A participação feminina no setor de frotas e logística no Brasil atingiu 22% em 2026, ante 15,8% no levantamento anterior, segundo pesquisa da Platform Science em parceria com a Gestran. O avanço ocorre após um período de estagnação e sugere uma mudança mais consistente no perfil da área.
Os dados foram apurados com base na operação da Gestran, que reúne cerca de 70 mil veículos e 7 mil usuários ativos em 20 estados. O movimento aproxima o país de mercados mais maduros, onde a presença feminina no transporte varia entre 20% e 25%, de acordo com a Associação Brasileira dos Operadores Logísticos (ABOL).
Mudança no perfil da operação
Para Paulo Raymundi, CEO da Gestran, a evolução vai além de uma agenda de diversidade e reflete uma transformação na própria lógica da operação logística. Segundo ele, o setor passa por uma reconfiguração, com menor dependência da execução operacional e maior foco em gestão.
“O aumento da participação feminina no setor de frotas vai além de um avanço social. Ele traduz uma mudança concreta no perfil da gestão, hoje mais orientada a processos, dados e coordenação operacional. A operação logística está cada vez mais apoiada em sistemas de gestão de frotas, telemetria, monitoramento em tempo real e ferramentas de inteligência — e o diferencial competitivo deixou de estar na execução operacional para se concentrar na capacidade de gestão”, afirma Raymundi.
De acordo com o executivo, o crescimento da presença feminina se concentra sobretudo em funções ligadas a planejamento, controle e análise, áreas diretamente impactadas pela digitalização da logística.
“O estudo vai além de apontar o aumento da presença feminina no setor — ele revela o avanço da maturidade da própria área. O crescimento da participação das mulheres se concentra, sobretudo, em funções alinhadas a essa transformação, como planejamento, controle, análise e gestão de processos. Não se trata de uma agenda isolada de diversidade, mas de uma resposta à reconfiguração do núcleo da operação logística, hoje orientado por inteligência, dados e gestão. Não é substituição, é reconfiguração”, diz o CEO da Gestran.
Impacto em eficiência
A maior diversidade também começa a ser associada a ganhos operacionais. Segundo Raymundi, ambientes mais diversos tendem a melhorar a organização e reduzir falhas.
“Na prática, a diversidade deixa de ser apenas um tema institucional e passa a se conectar com produtividade. E ambientes mais diversos tendem a apresentar ganhos em organização, redução de erros operacionais e melhoria de processos, fatores que impactam diretamente custo e desempenho”, conclui.
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