Com o esgotamento dos recursos do MovE Brasil ainda em março, o Consórcio Scania voltou a ganhar tração no mercado de caminhões e deve recuperar espaço ao longo de 2026, na avaliação de Oscar Jaern, presidente da Scania Serviços Financeiros Brasil.
Durante a vigência do programa, que oferecia crédito subsidiado, a modalidade perdeu protagonismo. “O cliente estava focado em aproveitar o momento do programa e deixou outras modalidades em segundo plano”, afirma.
Com o fim dos recursos, o movimento começou a se inverter. Dados da companhia mostram que as vendas de consórcio cresceram mais de 50% em março na comparação com fevereiro, após dois meses de retração no início do ano. “Tivemos um começo de ano mais fraco para consórcio, mas março já mostrou uma recuperação consistente”, diz o executivo.
Segundo ele, o ambiente de juros elevados tende a sustentar essa retomada. “Em um cenário de crédito mais caro, o consórcio volta a ser considerado pelo cliente como alternativa de planejamento. Não depende de taxa de juros e permite organizar a aquisição ao longo do tempo”, avalia.
Apesar desse avanço, o financiamento segue como principal modalidade de aquisição de caminhões no país, ainda que em ritmo mais moderado. Segundo o executivo, o mercado já dá sinais de arrefecimento, com transportadores mais cautelosos diante do custo do crédito e do cenário econômico. Segundo Jaern, o financiamento continua sendo a principal modalidade, mas o cliente está mais seletivo e avaliando melhor o momento de investir.
Nesse contexto, o avanço do consórcio reflete menos uma substituição direta e mais uma recomposição do mix de aquisição. Com maior restrição ao crédito e menor apetite para imobilização de capital, transportadores tendem a buscar alternativas que permitam planejamento financeiro e diluição de risco ao longo do tempo.
Ainda assim, o executivo pondera que a modalidade não substitui o financiamento em todas as situações. “O consórcio é uma ferramenta de planejamento. Se o cliente precisa do caminhão imediatamente, ele não substitui o financiamento”.
Locação como alternativa
A locação também aparece como alternativa, embora em um ambiente mais seletivo. No início do ano, a Scania fechou dois contratos relevantes: um com cerca de 50 veículos para uma transportadora do Sul e outro envolvendo até 100 caminhões voltados ao transporte de cana.
“O aluguel se mantém como solução importante, principalmente para operações estruturadas e clientes recorrentes. Esses contratos de maior escala seguem acontecendo”, afirmou o executivo da Scania Serviços Financeiros Brasil.
Por outro lado, ele reconhece que o modelo perdeu força recente e enfrenta um cenário mais desafiador. “Com o aumento do custo financeiro e um mercado mais desacelerado, o apetite por novos contratos diminuiu. A locação sente esse movimento de forma direta”.
Com emplacamentos abaixo do registrado no ano passado e sem a renovação do programa federal, o setor tende a operar em uma dinâmica mais dependente das condições de crédito e da capacidade de investimento das transportadoras, reforçando o caráter cíclico das decisões de renovação de frota.
Inadimplência
A inadimplência segue como ponto de atenção para as operações financeiras, especialmente em um ambiente de custos elevados no transporte. “É um tema que acompanhamos de perto. O cenário econômico mais restritivo exige disciplina maior na concessão de crédito e na gestão da carteira”, alerta Jaern.
De acordo com o executivo, o comportamento desse indicador será determinante para sustentar o ritmo de crescimento das modalidades alternativas. “A expansão precisa vir acompanhada de qualidade. Esse é o equilíbrio que o setor precisa buscar neste momento”.
Reacomodação do mercado
Sem o estímulo do crédito subsidiado, o mercado de caminhões entra em uma fase de reacomodação, em que a decisão de investimento volta a ser guiada principalmente por custo de capital, previsibilidade de demanda e gestão de caixa. Nesse cenário, a tendência é de maior diversificação nas formas de aquisição, com consórcio e locação ganhando espaço relativo, ainda que o financiamento permaneça dominante.
Para o setor, o movimento indica uma transição de um ciclo artificialmente aquecido para um ambiente mais próximo das condições estruturais da economia, com impactos diretos sobre o ritmo de renovação de frota, a estratégia das transportadoras e a própria dinâmica de vendas da indústria.
Fique por dentro de todas as novidades do setor de transporte de carga e logística:
Siga o canal da Transporte Moderno no WhatsApp
Acompanhe nossas redes sociais: LinkedIn, Instagram e Facebook
Inscreva-se no canal do Videocast Transporte Moderno



