodovias federais e seus acessos.
Corredores logísticos concentram riscos
Apesar da melhora nos indicadores estaduais, algumas vias continuam apresentando crescimento da criminalidade. De acordo com diagnóstico do Ministério da Justiça e Segurança Pública, os roubos de cargas na Avenida Brasil aumentaram 23,3% entre janeiro e agosto de 2026, em comparação com o mesmo período do ano passado. No intervalo, os roubos de veículos cresceram 8,9% na via e 28,2% na BR-040.
Para enfrentar o problema, os governos federal e estadual iniciaram, em 6 de outubro, a Operação Corredores Logísticos, que reúne Polícia Rodoviária Federal, Polícia Civil, Polícia Militar e Força Nacional. A iniciativa mobilizou inicialmente 327 agentes e 121 viaturas, com foco no combate ao roubo de cargas, roubo de veículos e receptação.
A estratégia prevê o compartilhamento de informações, ações de inteligência, investigações e policiamento direcionado às áreas de maior incidência criminal. Também foi criada uma célula integrada de inteligência para acompanhar a atuação das organizações criminosas e orientar as operações. Como a iniciativa começou em outubro, seus resultados ainda não estão refletidos nos indicadores de setembro.
O combate à receptação é considerado uma das frentes importantes dessa estratégia. Em setembro, a Polícia Civil realizou uma operação contra um grupo investigado por roubos de cargas e pela retirada de rodas e pneus de caminhões. A investigação envolvia quatro ataques que teriam provocado prejuízos superiores a R$ 2 milhões.
Setor cobra continuidade das ações
O Sindicarga considera positiva a redução dos roubos, mas defende a continuidade das medidas de prevenção e repressão, com maior integração entre as forças de segurança, o poder público e as empresas transportadoras.
A entidade também chama a atenção para a necessidade de combater toda a cadeia criminosa, incluindo o armazenamento, a distribuição e a comercialização das mercadorias roubadas.
O desafio para o setor é transformar a queda recente das ocorrências em uma tendência sustentada, capaz de reduzir não apenas o número de ataques, mas também as perdas financeiras e os riscos enfrentados pelos motoristas. A evolução dos próximos meses será importante para avaliar se as medidas de segurança conseguirão produzir resultados duradouros nos principais corredores de transporte do estado.
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