O Terminal de Contêineres de Paranaguá (TCP) alcançou em setembro a maior movimentação mensal de sua história, com 152.347 TEUs, unidade equivalente a um contêiner de 20 pés. O crescimento das operações levou o Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas no Estado do Paraná (SETCEPAR) a defender melhorias nos acessos rodoviários e maior coordenação entre terminais, transportadoras e embarcadores.
O resultado superou em 2,5% o recorde anterior, registrado em outubro de 2025. Entre janeiro e setembro de 2026, o terminal movimentou 1,279 milhão de TEUs, alta de 4% sobre igual período do ano passado. Nos acessos rodoviários, foram registradas 489 mil transações de contêineres, avanço de 3%.
Para Luiz Gustavo Nery, vice-presidente do Setcepar, sindicato que representa empresas de transporte de cargas no Paraná, o aumento do volume abre oportunidades para as transportadoras, mas exige que a organização das operações terrestres acompanhe o desempenho do terminal.
“O recorde confirma a competitividade de Paranaguá e representa mais demanda e oportunidades para as transportadoras. Ao mesmo tempo, quanto maior o volume, menor a margem para improviso. O desafio é garantir que a eficiência conquistada dentro do terminal se estenda a toda a cadeia, do portão do porto até o cliente final”, afirma.
Carnes impulsionam embarques
O perfil das cargas ajuda a dimensionar a demanda logística. De janeiro a setembro, as cargas exportadas em contêineres cheios pelo TCP somaram 6,363 milhões de toneladas, crescimento de 6%. Carnes e congelados responderam por 47% desse volume, com 2,973 milhões de toneladas, alta de 8%. Nas importações, a movimentação avançou 5%, para 2,440 milhões de toneladas, segundo dados da companhia publicados pela Agência Estado.
A expansão também envolve investimentos na cadeia refrigerada. O terminal dispõe de 5.280 tomadas para contêineres refrigerados e executa obras para chegar a 6.000 até o fim de 2027, de acordo com a TCP. A estrutura permite manter essas cargas sob temperatura controlada durante sua permanência no pátio.
A ferrovia também participa do crescimento. Nos nove primeiros meses do ano, a movimentação de cargas cheias pelo modal aumentou 25%, de 964 mil para 1,210 milhão de toneladas. A ligação ferroviária conecta o terminal a Ortigueira, Cambé e Cascavel.
Obras nos acessos
Na infraestrutura rodoviária, há intervenções previstas para a conexão entre a BR-277 e a área urbana. Em apresentação realizada em 15 de outubro, a EPR Litoral Pioneiro detalhou projetos para a Avenida Ayrton Senna e a rodovia no trecho de Paranaguá.
Segundo a prefeitura, as intervenções integram um pacote superior a R$ 500 milhões, com início previsto para o fim de 2026 e continuidade em 2027. Estão previstas vias marginais, faixas adicionais, quatro viadutos, ciclovias e melhorias na iluminação. A administração municipal informou que ainda precisa aprofundar a análise técnica dos acessos às ruas da cidade e da drenagem.
Para o Setcepar, além das obras, é necessário fortalecer os pátios de regulação e os pontos de parada e descanso, com estrutura compatível com o volume de veículos. “Também precisamos avançar nos acessos, especialmente nos trechos em que o tráfego pesado convive com a circulação urbana de Paranaguá, e garantir pátios compatíveis com esse volume, com condições adequadas de segurança, alimentação, sanitários e descanso para os motoristas”, diz Nery.
Agendamento afeta produtividade
Outra demanda da entidade é o alinhamento dos horários de atendimento entre terminais, depots de contêineres vazios, recintos e embarcadores. A coordenação dessas etapas interfere no planejamento das viagens e na disponibilidade dos veículos para novos serviços.
“Caminhão parado representa custo sem geração de receita. Cada hora de espera afeta a rentabilidade, a capacidade de atendimento e o planejamento da jornada. Quando essas ineficiências se repetem, acabam sendo incorporadas ao custo da operação”, afirma o vice-presidente.
O sindicato defende plataformas de agendamento integradas, gates automatizados, documentação digital e compartilhamento de informações em tempo real para reduzir deslocamentos desnecessários e melhorar a programação dos atendimentos.
“A capacidade portuária cresce e a infraestrutura terrestre precisa ser planejada para acompanhar esse movimento. Muitas vezes, ganhar previsibilidade com tecnologia e integração gera retornos importantes sem depender apenas de grandes obras. Porto e rodovia precisam evoluir juntos”, conclui Nery.
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