Carga aérea recua, mas rotas estratégicas ganham mais voos

Setor ajusta oferta diante da demanda mais fraca; LATAM amplia operação entre Guarulhos e Manaus

Valeria Bursztein

O transporte aéreo de cargas iniciou 2026 em ajuste no Brasil, com queda de 7,2% na demanda doméstica em janeiro, que somou cerca de 34,5 mil toneladas, segundo a Agência Nacional da Aviação Civil – Anac. No mercado internacional, o recuo foi de 3,8%, refletindo um início de ano mais moderado após a recomposição observada ao longo de 2024 e 2025.

Nesse ambiente de desaceleração pontual, operadores têm ajustado a oferta e concentrado capacidade em corredores de maior densidade e previsibilidade de carga. É nesse movimento que a Latam Cargo Brasil ampliou a operação cargueira entre São Paulo/Guarulhos e Manaus, uma das principais rotas logísticas do país.

A companhia adicionou duas frequências semanais com aeronaves Boeing 767, elevando para 12 voos por semana a operação e incorporando 110 toneladas de capacidade semanal. O reforço se concentra às quartas e sextas-feiras, dias de maior demanda, quando a operação passa a contar com três frequências diárias.

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Frete aéreo ganha papel de equilíbrio

O início de ano mais fraco em volume não reduz a relevância do modal aéreo nas cadeias logísticas. Em um cenário de volatilidade nos custos — especialmente combustíveis — e de ajustes nas rotas marítimas internacionais, o frete aéreo tem sido utilizado como alternativa para mitigar atrasos, reduzir estoques e garantir continuidade operacional.

Embora apresente custo mais elevado, o modal permite ciclos mais curtos e maior previsibilidade, funcionando como instrumento de equilíbrio em cadeias pressionadas por variações de demanda e restrições operacionais. Esse movimento tem reforçado o uso do transporte aéreo em segmentos como eletrônicos, farmacêutico e e-commerce.

Corredor crítico para a indústria

A rota entre Guarulhos e Manaus conecta o principal hub logístico do país à Zona Franca de Manaus, polo industrial altamente dependente do transporte aéreo para abastecimento de insumos e distribuição de produtos de maior valor agregado.

O aumento de frequências tende a reduzir gargalos operacionais, melhorar a regularidade e ampliar a previsibilidade das operações — fatores críticos para cadeias que operam com estoques ajustados.

Segundo a Anac, a Latam Cargo detém cerca de 45% de participação no mercado de cargas aéreas em Manaus, considerando operações domésticas e internacionais, consolidando sua posição no principal polo logístico da região Norte.

Ajuste seletivo de capacidade

A ampliação da operação reflete um movimento mais seletivo do mercado, em que a expansão ocorre de forma direcionada a rotas com maior relevância econômica. O grupo Latam responde por cerca de 30% do mercado de carga aérea na América do Sul e transportou mais de 1 milhão de toneladas em 2025, combinando operação cargueira dedicada com capacidade em voos de passageiros.

No Brasil, o modal segue pressionado por custos — especialmente combustível —, mas mantém vantagem competitiva em operações que exigem rapidez e confiabilidade.

O cenário indica que o transporte aéreo deve operar em 2026 com maior disciplina na alocação de capacidade, priorizando eficiência operacional e rentabilidade. Nesse contexto, movimentos como o reforço na rota Guarulhos–Manaus tendem a ter impacto direto sobre a fluidez das cadeias produtivas, o custo logístico e a competitividade de setores intensivos em tempo e valor agregado.

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