Transjordano cria corredor de biometano com 100 caminhões

Projeto de R$ 140 milhões estreia com operação para a Ipiranga e prevê ampliar rede de abastecimento aberta a outras transportadoras

Valeria Bursztein, de Sumaré (SP),

A Transjordano iniciou nesta quarta-feira (7), em Sumaré (SP), a operação do Corredor Verde, projeto que combina uma frota de 100 caminhões movidos a biometano com uma rede de abastecimento entre Ribeirão Preto e a Baixada Santista. Com financiamento de R$ 140 milhões do BNDES, a iniciativa busca enfrentar um dos principais entraves à expansão do combustível renovável no transporte rodoviário de longa distância: a escassez de pontos de abastecimento de biometano nas estradas. O projeto foi antecipado com exclusividade pela Agência Transporte Moderno em abril deste ano.

Os dez primeiros Scania G 460 6×4 começam a rodar nesta quinta-feira (8) em uma operação dedicada à Ipiranga, transportando diesel importado entre Santos e Ribeirão Preto. Outros dez veículos já chegaram à transportadora e a previsão é completar o lote de 100 unidades até o fim do ano, com a possibilidade de as últimas entregas avançarem para o início de janeiro.

A operação da Transjordano também reúne duas empresas do Grupo Ultra. A Ultragaz fornece o biometano que abastecerá os caminhões, enquanto a Ipiranga é a contratante do transporte realizado pelos dez primeiros veículos. Jordano Bessa, diretor comercial e de novos negócios da Transjordano e da GarageLog, confirmou que a operação inicial será feita no eixo Santos–Ribeirão Preto.

O projeto reúne uma cadeia de parceiros para viabilizar a operação. Além da Scania, responsável pelos caminhões, e da Ultragaz, fornecedora do biometano, participam a WLM Quinta Roda, no suporte e manutenção dos veículos; a Librelato, nos implementos; a Mati Cilindros, no fornecimento dos cilindros adicionais; e a Peixe Gás, responsável pela adequação do conjunto instalado atrás da cabine. A GarageLog opera a infraestrutura de abastecimento, enquanto o BNDES financia o projeto.

Corredor começa com três pontos

O Corredor Verde foi estruturado inicialmente com três pontos de abastecimento operados pela GarageLog, empresa do Grupo Transjordano. Sumaré entrou em operação em outubro; Ribeirão Preto está previsto para novembro; e Cubatão, na região do Porto de Santos, para dezembro.

Os três pontos formam um eixo de aproximadamente 450 quilômetros. Com a autonomia ampliada dos caminhões, a empresa calcula que será possível atender operações em um raio de até 350 quilômetros a partir de cada unidade, levando o alcance operacional do projeto a cerca de 1.150 quilômetros.

A Transjordano já estuda, porém, a implantação de um quarto ponto de abastecimento para ampliar o alcance geográfico do corredor. Bessa não revelou a localização, mas indicou que a nova unidade deverá permitir à operação avançar além da área atendida pela estrutura atual.

“A região do sul de Minas Gerais, a gente consegue abastecer por aqui ainda. Tem que ser algum ponto em que seja possível romper a fronteira”, afirmou. Segundo o executivo, a autonomia dos veículos exige que a expansão da operação seja acompanhada pela instalação de novos pontos.

A infraestrutura não será exclusiva da Transjordano. A estratégia da empresa é abrir os postos a outras transportadoras, em um modelo de abastecimento compartilhado. A Ultragaz venderá o biometano diretamente aos transportadores, enquanto a GarageLog ficará responsável pelo recebimento, armazenagem e abastecimento, cobrando uma tarifa pelo serviço.

A GarageLog já opera uma unidade em Cubatão, com pátio de triagem, estacionamento compartilhado, abastecimento e outros serviços para transportadores. Segundo a empresa, o local recebe mais de 300 veículos por dia. Com a estratégia do corredor verde, a Garagelog amplia o escopo de serviços oferecidos e abrangência da sua atuação.

Cilindros adicionais elevam autonomia para 700 km

Outro desafio para viabilizar o corredor foi a autonomia dos veículos. Os Scania utilizados pela Transjordano saem de fábrica com oito cilindros. Para a nova operação, recebem outros seis, totalizando 14 cilindros e ampliando a capacidade de armazenamento do combustível.

Com a configuração original, a autonomia fica pouco acima de 400 quilômetros. Com os cilindros adicionais, pode chegar a 700 quilômetros, considerando percursos com o veículo carregado e vazio. A distância é suficiente, por exemplo, para percorrer diretamente os cerca de 450 quilômetros entre Ribeirão Preto e Cubatão.

A instalação dos equipamentos exigiu também adequação para atender aos limites de peso. Segundo Bessa, a configuração permite elevar o Peso Bruto Total Combinado (PBTC) de 74 para 75 toneladas, compensando aproximadamente uma tonelada acrescentada pelo conjunto instalado nos veículos.

A ampliação da autonomia foi considerada essencial no desenho do projeto. Durante o desenvolvimento do corredor, a transportadora concluiu que a configuração original não seria suficiente para substituir caminhões a diesel nas rotas que já operava e buscou uma solução para acrescentar seis cilindros aos veículos.

Abastecimento leva de oito a 12 minutos

A Ultragaz desenvolveu uma solução específica para os pontos de abastecimento. O biometano é transportado sob alta pressão, a 250 bar, até os pontos de abastecimento do corredor.

Segundo a companhia, o sistema desenvolvido no Brasil utiliza cerca de um décimo da potência elétrica demandada por soluções convencionais de compressão e permite abastecer os caminhões quatro vezes mais rapidamente. A expectativa é realizar o processo em aproximadamente oito a 12 minutos.

O tempo de abastecimento é um dos componentes considerados necessários para aproximar a operação com biometano da produtividade exigida no transporte rodoviário de cargas.

BNDES financia caminhões e infraestrutura

O projeto recebeu aprovação de R$ 140 milhões em financiamento do BNDES. Do total, R$ 98 milhões são provenientes do Fundo Clima e R$ 42 milhões do programa BNDES Máquinas e Serviços.

Os recursos contemplam a aquisição dos 100 caminhões, os conjuntos adicionais de cilindros para ampliação da autonomia e a implantação da infraestrutura de abastecimento.

A liberação do financiamento acompanha o cronograma de produção dos veículos. O pedido dos 100 caminhões já foi fechado, mas os pagamentos são realizados em etapas, conforme as unidades são produzidas e entregues.

5,5 milhões de quilômetros por ano

Com os 100 caminhões em operação, a previsão é que a nova frota percorra cerca de 5,5 milhões de quilômetros por ano utilizando biometano em substituição ao diesel. O volume representará aproximadamente 17% de toda a quilometragem rodada pela Transjordano.

Segundo dados apresentados pela empresa e submetidos à verificação independente da Bureau Veritas, o projeto deverá evitar 6.486,35 toneladas de CO₂ equivalente por ano, redução estimada em 96% frente à mesma operação realizada com caminhões a diesel.

A transportadora pretende ainda fornecer aos embarcadores relatórios sobre as emissões evitadas no transporte de suas cargas, permitindo que os resultados sejam incorporados aos indicadores de redução de emissões de Escopo 3.

Além de substituir gradualmente veículos a diesel em operações existentes, a Transjordano pretende utilizar a nova frota para conquistar outros negócios. Bessa afirmou que a companhia já mantém conversas com empresas de segmentos como cosméticos e comércio eletrônico. Nesses casos, os cavalos mecânicos poderão receber implementos como baús e siders, conforme as características das novas operações.

A expansão da rede de abastecimento deverá acompanhar esse movimento. Por enquanto, a companhia mantém em sigilo a localização do quarto ponto, mas deixa claro que o Corredor Verde foi concebido para ultrapassar o eixo inicial entre Ribeirão Preto e o Porto de Santos.

Fique por dentro de todas as novidades do setor de transporte de carga e logística:
Siga o canal da Transporte Moderno no WhatsApp
Acompanhe nossas redes sociais: LinkedIn, Instagram e Facebook
Inscreva-se no canal do Videocast Transporte Moderno

Veja também

CEO
Marcelo Fontana
[email protected]
Editora
Aline Feltrin
[email protected]
/aline-feltrin
Repórter
Valéria Bursztein
[email protected]
/valeria-bursztein
Executivo de contas
Tânia Nascimento
[email protected]
Raul Urrutia
[email protected]
Financeiro
Vidal Rodrigues
[email protected]
Eventos corporativos / Marketing
Barbara Ghelen
[email protected]
Publicidade
Karoline Jones
[email protected]
Representante região Sul (PR/RS/SC)
Gilberto A. Paulin
+55 (41) 3029-0563
João Batista A. Silva
[email protected]

Aviso de reprodução Este conteúdo pode ser compartilhado com responsabilidade

Este conteúdo pode ser reproduzido, desde que seja citada a fonte com link: Agência Transporte Moderno. Respeitar a autoria e indicar a origem da informação contribui para fortalecer o bom jornalismo e a produção de conteúdo confiável.