A pressão por redução de custos logísticos e maior previsibilidade nas cadeias industriais tem levado empresas a ampliar o uso da ferrovia em operações de longa distância. Nesse contexto, a Brado Logística e a Alcoa estruturaram uma rota multimodal para o transporte de alumínio entre o Maranhão e São Paulo, com uso da Ferrovia Norte-Sul como eixo principal.
A operação conecta a unidade da Alumar, em São Luís (MA), a clientes no Sudeste ao longo de mais de 2.700 quilômetros, combinando transporte rodoviário nos trechos de origem e destino com a ferrovia no percurso principal. O modelo busca reduzir a dependência do transporte rodoviário em rotas longas, tradicionalmente mais expostas à volatilidade de custos e prazos.
Desde o início da operação, em julho de 2025, foram realizadas 13 viagens, com movimentação de 22,5 mil toneladas de alumínio. O volume ainda é limitado, mas tem sido utilizado para consolidar parâmetros operacionais e validar a regularidade do corredor logístico.
Teste de corredor ferroviário
O setor busca ampliar a participação da ferrovia no transporte de cargas industriais, hoje ainda concentrada em granéis. A criação de rotas regulares para produtos de maior valor agregado é vista como um dos principais desafios para diversificar o uso do modal no país.
O transporte de lingotes, com cerca de 1,1 tonelada por unidade, exige controle rigoroso de embalagem, rastreabilidade e ocupação de contêineres, o que historicamente limitou o uso da ferrovia em cadeias mais sensíveis a atrasos.
A expectativa das empresas é reduzir a volatilidade nos prazos de entrega e aumentar a confiabilidade do abastecimento industrial, em um cenário de maior exigência por previsibilidade. A operação também apresenta ganhos ambientais. No segundo semestre de 2025, a migração parcial para a ferrovia reduziu mais de 5 mil toneladas de CO₂ em relação ao transporte rodoviário.
Apesar dos avanços, a ampliação do modelo ainda depende de escala e de maior integração entre modais. A consolidação de corredores ferroviários para cargas industriais segue condicionada à regularidade operacional, à competitividade de custos e à capacidade de adaptação das cadeias produtivas.
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