A escalada dos combustíveis voltou a pressionar a aviação agrícola no Brasil, com impacto direto sobre os custos de produção no campo. Levantamento do Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola aponta alta de até 67,3% na gasolina de aviação (AVGAS), utilizada por aeronaves com motor a pistão. O querosene de aviação (QAV), usado por aeronaves turboélice, avançou 51,6%, enquanto etanol e diesel registraram elevações mais moderadas, de 6,9% e 7,7%, respectivamente.
Com a elevação dos combustíveis, os custos operacionais das empresas aeroagrícolas subiram entre 14% e 40%, com média próxima de 25%, segundo o estudo. Para manter a viabilidade das operações, o setor estima necessidade de reajuste superior a 10% nos preços dos serviços.
“Quando o custo sobe na aplicação, ele sobe na lavoura. E isso, inevitavelmente, chega ao preço dos alimentos, das fibras e da energia”, afirma Cláudio Júnior Oliveira, diretor operacional do Sindag e economista responsável pelo levantamento.
A pesquisa considerou 30 empresas em diferentes regiões do país, com presença em polos estratégicos da produção agrícola. O segmento atende culturas que concentram parcela relevante das exportações brasileiras, como soja, milho, açúcar, café, celulose e algodão, além de cadeias como carnes bovina e de frango.
Risco sistêmico
O estudo também indica aumento recente no Índice de Inflação da Aviação Agrícola (IAVAG), após um alívio pontual em fevereiro. A tendência voltou a se inverter, com previsão de alta superior a 6,75% em março, puxada principalmente pelos custos energéticos.
Para o Sindag, o cenário combina fatores externos, como a dinâmica internacional do petróleo, e variáveis domésticas, o que amplia a sensibilidade do setor. “O combustível hoje é uma variável estratégica. Ele impacta diretamente a margem, a competitividade e a capacidade operacional das empresas”, diz Oliveira.
Diante do avanço dos custos, a entidade articula junto ao Instituto Pensar Agro (IPA), à Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e a órgãos do governo medidas de apoio ao setor, incluindo a discussão de subsídios.
No curto prazo, as empresas têm buscado absorver parte dos impactos com revisão de contratos e ajustes operacionais. Também cresce o uso de alternativas como o etanol, que já responde por cerca de 20% da frota e apresentou menor volatilidade no período.
Ainda assim, a avaliação é de que a pressão tende a se disseminar ao longo da cadeia. “Se esse cenário persistir, os efeitos não ficarão na aviação agrícola. Eles se espalharão por toda a economia”, conclui o diretor operacional do Sindag.
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