JSL tenta reduzir rotatividade e viagens vazias com programa de findelidade

Iniciativa integrada ao app Cargas e Fretes mira inicialmente 10 mil motoristas e usa dados e benefícios para elevar recorrência dos terceirizados

Valeria Bursztein

A JSL lançou um programa de fidelidade para motoristas autônomos com foco em dois pontos críticos da operação rodoviária: a rotatividade — acima de 30% entre agregados — e os deslocamentos sem carga. A iniciativa, batizada de “Estrada de Prêmios”, passa a operar dentro do aplicativo Cargas e Fretes e deve alcançar 10 mil usuários até julho.

O programa começou a ser testado em fevereiro e reúne hoje cerca de 900 motoristas cadastrados no piloto. Nesse período, foram registradas mais de 5 mil viagens, com distribuição de 10 milhões de pontos e 350 mil já resgatados. A base total do aplicativo soma aproximadamente 2 mil usuários ativos.

“O programa nasce com o propósito de fortalecer nossa base de motoristas e aumentar a eficiência da operação”, afirma Guilherme Sampaio, CEO da JSL.

Germano Lüders Guilherme Sampaio, CFO da JSL – Foto: Germano Lüders

A companhia busca reduzir a substituição recorrente de motoristas, especialmente no modelo de agregados, em que o profissional opera com ativos da própria empresa. Nesses casos, a saída implica custo direto com desmobilização, instalação de equipamentos e novo cadastro.

O programa combina pontuação por viagem — na proporção de R$ 1 por ponto — com benefícios voltados ao dia a dia da operação, como descontos em diesel e pneus, além de produtos de consumo. Parte das vantagens é liberada apenas com o cadastro no aplicativo.

Uso de dados e oferta de carga

O programa está integrado ao funcionamento do aplicativo, que conecta motoristas a cargas disponíveis e organiza a jornada da viagem. A ferramenta utiliza dados de perfil do veículo, histórico e localização para direcionar ofertas.

A geolocalização dos motoristas é um dos pilares do modelo. Ao manter o GPS ativo no aplicativo, o motorista passa a ser elegível a benefícios adicionais e, ao mesmo tempo, aumenta sua visibilidade dentro da plataforma. Com isso, a companhia consegue identificar, em tempo real, quais veículos estão mais próximos de uma nova demanda e direcionar ofertas com maior precisão.

Hoje, a visibilidade sobre os terceiros é limitada ao período em que estão carregando para a empresa. “Só conseguimos rastrear o terceiro quando ele está em viagem. Fora disso, não temos visibilidade. Ao incentivar o uso do GPS, passamos a saber onde esse motorista está e conseguimos ofertar carga com mais rapidez”, afirma Sampaio.

Na prática, o mecanismo reduz o intervalo entre entregas e amplia a probabilidade de fechamento de cargas de retorno — um dos principais gargalos do transporte rodoviário. “Se eu sei que o motorista está em uma determinada região, consigo ofertar uma carga ali mesmo. Isso reduz o deslocamento vazio e aumenta a chance de ele emendar uma viagem na outra”, diz o executivo.

O modelo também permite antecipar demandas e sugerir fretes antes mesmo da conclusão da viagem em curso, com base no destino e no tempo estimado de chegada. Com isso, a companhia reduz fricção na negociação e aumenta a taxa de ocupação dos veículos, enquanto o motorista ganha previsibilidade de receita.

Foco em carga lotação

A estratégia digital da companhia está concentrada no segmento de carga lotação (FTL), que responde pela maior parte do transporte rodoviário. Segundo a empresa, esse mercado soma cerca de R$ 195 bilhões dentro de um universo estimado em R$ 500 bilhões.

A estratégia digital parte da padronização da jornada operacional. “Independentemente do tipo de carga, a jornada é a mesma: identificar a demanda, conectar ao ativo, acompanhar a viagem e garantir a entrega”, avalia Otávio Fonseca, diretor de Digitalização Logística da JSL.

Valeria Bursztein Centro Logístico Intermodal da JSL, em Itaquaquecetuba (SP) – Foto: Divulgação / JSL

Pontos, níveis e comportamento

Os motoristas evoluem em categorias, de Bronze a Diamante, conforme a frequência de viagens. O programa também inclui missões, usadas para direcionar comportamentos específicos, como metas de segurança ou adesão a determinadas operações.

A empresa pretende usar os dados gerados para diferenciar perfis e calibrar incentivos. Entre as possibilidades em estudo estão bonificações adicionais para condutores com melhor histórico operacional e de segurança.

Segundo a JSL, não há no país um modelo com o mesmo nível de integração entre fidelização, operação e digitalização. O programa foi desenvolvido ao longo de cerca de um ano, com base em referências internacionais.

Para a companhia, o desafio é aumentar a recorrência sem depender exclusivamente do preço do frete. “O motorista decide pelo frete, mas também busca previsibilidade e continuidade. O objetivo é combinar essas duas dimensões”, afirma Sampaio.

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