A Intermodal South America 2026 chega à 30ª edição em um momento em que a logística passa por uma reconfiguração acelerada, pressionada por custos, mudanças regulatórias e avanço tecnológico. Pela primeira vez, o evento reúne 700 marcas expositoras e será realizado de 14 a 16 de abril, no Distrito Anhembi, em São Paulo.
Essa convergência se traduz na própria agenda e nos estandes. Plataformas de inteligência artificial voltadas à previsão climática aplicada à operação portuária, sistemas de gestão logística em tempo real e soluções automatizadas para centros de distribuição e frotas aparecem como respostas diretas a um ambiente mais volátil e exigente. Robôs autônomos, sensores vestíveis para segurança operacional e ferramentas de classificação fiscal automatizada reforçam o avanço da digitalização nas operações.
Ao mesmo tempo, tecnologias de eletrificação de equipamentos, gestão de risco, leitura inteligente de cargas e simuladores imersivos evidenciam um setor que busca simultaneamente eficiência, segurança e redução de custos.
Momento atual pauta discussões no evento
Os temas que dominam o debate logístico global também estruturam as discussões da Intermodal. A alta do petróleo, por exemplo, segue pressionando os custos em todos os modais, enquanto tensões geopolíticas ampliam a incerteza sobre rotas e oferta de energia.
No Brasil, a reforma tributária começa a alterar a lógica das cadeias, levando empresas a revisitar redes logísticas sob a ótica da eficiência operacional. Já a possível implementação do acordo entre o Mercosul e a União Europeia aparece como vetor adicional de pressão sobre portos, contêineres e corredores de exportação.
Esses movimentos, discutidos ao longo da programação do Interlog Summit, evento composto pelo Congresso Intermodal e pela Conferência Nacional de Logística, reforçam o papel do evento como ponto de convergência entre decisões estratégicas e soluções operacionais.
Porto de Santos e energia entram na agenda
A relação entre logística e segurança energética também ganha espaço no evento. O Porto de Santos passou a priorizar a atracação de navios com combustíveis para reduzir o risco de desabastecimento em São Paulo, em meio à pressão global sobre a oferta.
A decisão altera a dinâmica do principal hub logístico do país e será pano de fundo para discussões sobre capacidade portuária e expansão. No dia 15, Anderson Pomini, presidente da Autoridade Portuária de Santos, apresenta o projeto do Tecon Santos 10, enquanto representantes internacionais, como o porto de Barcelona, trazem uma leitura externa sobre os mesmos desafios.
Custo de vida e eficiência entram no radar
Outro eixo que atravessa o evento é o impacto da logística no custo de vida. A elevação do frete, as mudanças de rota e as restrições operacionais chegam rapidamente ao consumidor final, influenciando preços e prazos.
Ganha força nesta edição a busca por eficiência operacional, apoiada em tecnologia e redes mais bem dimensionadas — um movimento visível tanto nas soluções apresentadas quanto nos debates do congresso.
Outro assunto que será destaque é o avanço da automação e da inteligência artificial, que aparece na Intermodal como vetor de ganho de produtividade, mas também como fator de pressão sobre o mercado de trabalho. A escassez de mão de obra qualificada surge como um dos principais desafios operacionais do setor.
A necessidade de requalificação profissional e adaptação às novas tecnologias passa a fazer parte da agenda estratégica das empresas, tema recorrente nas discussões do evento.
Em um cenário de cadeias mais complexas e custos mais voláteis, o evento funciona menos como vitrine e mais como espaço de alinhamento — onde tendências, riscos e soluções são discutidos de forma integrada, com impacto direto sobre a competitividade das empresas e do país.



