Recursos do Move Brasil devem sustentar emplacamentos até maio, diz presidente da Anfavea

Programa ajudou a atenuar queda do mercado, mas incertezas externas impedem revisão das projeções

Aline Feltrin

O presidente da Anfavea, Igor Calvet, afirmou que os efeitos do programa Move Brasil sobre o mercado de caminhões devem se estender até maio, à medida que os recursos liberados continuem sendo convertidos em emplacamentos.

Segundo o executivo, embora o crédito de R$ 9 bilhões destinados às empresas transportadoras já tenham se esgotado – restando apenas cerca de R$ 1 bilhão para caminhoneiros autônomos – , o impacto ainda não foi totalmente capturado pelos dados mais recentes. “Março marcou o início dessa atenuação, mas ainda não reflete todo o efeito dos recursos. Esse impacto deve aparecer de forma mais clara em abril e possivelmente em maio”, disse.

De acordo com Calvet, o programa contribuiu para suavizar a retração do mercado, especialmente em um cenário ainda desafiador para o setor. “O segmento continua em queda, mas em um ritmo menor. O Move Brasil ajudou a dar esse fôlego”, afirmou.

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Ele destacou que a melhora nas condições de crédito também teve papel relevante nesse movimento. A redução das taxas de juros facilitou o acesso ao financiamento, especialmente no segmento de caminhões, historicamente mais sensível ao custo do crédito.

Projeções inalteradas

Apesar do efeito positivo do programa, a Anfavea decidiu manter inalteradas suas projeções para o ano. Até dezembro, a expectativa é que haja a produção de 154 mil veículos pesados (a maioria caminhões), aumento, portanto de 1,4% sobre as 152 mil do ano passado. Já em vendas, a projeção é de 137 mil unidades, queda de 0,5% sobre 136 mil unidades.

A entidade avalia que ainda há incertezas relevantes no cenário macroeconômico, o que dificulta uma revisão mais assertiva neste momento.

Entre os fatores de risco, Calvet citou a volatilidade dos preços do petróleo, a elevação dos custos no setor agrícola — como fertilizantes e diesel — e a possibilidade de manutenção de juros elevados por mais tempo. Esses elementos, segundo ele, podem limitar uma recuperação mais consistente da demanda.

“Se olharmos isoladamente para o Move Brasil, o cenário seria mais positivo. Mas há outras variáveis que geram instabilidade e tornam difícil mensurar o impacto total sobre o mercado”, explicou.

O presidente da Anfavea também não descartou a possibilidade de novos estímulos ao setor, seja por meio da prorrogação do programa atual ou da criação de uma nova iniciativa. No caso do Move Brasil, Calvet afirmou que há tratativas com o governo federal no sentido de renovar o programa. O presidente da Anfavea salientou, entretanto, que a medida tem que ser colocada em prática em maio para que o efeito de sustentação dos emplacamentos se prolongue por mais alguns meses.

Por ora, no entanto, a leitura da entidade é de cautela. A combinação entre estímulos pontuais e pressões externas segue definindo o ritmo do mercado automotivo em 2026.

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