O Porto de Santos, responsável por cerca de 29% da corrente de comércio brasileira, tornou-se também o principal indicador das limitações estruturais do sistema portuário nacional. Em 2024, o complexo movimentou 179,8 milhões de toneladas, recorde que, ao mesmo tempo em que confirma sua centralidade, amplia a pressão sobre a infraestrutura logística.
A concentração de fluxos no porto evidencia um modelo ainda dependente de poucos eixos logísticos, com impactos diretos sobre custos, prazos e previsibilidade das operações de comércio exterior.
Acessos e capacidade sob pressão
O principal ponto de estrangulamento está nos acessos terrestres. Corredores rodoviários como Anchieta-Imigrantes operam sob forte pressão em períodos de safra, com filas, restrições de circulação e aumento do tempo de trânsito.
No modal ferroviário, embora haja avanço na participação, a capacidade ainda é limitada frente ao crescimento da demanda, especialmente para granéis agrícolas. A disputa por janelas de descarga e embarque tende a se intensificar em ciclos de pico.
Operação portuária e dragagem
Dentro do porto, desafios de capacidade e de gestão de janelas de atracação impactam a produtividade. A necessidade recorrente de dragagem para manutenção do calado também segue como fator crítico para a competitividade, ao influenciar o porte dos navios e o custo do frete marítimo.
Esses elementos, combinados, ampliam o risco de congestionamentos operacionais e elevam o custo logístico em momentos de maior fluxo.
Concentração e risco sistêmico
A dependência de Santos, em detrimento de uma maior dispersão de cargas entre portos como Porto de Paranaguá e Porto de Itaqui, reforça um risco sistêmico para a logística brasileira.
Em um sistema que movimenta mais de 1,3 bilhão de toneladas por ano, gargalos em um único complexo têm potencial de afetar cadeias inteiras, do agronegócio à indústria.
A expansão da demanda, impulsionada pelo comércio regional e global, aumenta a pressão por investimentos em infraestrutura e por maior integração entre modais. Projetos de ampliação de capacidade, novos arrendamentos e revisão de áreas operacionais avançam, mas ainda enfrentam desafios de execução e coordenação.
“Quando observamos o comércio regional, percebemos que a infraestrutura logística tem impacto direto na competitividade das empresas”, afirma Mayra Saitta, advogada empresarial e fundadora do Grupo Saitta.
Impacto nas cadeias produtivas
Na prática, os gargalos logísticos se traduzem em aumento de custos, atrasos e menor previsibilidade para embarcadores. Em um cenário de maior integração com o Mercosul e de cadeias mais sensíveis a disrupções, a eficiência portuária passa a ser um fator determinante de competitividade.
O caso de Santos evidencia que o avanço do comércio exterior brasileiro depende não apenas da expansão da demanda, mas da capacidade de a infraestrutura acompanhar esse crescimento.
Fique por dentro de todas as novidades do setor de transporte de carga e logística:
Siga o canal da Transporte Moderno no WhatsApp
Acompanhe nossas redes sociais: LinkedIn, Instagram e Facebook
Inscreva-se no canal do Videocast Transporte Moderno



