O programa Move Brasil foi o principal fator de sustentação do mercado de caminhões no primeiro trimestre de 2026, em um cenário ainda marcado por juros elevados, crédito restrito e aumento dos custos operacionais. A avaliação foi apresentada pela Fenabrave, que aponta o caráter pontual do estímulo e a necessidade de sua continuidade para evitar nova retração do segmento.
Segundo o diretor executivo da entidade, Marcelo Ciardi Franciulli, a recuperação observada no período está diretamente associada ao programa. “O que vimos de recuperação no primeiro trimestre foi basicamente o Move Brasil”, afirmou.
Com cerca de R$ 10 milhões em recursos, já praticamente esgotados, o programa ofereceu condições facilitadas de financiamento para aquisição de caminhões novos e usados (a partir de 2012), com foco na renovação de frota e na redução de emissões. Parte das vendas realizadas ainda não se refletiu nos emplacamentos e deve aparecer ao longo do segundo trimestre.
De acordo com o presidente da Fenabrave, Arcelio Junior, há um efeito residual que deve sustentar os números no curto prazo. “Há um rescaldo de unidades já negociadas que ainda serão emplacadas entre abril e maio”, disse.
Apesar do impacto positivo, os dados mostram que o programa ainda não foi suficiente para reverter a tendência de retração do segmento. Os emplacamentos de caminhões registraram reação pontual em março, com alta de 32% sobre fevereiro, mas acumulam queda próxima de 20% no ano e recuo de 3% na comparação com o mesmo mês de 2025.
Leia mais
Move Brasil: dinheiro sobra, mas crédito não chega aos autônomos
Move Brasil esgota crédito para empresas e trava novos financiamentos
Move Brasil soma R$ 6,3 bilhões em crédito aprovado
Dependência de continuidade
Para a Fenabrave, a continuidade do Move Brasil é decisiva para a recuperação do mercado. A entidade negocia com o governo a prorrogação e ampliação do programa, com possibilidade de inclusão de implementos rodoviários e ônibus, além da defesa de que a iniciativa evolua para uma política permanente de renovação de frota.
A avaliação do setor é de que, sem novos estímulos, a tendência é de desaceleração. O caminhão, como bem de produção, segue diretamente condicionado ao ambiente macroeconômico, especialmente às condições de financiamento.
A combinação de juros elevados, maior seletividade nas aprovações de crédito e custo elevado do financiamento tem limitado a capacidade de investimento dos transportadores. Ao mesmo tempo, a pressão do diesel — que pode representar cerca de 40% dos custos operacionais — reduz margens e impacta o frete.
Cenário reforça incerteza
O ambiente internacional adiciona volatilidade ao quadro doméstico. Segundo a economista Tereza Maria Fernandes, a instabilidade nos preços do petróleo e os efeitos de tensões geopolíticas ampliam a incerteza e reduzem a previsibilidade para investimentos. “A palavra hoje é incerteza”, afirmou.
Nesse contexto, decisões de compra de caminhões tendem a ser postergadas, reforçando a dependência de programas de estímulo como o Move Brasil para sustentar a demanda no curto prazo.
Renovação de frota no centro do debate
Para a Fenabrave, a criação de um programa permanente é estratégica para o setor. A idade média da frota de caminhões no Brasil, próxima de 23 anos, é um dos principais desafios estruturais, com impacto direto sobre eficiência, custos e emissões.
Sem uma política contínua de incentivo, o setor tende a permanecer dependente de medidas pontuais, com reflexos na renovação da frota, na produtividade do transporte e no custo das cadeias logísticas.
Fique por dentro de todas as novidades do setor de transporte de carga e logística:
Siga o canal da Transporte Moderno no WhatsApp
Acompanhe nossas redes sociais: LinkedIn, Instagram e Facebook
Inscreva-se no canal do Videocast Transporte Moderno



