BR-116 e outras quatro rodovias podem entrar em concessão; veja os trechos

BNDES e Ministério dos Transportes vão estruturar projetos para 3.137 km de estradas federais no Norte e Nordeste; estimativa é concluir os estudos até 2030

Aline Feltrin

O governo federal iniciou a estruturação de projetos para conceder à iniciativa privada 3.137 quilômetros de rodovias federais nas regiões Norte e Nordeste. O pacote envolve cinco trechos das BRs 153, 010, 226, 116 e 104, distribuídos por nove estados. A estimativa é concluir a estruturação dos projetos até o fim de 2030.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Ministério dos Transportes assinaram o contrato na quarta-feira (14), no Rio de Janeiro. O objetivo é avaliar a viabilidade econômica dos trechos e desenvolver modelos capazes de atrair investidores privados para a operação e a manutenção das estradas.

A iniciativa contempla rodovias consideradas estratégicas para a integração nacional e o escoamento da produção agrícola. Entre as áreas atendidas estão regiões de expansão da fronteira agropecuária, como o Matopiba, que reúne áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.

O projeto, porém, ainda está na fase de estruturação. A assinatura do contrato não significa que todos os trechos serão necessariamente concedidos. Segundo o ministro dos Transportes, George Santoro, os estudos vão identificar quais rodovias apresentam condições econômicas para avançar nesse modelo.

Veja quais rodovias estão no plano de concessões

Os estudos abrangem cinco trechos de rodovias federais, que somam 3.137 quilômetros. Confira a extensão prevista e os estados envolvidos em cada corredor:

1. BR-153 — 775 km

O trecho fica entre Pará e Tocantins. A rodovia integra corredores de transporte importantes para a circulação de cargas e a conexão entre áreas produtoras e mercados consumidores.

2. BR-010 — 678 km

O projeto abrange trechos no Maranhão e no Pará. A rodovia integra a infraestrutura de ligação entre áreas do Norte e do Nordeste, com relevância para a movimentação regional de mercadorias.

3. BR-226 — 717 km

O trecho informado pelo BNDES abrange Piauí, Maranhão e Tocantins. A estruturação deverá avaliar as condições para uma eventual concessão e as alternativas de financiamento e operação.

4. BR-116 — 473 km

O corredor envolve Ceará, Paraíba e Pernambuco. A rodovia é uma das principais ligações terrestres do país e tem papel importante na integração regional e no transporte de cargas e passageiros.

5. BR-104 — 494 km

O trecho passa por Paraíba, Pernambuco e Alagoas. A rodovia integra a malha federal do Nordeste e pode contribuir para melhorar a conexão entre centros urbanos e áreas de atividade econômica.

As extensões correspondem aos trechos totais considerados nos estudos, e não necessariamente à quilometragem localizada em cada estado.

Agronegócio está entre as prioridades

A seleção dos corredores considera a expansão econômica de regiões que ainda apresentam carências de infraestrutura. Segundo o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, o banco e o Ministério dos Transportes trabalham desde 2025 na avaliação da malha federal para identificar trechos relevantes para a integração rodoviária.

O foco inclui áreas de crescimento da produção agrícola, especialmente no Matopiba, uma das principais fronteiras de expansão do agronegócio brasileiro. A infraestrutura rodoviária é importante para transportar grãos e outras mercadorias até centros de consumo, terminais ferroviários e portos.

A melhoria desses corredores pode contribuir para reduzir gargalos logísticos e ampliar a previsibilidade das operações de transporte. Os efeitos sobre os custos, no entanto, dependerão das intervenções previstas, das condições de operação e das regras estabelecidas para cada eventual concessão.

Pedágio e conectividade estão entre os pontos em análise

Além da viabilidade econômica, a estruturação deverá considerar medidas para reduzir o custo dos pedágios e ampliar a conectividade nas rodovias. Segundo George Santoro, os projetos também deverão prever a implementação de internet 5G ao longo dos corredores.

O ministro afirmou ainda que as iniciativas seguirão diretrizes de sustentabilidade, com previsão de investimentos relacionados à transição energética e à resiliência da infraestrutura.

A definição dos modelos de concessão será determinante para estabelecer as obrigações dos futuros operadores, as intervenções necessárias e as fontes de remuneração dos contratos. A capacidade de cada trecho de sustentar os investimentos previstos também será um dos fatores considerados nos estudos.

Com o contrato, BNDES e Ministério dos Transportes avançam na preparação de uma carteira de projetos para ampliar a participação privada na infraestrutura rodoviária. A próxima etapa será avaliar quais trechos têm condições de avançar para uma eventual concessão e definir as condições necessárias para atrair investidores.

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