As armadoras Maersk e Hapag-Lloyd mantêm postura cautelosa diante da possível reabertura do Estreito de Ormuz, após anúncio de trégua entre Estados Unidos e Irã. Apesar do alívio inicial, as companhias indicaram que ainda não há condições para retomada plena das operações na rota.
O corredor responde por cerca de 20% do fluxo mundial de petróleo e segue como um dos principais pontos de pressão sobre o transporte marítimo global.
Serviços sob avaliação
Conforme informações apuradas pela site chileno Mundo Marítimo, a Maersk informou que não fará mudanças imediatas em seus serviços. A empresa condiciona qualquer retomada a avaliações contínuas de risco e à evolução das condições de segurança. “Adotamos uma abordagem cautelosa e não estamos realizando mudanças em serviços específicos”, informou a companhia.
Como alternativa, a armadora vem utilizando soluções combinadas, com desembarque em portos como Jeddah, Salalah, Sohar e Khor Fakkan, seguido de transporte terrestre para destinos no Golfo.
Já a Hapag-Lloyd projeta retomada gradual, caso o cenário se estabilize. Segundo o CEO Rolf Habben Jansen, a normalização da rede pode levar entre seis e oito semanas. A companhia estima custos adicionais entre US$ 50 milhões e US$ 60 milhões por semana, com repasse parcial aos clientes.
Capacidade travada e frete pressionado
Cerca de 1.000 embarcações permanecem retidas na região, reduzindo a oferta efetiva de navios e pressionando fretes, prazos e disponibilidade de contêineres. O quadro se soma às disrupções recentes no Mar Vermelho, que já haviam alongado rotas e encarecido o transporte global.
O impacto vai além do transporte marítimo. A restrição da rota eleva custos ao longo da cadeia e pressiona mercados sensíveis, com reflexos indiretos para países importadores de insumos, como o Brasil.
Entretanto, dados da consultoria Drewry indicam que, embora as tarifas spot tenham avançado desde o início do conflito, os níveis permanecem abaixo dos picos registrados na pandemia de Covid-19, quando as taxas chegaram a multiplicar por mais de quatro em rotas Leste-Oeste. No cenário atual, a volatilidade está concentrada nas rotas ligadas ao Oriente Médio, sem queda relevante de capacidade global — com exceção do Golfo.
“Diferentemente do transporte aéreo, o transporte marítimo de contêineres não registrou uma queda relevante de capacidade após o início do conflito com o Irã, com exceção das rotas de e para o Golfo”, afirmou Philip Damas, chefe da área de logística da Drewry. “Por isso, acreditamos que o aumento das tarifas marítimas em rotas não conectadas ao Oriente Médio será administrável e os embarcadores não devem entrar em pânico”, acrescentou.
Os dados da Drewry indicam que a volatilidade mais intensa está concentrada nas rotas diretamente conectadas ao Oriente Médio. Nesses casos, as tarifas apresentam níveis de oscilação comparáveis aos registrados durante a pandemia e, em alguns momentos, até superiores. Ainda assim, a consultoria avalia que os preços podem se ajustar à medida que práticas oportunistas de precificação sejam corrigidas.
Em todas as rotas, a consultoria recomenda que os embarcadores acompanhem de perto os dados de mercado e a evolução das tarifas, especialmente diante do aumento dos custos com combustível (bunker).
Mesmo com a trégua, a retomada das operações segue condicionada à segurança na região. Para armadores e embarcadores, o cenário mantém a necessidade de rotas alternativas, prazos mais longos e custos elevados.
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