A BorgWarner avalia que o programa Move Brasil teve impacto abaixo do esperado sobre o mercado de caminhões em 2026 e não foi suficiente para destravar uma retomada mais consistente da produção. A leitura é de Melissa Mattede, gerente-geral da companhia no Brasil.
“Eu esperava que o Move Brasil puxasse mais a retomada, que desse um respiro maior”, afirma a executiva. Segundo ela, apesar de algum efeito pontual — especialmente em março — o programa não conseguiu alterar de forma estrutural o ritmo do mercado, que segue pressionado por juros elevados e pelo nível de estoques das montadoras.
Após uma queda de cerca de 15% na produção no último trimestre de 2025, a BorgWarner iniciou o ano sem novas retrações, mas também sem crescimento relevante. “No primeiro trimestre, não vimos queda em relação ao último trimestre, mas também não houve crescimento expressivo”, diz Melissa.
Em março, houve uma leve reação, estimada em cerca de 3%, mas concentrada em algumas montadoras que aproveitaram oportunidades de exportação. “Foi um crescimento muito localizado, não generalizado”, avalia.
Juros seguem como principal entrave
Na avaliação da executiva, o principal limitador da demanda continua sendo o custo do crédito, que reduz a efetividade de programas de incentivo. Segundo a executiva: “Quem vai ao banco não paga 14,75%. Vai pagar 25%, 26%, 27%. Isso inviabiliza muitas decisões de compra”, afirma.
Nesse cenário, transportadores tendem a adiar a renovação de frota. “Acaba sendo mais vantajoso reformar o caminhão que já tem do que assumir um financiamento de longo prazo com juros altos.”
Sem uma queda mais consistente das taxas de juros ou novos estímulos, a expectativa da companhia é de estabilidade no segmento de pesados ao longo de 2026. “Vai andar de lado. Não enxergo crescimento na linha de pesados”, diz. Ainda assim, Melissa pondera que manter o nível de 2025 já seria um resultado positivo, considerando que apenas o último trimestre do ano passado teve desempenho mais fraco.
Aftermarket ganha protagonismo
Diante da fraqueza no mercado de veículos novos, a BorgWarner reforça a aposta no aftermarket, que vem sustentando o desempenho da operação no país. De acordo com a avaliação de Melissa, o aftermarket de pesados cresceu muito nos últimos anos, com altas de 12% a 15% ao ano.
A dinâmica é favorecida justamente pelo adiamento da renovação de frota, que aumenta a demanda por manutenção e reposição de componentes. “Quando há queda nos volumes de produtos mais novos, conseguimos direcionar a produção para linhas anteriores, que têm forte demanda na reposição.”
Potencial segue, mas depende de condições
Apesar do cenário atual, a executiva avalia que o mercado brasileiro mantém potencial de crescimento no longo prazo. “O Brasil já produziu perto de 200 mil caminhões por ano. Existe capacidade para voltar a esse nível”, afirma.
No curto prazo, no entanto, a retomada segue condicionada a uma melhora nas condições de crédito e a medidas mais consistentes de estímulo à demanda.
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