Chineses ampliam presença no mercado europeu de caminhões na IAA 2026

Expansão de redes de assistência e acordos com parceiros locais acompanham a chegada de novos fabricantes ao continente

Aline Feltrin, de Hannover, Alemanha

Pelo menos dez marcas chinesas de caminhões elétricos estiveram presentes na IAA Transportation 2026, em Hannover, segundo levantamento da publicação especializada Electrive. SANY, Sinotruk, SuperPanther, Skyworth Auto, FAW Trucks, Dongfeng, Foton, Farizon, Wisdom Motor e DeepWay estão entre as empresas identificadas. A participação ocorreu em uma edição que reuniu 1.589 expositores de 46 países e mais de 150 estreias mundiais e novos produtos, segundo a organização da feira. A BYD também apresentou na IAA o ETT 44, cavalo mecânico elétrico para operações de longa distância.

A presença das fabricantes chinesas ocorre em diferentes estágios de entrada no mercado europeu. Enquanto algumas empresas utilizam a feira para apresentar novos modelos e estabelecer contatos comerciais, outras já avançaram para estruturas de distribuição, pós-venda e produção no continente. Sinotruk e SuperPanther, por exemplo, iniciaram a montagem de caminhões elétricos em parceria com a Steyr Automotive, na Áustria. A Sinotruk levou para Hannover veículos e componentes de diferentes empresas do grupo, enquanto a SuperPanther utiliza a produção europeia como parte de sua estratégia de entrada no mercado.

Chineses avançam da exportação para a produção local

A montagem local representa uma mudança na forma de atuação de parte das fabricantes chinesas na Europa. Além da produção, as empresas vêm estruturando canais de distribuição, assistência técnica e fornecimento de peças. No mercado de veículos pesados, esses serviços são necessários para a operação de frotas e fazem parte da estrutura comercial das fabricantes estabelecidas.

Uma análise publicada pela Eurotransport aponta que fabricantes chineses estão chegando ao continente acompanhados de estruturas próprias de distribuição, parceiros europeus e produção local, em vez de depender exclusivamente da exportação de veículos produzidos na China.

A BYD ampliou sua atuação no segmento de caminhões pesados com a apresentação do ETT 44. O cavalo mecânico elétrico foi desenvolvido para o transporte de longa distância e amplia o portfólio da fabricante no mercado europeu de veículos comerciais. A empresa já atua em outras categorias de veículos comerciais e vem ampliando a oferta de modelos elétricos destinados ao mercado europeu.

A Foton levou à IAA sete modelos de veículos de novas energias e seis componentes desenvolvidos internamente, incluindo soluções elétricas a bateria e sistemas com célula a combustível. A empresa também vem estruturando sua operação comercial e de pós-venda na Europa e reuniu parceiros de diferentes países durante a feira para tratar da expansão regional. Segundo informações divulgadas pela fabricante, veículos da marca Cavan estão sendo introduzidos em 15 países europeus.

A Farizon, marca de veículos comerciais do grupo Geely, apresentou soluções baseadas em eletrificação, arquitetura modular e sistemas digitais. A empresa também vem estabelecendo parcerias para ampliar sua presença no continente. A estratégia coloca a marca entre os novos participantes do mercado europeu de veículos comerciais que utilizam a eletrificação e a digitalização como parte da proposta de seus produtos.

Diferentes estratégias para entrar no mercado europeu

A lista de participantes chineses reúne fabricantes com perfis e níveis de desenvolvimento comercial diferentes. O levantamento da Electrive identificou, além das marcas já citadas, empresas como FAW Trucks, Dongfeng, Wisdom Motor e DeepWay. Algumas já possuem veículos em operação ou estruturas de distribuição, enquanto outras ainda trabalham na homologação dos modelos e na formação de redes comerciais e de assistência. A presença na IAA, portanto, não representa necessariamente o início imediato de vendas em grande escala na Europa.

A expansão das marcas chinesas acontece em um mercado que ainda é dominado pelos motores a diesel. No primeiro semestre de 2026, os caminhões eletricamente recarregáveis responderam por 4,8% das novas matrículas de caminhões na União Europeia, enquanto os modelos a diesel representaram 92,1%, segundo dados da Acea, associação que representa as montadoras europeias. A participação dos elétricos permanece pequena no mercado total, embora o segmento esteja crescendo e atraindo investimentos de fabricantes tradicionais e novos participantes.

A cadeia chinesa de veículos comerciais também inclui empresas que não atuam diretamente na fabricação dos caminhões. A CATL, por exemplo, fornece baterias para veículos comerciais, enquanto outros grupos chineses trabalham com componentes, sistemas elétricos e infraestrutura de energia. A participação desses fornecedores acompanha a expansão dos veículos eletrificados e amplia o número de empresas chinesas envolvidas na cadeia de produção e operação dos caminhões elétricos na Europa.

Fabricantes tradicionais mantêm presença consolidada

As fabricantes chinesas encontram na Europa grupos que possuem presença consolidada no mercado. DAF, Daimler Truck, MAN, Scania, Volvo Trucks e Renault Trucks construíram redes de concessionárias e assistência e mantêm relacionamento com grandes frotistas e transportadoras. Essas estruturas são utilizadas tanto para a comercialização dos caminhões convencionais quanto para a introdução dos novos modelos elétricos. A própria IAA reuniu fabricantes tradicionais e novos concorrentes em uma mesma edição.

A eletrificação coloca fabricantes tradicionais e novos participantes diante de uma mudança tecnológica que envolve não apenas o veículo, mas também a infraestrutura necessária para sua operação. Recarga, disponibilidade de energia, autonomia, manutenção e custo operacional passam a integrar as decisões de compra das empresas de transporte. Na IAA, 84 veículos foram disponibilizados para test drives, sendo a maioria totalmente elétrica. Segundo a organização, foram realizados 8.500 testes durante a feira, 32,5% a mais do que em 2024.

Próxima etapa será transformar presença em vendas

A presença chinesa na IAA 2026 reúne, portanto, empresas em diferentes etapas de construção de suas operações europeias. Algumas concentram esforços na apresentação de produtos e na busca por parceiros, enquanto outras já possuem produção, distribuição ou estruturas de pós-venda no continente. O avanço poderá ser acompanhado pela evolução das vendas, pela expansão das redes de assistência e pelo aumento da produção ou montagem local.

Apesar da expansão das marcas chinesas, os fabricantes tradicionais continuam concentrando a maior parte do mercado europeu de caminhões, enquanto o diesel permanece como principal tecnologia de propulsão. A participação chinesa na IAA, por enquanto, representa principalmente a ampliação do número de concorrentes e de tecnologias disponíveis durante a transição para veículos de menor emissão. A evolução dessa presença dependerá da capacidade das novas marcas de transformar os lançamentos apresentados em Hannover em veículos homologados, vendas, redes de serviço e operações regulares no mercado europeu.

Fique por dentro de todas as novidades do setor de transporte de carga e logística:
Siga o canal da Transporte Moderno no WhatsApp
Acompanhe nossas redes sociais: LinkedInInstagram e Facebook
Inscreva-se no canal do Videocast Transporte Moderno

Veja também

CEO
Marcelo Fontana
[email protected]
Editora
Aline Feltrin
[email protected]
/aline-feltrin
Repórter
Valéria Bursztein
[email protected]
/valeria-bursztein
Executivo de contas
Tânia Nascimento
[email protected]
Raul Urrutia
[email protected]
Financeiro
Vidal Rodrigues
[email protected]
Eventos corporativos / Marketing
Barbara Ghelen
[email protected]
Publicidade
Karoline Jones
[email protected]
Representante região Sul (PR/RS/SC)
Gilberto A. Paulin
+55 (41) 3029-0563
João Batista A. Silva
[email protected]

Aviso de reprodução Este conteúdo pode ser compartilhado com responsabilidade

Este conteúdo pode ser reproduzido, desde que seja citada a fonte com link: Agência Transporte Moderno. Respeitar a autoria e indicar a origem da informação contribui para fortalecer o bom jornalismo e a produção de conteúdo confiável.