Grupo de logística investe R$ 300 milhões para adquirir 3.500 veículos elétricos até 2029

All Green Group pretende dobrar a frota até o fim de 2026 e ampliar atuação para o transporte rodoviário de cargas com caminhões elétricos

Redação

O All Green Group, empresa brasileira de logística e eletrificação de frotas, planeja investir R$ 300 milhões até o fim de 2026 na aquisição de veículos elétricos e na expansão da infraestrutura de recarga. A companhia pretende passar de 500 para 1.000 veículos até dezembro e chegar a cerca de 3.500 unidades até 2029, incluindo caminhões elétricos.

A expansão ocorre em meio ao crescimento dos negócios do grupo, que reúne as empresas To Do Green, Green Mobility e Green On. Para 2026, a companhia projeta faturamento entre R$ 230 milhões e R$ 240 milhões, após a To Do Green, operação logística que deu origem ao negócio, elevar sua receita de aproximadamente R$ 35 milhões para R$ 110 milhões em 2025.

O plano prevê ampliar a atuação para além das entregas urbanas, segmento em que a eletrificação de veículos comerciais já encontra aplicações, e avançar no transporte de cargas entre centros de distribuição e nas operações rodoviárias de média e longa distância.

Caminhões elétricos nas estradas

A entrada no transporte rodoviário representa uma nova etapa para o grupo. No chamado middle mile, o transporte de mercadorias entre centros de distribuição, e nas viagens de longa distância, a adoção de caminhões elétricos depende de fatores como autonomia das baterias, peso da carga, tempo de recarga e disponibilidade de infraestrutura ao longo das rotas.

Um dos corredores considerados prioritários pela empresa é a Rodovia Presidente Dutra, que liga São Paulo ao Rio de Janeiro. A estratégia prevê ampliar gradualmente a circulação de caminhões elétricos nesse eixo, com apoio de uma estrutura de recarga compatível com as necessidades das operações.

“Eletrificar uma frota é apenas uma parte do desafio. Para fazer essa transformação em escala, precisamos garantir veículo, energia, infraestrutura, tecnologia e excelência operacional”, afirma Paula Simões, fundadora e CEO do All Green Group.

Segundo a executiva, a companhia pretende construir uma plataforma integrada de eletrificação e descarbonização da logística, reunindo diferentes etapas da operação. O modelo de negócios do All Green Group distribui as atividades entre três empresas. A To Do Green é responsável pelos serviços logísticos com veículos elétricos; a Green Mobility atua na disponibilização e na gestão dos veículos e ativos; e a Green On concentra as soluções de recarga, energia e tecnologia.

A integração busca atender empresas interessadas em eletrificar suas operações sem que precisem desenvolver separadamente a frota, a infraestrutura de carregamento e os sistemas de gestão energética.

Essa estrutura também será importante para a expansão no transporte rodoviário, em que a localização dos carregadores e o planejamento das paradas precisam ser compatíveis com as rotas e os prazos de entrega.

Grupo busca fornecedores e parceiros na China

Para viabilizar o crescimento, o All Green Group mantém conversas com fabricantes de veículos comerciais elétricos, fornecedores de baterias e empresas de infraestrutura de recarga. Em uma agenda recente na China, a companhia também discutiu possíveis parcerias tecnológicas, industriais e financeiras.

No Brasil, o grupo mantém diálogo com fabricantes e fornecedores da indústria automotiva para avaliar veículos comerciais e caminhões elétricos adequados às condições de operação no país. As negociações incluem tecnologia embarcada, baterias, sistemas de armazenamento de energia e infraestrutura de carregamento, além de possíveis estruturas de parceria e investimento.

“A tecnologia existe, os veículos evoluem rápido e há capital interessado nessa transformação. O desafio é conectar essa capacidade global à realidade operacional brasileira e construir escala”, afirma Simões.

A expansão dependerá da capacidade de combinar a aquisição dos veículos com a infraestrutura necessária para mantê-los em operação. No transporte de longa distância, a disponibilidade de recarga e a eficiência operacional serão determinantes para viabilizar o uso de caminhões elétricos em maior escala.

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