Tráfego de contêineres no Canal de Suez supera 50% do nível pré-crise

Retomada das rotas pelo Mar Vermelho reduz impacto dos desvios sobre a demanda global por navios, mas congestionamento portuário na Ásia dificulta avaliação dos efeitos

Aline Feltrin

A capacidade semanal dos navios porta-contêineres que atravessaram o Canal de Suez superou, pela primeira vez desde o início da crise no Mar Vermelho, a metade do patamar registrado antes das interrupções provocadas pelos ataques dos houthis. Nas duas primeiras semanas de outubro, o volume médio chegou a 753 mil TEUs, unidade equivalente a um contêiner de 20 pés, segundo a Clarksons Research. No mesmo período de 2023, a média havia sido de 1,457 milhão de TEUs.

A recuperação reflete o retorno gradual das companhias marítimas à rota que liga a Ásia à Europa pelo Mar Vermelho, após quase três anos de desvios pelo Cabo da Boa Esperança, no sul da África. A mudança reduz a necessidade de viagens mais longas e tende a aliviar a pressão sobre a capacidade global de transporte marítimo.

“Desde que começaram os ataques houthis no Mar Vermelho, esta é a primeira vez que os trânsitos superam 50% do nível anterior às interrupções”, afirmou Niels Rasmussen, analista-chefe de transporte marítimo da BIMCO, associação internacional do setor.

A crise começou em novembro de 2023, quando os houthis, grupo rebelde do Iêmen, anunciaram ataques a navios israelenses em resposta à ofensiva de Israel na Faixa de Gaza. As ameaças foram posteriormente ampliadas para outras embarcações, elevando a insegurança na região e levando armadores a rever seus itinerários.

Em dezembro daquele ano, as companhias começaram a desviar os navios do Canal de Suez e do Mar Vermelho. Na última semana de 2023, a capacidade semanal que atravessou o canal caiu para 330 mil TEUs, ante uma média de 1,29 milhão de TEUs ao longo daquele ano.

Entre o início de fevereiro de 2024 e meados de 2026, a capacidade semanal de navios porta-contêineres que utilizaram o canal ficou em média em apenas 141 mil TEUs, o equivalente a 11% do volume registrado nas mesmas semanas de 2023, de acordo com Rasmussen.

Armadores retomam rotas pelo Egito

A recuperação ganhou força em julho de 2026, quando a Gemini Cooperation, aliança formada pela dinamarquesa Maersk e pela alemã Hapag-Lloyd, anunciou, no dia 6 daquele mês, o retorno ao Canal de Suez do serviço AE15/SE3, que conecta a Ásia ao Mediterrâneo.

Desde então, a aliança confirmou a volta de outros cinco serviços às rotas habituais, incluindo os três serviços restantes que ligam a Ásia ao Mediterrâneo. Integrantes das alianças Ocean Alliance e Premier Alliance, além da MSC, também anunciaram alterações de itinerários. Ao todo, 16 serviços tiveram mudanças comunicadas desde o início de julho.

Nas duas primeiras semanas de outubro, 36% da capacidade total dos navios porta-contêineres que utilizaram o Canal de Suez ou a rota do Cabo da Boa Esperança passaram pela via marítima egípcia. A participação supera a média de 8% observada entre 2024 e meados de 2026, mas permanece distante dos 80% registrados antes dos ataques.

Inicialmente, a retomada concentrou-se nas viagens em direção ao sul. No terceiro trimestre, a capacidade dos navios que atravessaram o canal rumo ao norte correspondia a 75% daquela registrada nos itinerários para o sul. Nas primeiras semanas de outubro, a proporção avançou para 81%, indicando uma recuperação também no sentido norte.

Desvios elevaram demanda por navios

Os desvios pelo sul da África aumentaram o tempo de viagem entre a Ásia e a Europa e exigiram mais embarcações para manter a frequência dos serviços marítimos. Segundo Rasmussen, essa mudança elevou em cerca de 10% a demanda mundial por navios porta-contêineres, efeito que começa a diminuir com a retomada do Canal de Suez.

A normalização das rotas, porém, não significa que os efeitos sobre o mercado já estejam totalmente definidos. O retorno dos navios ao corredor egípcio coincide com o aumento do congestionamento nos portos asiáticos, o que pode comprometer a regularidade das operações e dificultar a avaliação do impacto sobre o equilíbrio entre oferta e demanda de transporte marítimo.

Para o setor, a evolução do tráfego pelo canal será determinante para medir a velocidade de normalização das operações e os efeitos da redução dos percursos sobre a disponibilidade de navios e a capacidade global de transporte de contêineres.

Com informações do site Mundo Marítimo.

Fique por dentro de todas as novidades do setor de transporte de carga e logística:
Siga o canal da Transporte Moderno no WhatsApp
Acompanhe nossas redes sociais: LinkedIn, Instagram e Facebook
Inscreva-se no canal do Videocast Transporte Moderno

Veja também

CEO
Marcelo Fontana
[email protected]
Editora
Aline Feltrin
[email protected]
/aline-feltrin
Repórter
Valéria Bursztein
[email protected]
/valeria-bursztein
Executivo de contas
Tânia Nascimento
[email protected]
Raul Urrutia
[email protected]
Financeiro
Vidal Rodrigues
[email protected]
Eventos corporativos / Marketing
Barbara Ghelen
[email protected]
Publicidade
Karoline Jones
[email protected]
Representante região Sul (PR/RS/SC)
Gilberto A. Paulin
+55 (41) 3029-0563
João Batista A. Silva
[email protected]

Aviso de reprodução Este conteúdo pode ser compartilhado com responsabilidade

Este conteúdo pode ser reproduzido, desde que seja citada a fonte com link: Agência Transporte Moderno. Respeitar a autoria e indicar a origem da informação contribui para fortalecer o bom jornalismo e a produção de conteúdo confiável.